A Embrapa e o Cirad pretendem
lançar, até a safra 2010/2011,
a cultivar de arroz híbrido: BRS Cirad
302. As sementes se destinam ao plantio irrigado
na região da fronteira oeste do Rio
Grande do Sul. O desenvolvimento da cultivar
teve início em 1985, quando a Empresa
estabeleceu parceria com o Centro de Cooperação
Internacional em Pesquisa Agronômica
para o Desenvolvimento (Cirad), da França.
Naquele ano, especialistas em genética,
qualidade de grãos e fitotecnia, dentre
outros, iniciaram o uso das linhagens do programa
de melhoramento convencional para a geração
dos híbridos.
Após seis anos de
interrupção, as pesquisas foram
retomadas em 2004, sob a liderança
dos pesquisadores Péricles Neves, da
Embrapa Arroz e Feijão, e James Taillebois,
do Cirad. Atualmente, os experimentos estão
sendo conduzidos no Rio Grande do Sul, no
Mato Grosso e na sede da Embrapa Arroz e Feijão
(GO), com o apoio da Embrapa Clima Temperado
e da Embrapa Transferência de Tecnologia,
escritório Capão do Leão,
em Pelotas (RS).
O arroz híbrido é
obtido pelo cruzamento de duas linhagens,
o que resulta em uma semente com maior capacidade
produtiva. A produção de sementes
ocorre em faixas intercaladas de linhas machos
e fêmeas. As linhas fêmeas não
produzem pólen, ou seja, dependem de
polinização pelas linhas machos.
O Programa Arroz Híbrido
Embrapa-Cirad sustenta-se na criação
permanente de novos híbridos, com programa
de melhoramento próprio. Ao invés
partir do cruzamento entre variedades convencionais,
como é comum, os pesquisadores desenvolvem
as linhagens "mãe" e "pai"
do híbrido, de maneira a maximizar
a produtividade e manter a qualidade dos grãos.
De acordo com Péricles,
a BRS Cirad 302 assegura maior produtividade
ao agricultor, que utilizará também
menor quantidade de sementes no plantio: "O
agricultor vai colher mais, utilizando menos
da metade da semente que usaria hoje",
explicou. Isso ocorre porque a semente híbrida
tem alto potencial de perfilhamento, o que
reduz a densidade de semeadura para cerca
de 40 quilos por hectare. A média atual
é de 100 quilos de semente tradicional
por hectare e 50 quilos no caso das sementes
híbridas que já estão
no mercado.
Já a produtividade
dos grãos pode ser de uma a duas toneladas
superior ao arroz tradicional. No entanto,
experimentos realizados pela Embrapa indicam
que esse valor pode ser ainda maior, dependendo
do clima e manejo aplicados. Além disso,
a própria familiaridade que o agricultor
adquirir pode melhorar o manejo, o que também
vai refletir na maior produtividade.
Segundo o pesquisador em
Melhoramento de Arroz Irrigado da Embrapa
Clima Temperado, Ariano Magalhães Júnior,
a BRS Cirad 302 destaca-se pela maior produtividade
obtida pela heterose, quando comparada com
cultivares convencionais e pelos grãos
com alta qualidade industrial e culinária.
Apresenta plantas do tipo moderno de folhas
lisas, estatura de 93,5 centímetros,
alta capacidade de perfilhamento e maturação
uniforme. Os grãos são do tipo
“agulhinha” de casca lisa-clara.
Ainda conforme Ariano, o
rendimento industrial dos grãos, em
condições normais de ambiente
e manejo da lavoura, é superior a 62%
de grãos inteiros-polidos, com renda
total de 70%. “Quando polidos, os grãos
apresentam ótimo aspecto visual, aparência
vítrea com baixa incidência de
centro branco e ótima qualidade culinária.
A produtividade observada em diversas regiões
do Rio Grande do Sul situa-se acima de 10
toneladas por hectare”, disse Ariano.
O híbrido BRS Cirad
302 apresenta ciclo biológico médio
de 125 dias, oscilando entre 120 e 130 dias
da emergência à completa maturação,
conforme interação com ambiente
de cultivo.
Segundo os pesquisadores
da Embrapa, o preço das sementes híbridas
só poderá ser definido após
o lançamento da cultivar: "O preço
obedece às leis de oferta e procura
e depende também da nossa capacidade
de produção", afirmou Péricles.
Um aspecto adicional é
que as cultivares de arroz lançadas
pela Embrapa, incluindo os híbridos,
são protegidas levando em consideração
a caracterização molecular ("finger
printing"), de maneira a garantir a sua
identidade.
Um plano de marketing foi
elaborado, em conjunto com a Embrapa Transferência
de Tecnologia (Brasília-DF), para divulgar
as qualidades do arroz híbrido. Em
um primeiro momento, as ações
devem priorizar a atração de
empresas de produção de sementes,
para então, posteriormente, despertar
o interesse dos agricultores pelo produto.
Adicionalmente, o escritório da Embrapa
Transferência de Tecnologia em Capão
do Leão(RS), é quem coordenará
o processo de transferência de tecnologia
para os agricultores.
Texto: Vivian Maia (Embrapa
Arroz e Feijão)
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