Foto:
Ana Luiza B. Viegas
Embrapa
Clima Temperado

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O controle biológico foi destaque durante
o segundo dia de atividades do I Simpósio
sobre Produção Orgânica:
Frutas e Hortaliças e o I Seminário
Técnico Internacional em Agroecologia,
evento que termina na quinta (19.11), na Embrapa
Clima Temperado.
O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo
Augusto Boechat Morandi, enfocou a utilização
do controle biológico para doenças,
ou seja, o uso de microorganismos benéficos
para reduzir ou eliminar a população
de patógenos, tais como fungos e bactérias.
Para esclarecer o assunto, Marcelo exemplificou
o uso de controle biológico de doenças
nas lavouras de feijão, para combate
da Rhizoctonia, entre outras doenças,
através do uso de Trichoderma, um fungo
benéfico que vive no solo e consegue
controlar alguns outros fungos que atuam nesse
mesmo ambiente e que causam as doenças.
Também abordou a utilização
do fungo Clonostachys, para o controle do mofo
cinzento em morangos e outras plantas ornamentais.
Segundo ele, a Embrapa tem desenvolvido tanto
sistemas de cultivo mais adequados a estimular
naturalmente esses organismos benéficos,
através de manejo adequado da cultura,
quanto feito pesquisas para o desenvolvimento
de produtos ou insumos, com base nesses organismos
para aplicação no campo. “Muitas
vezes na agricultura convencional os problemas
são oriundos dos desequilíbrios
ambientais, provocados pela aplicação
de agroquímicos. Porém, é
preciso estar alerta para os riscos de desequilíbrio
que podem vir a ocorrer na produção
orgânica, caso o manejo com controle biológico
não seja feito de forma adequada”,
enfatiza. Ele destacou ainda a importância
de se buscar novos modelos de produção
que sejam mais sustentáveis tanto para
o sistema orgânico quanto para a melhoria
dos sistemas convencionais de cultivo.
Finalmente, a professora da Universidade Federal
do Paraná (UFPR), Louise Larissa May
De Mio, falou sobre manejo para combater a Queima
Floral e a Podridão Parda, ambas causadas
pela o fungo Monilinia fructicola, utiliza-se
o Trichothecium roseum, que deve ser aplicado
três vezes ao longo da safra, pulverizando-se
o fungo sobre as plantas nas fases de maior
suscetibilidade a doença, ou seja, durante
a floração, após a abertura
das flores e novamente na pré-colheita
e durante a colheita.
Entretanto, ela explica que a utilização
desse produto ainda não está disponível,
apesar da pesquisa já ter comprovado
sua eficiência no campo e na pós-colheita,
pois depende do processo de registro junto ao
Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (MAPA). “Para isso, é
preciso realizar testes toxicológicos
que estão em fase inicial de pesquisa,
através de parceria entre a UFPR e a
Embrapa”, salientou.
Ela explicou ainda que no campo, o sucesso do
controle biológico depende da capacidade
do microorganismo controlador se adaptar ao
ambiente. “Esses microorganismos devem
permanecer vivo no meio ambiente resistindo
às diferentes condições
de temperatura, luminosidade, a competição
por alimentos, entre outros fatores”,
explica Louise.
Louise ressaltou que dentro da agricultura orgânica
são poucas as estratégias de controle
da doença, dentre elas destaca-se a utilização
de calda bordalesa durante o inverno e a remoção
de partes doente das plantas do pomar, como
cancros e frutos doentes ou já mumificados
presos a planta. “Até que o uso
de Trichothecium roseum obtenha o registro,
os produtores podem utilizar a trabalhosa técnica
de ensacamento dos frutos, como opção
viável de obter um fruto sadio, que deve
ser feita logo após o raleio (redução
do numero de frutos por árvore)”,
explica.
O evento financiado com recursos do PAC Embrapa
conta com a participação de 200
pessoas, entre agricultores, estudantes, técnicos
e interessados neste estilo de agricultura.
Christiane Rodrigues Congro – Mtb-SC
00825/9
Colaboração: Giulliane Viêgas
(estagiária)
Embrapa Clima Temperado
Contatos: (53) 3275-8113 - congro@cpact.embrapa.br
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