Foto:
Ana Luiza B. Viegas
Embrapa
Clima Temperado

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No ultimo dia, quinta (19.11), de atividade
do I Simpósio sobre Produção
Orgânica: Frutas e Hortaliças e
o I Seminário Técnico Internacional
em Agroecologia, realizado na Embrapa Clima
Temperado os participantes conheceram diversos
aspectos relacionado ao manejo em sistemas de
produção orgânica.
Dentre as diversas palestras, destaca-se a
proferida pela pesquisadora da Embrapa Clima
Temperado e coordenadora do evento, Ângela
Diniz Campos, que falou sobre produtos alternativos
que podem ser utilizados para a produção
orgânica. “A planta será
atacada somente quando seu estado bioquímico,
determinado pela natureza e pelo teor de substâncias
nutritivas solúveis, for correspondente
às necessidades de alimentação
da praga ou do patógeno, conforme a Teoria
da Trofobiose, de 1967, porém tão
atual até os dias de hoje, principalmente
quando se fala da indução da resistência
sistêmica das plantas”, explica
ela.
Ângela disse que a produção
de alimentos orgânicos deve ter um foco
diferente do convencional, desde o inicio da
implantação do sistema de produção
e acrescenta que “não podemos implantar
um sistema de produção orgânico
sem levar em conta todo o ecossistema”.
Algumas estratégias alternativas sugeridas
pela pesquisadora são: rotação
de culturas, adubação verde, compostagem,
além de controle biológico de
pragas e doenças. “Esse sistema
de produção busca manter a estrutura
e a produtividade do solo, trabalhando em harmonia
com a natureza”, acrescentou.
Ela enfatizou a importância tanto da
parte aérea da planta quanto do solo.
“Eles possuem igual importância
no sistema orgânico, por isso, o produto
que será utilizado deve complementar
o sistema de produção. Assim,
é importante que o produto não
altere o ecossistema, seja prático e
de fácil manuseio, além de sustentável
e eficiente”, acrescentou.
Ela sugere a utilização de biofertilizantes
e de fitoprotetores que são indutores
de resistência. Segundo a pesquisadora
esses produtos ativam as defesas da planta através
da produção de lignina, proteínas
relacionadas a defesa, enzimas hidrólicas,
espessamento das paredes celulares e a produção
de substâncias denominadas fitoalexinas,
que é como a planta se defende.
A pesquisadora da Embrapa Clima Temperado,
Maria Laura Turino Mattos apresentou aspectos
relacionados a segurança alimentar e
ambiental na produção de orgânicos.
Ela explicou que esse sistema de produção
deve obedecer aos parâmetros legais estabelecidos
na IN 64 do MAPA. “Nessa Normativa estão
estabelecidos os valores de referência
utilizados como limite máximo de contaminantes
admitidos em compostos orgânicos”,
disse.
Segundo ela, para que produza alimentos aptos
a receberam o Selo de Produto Orgânico,
fornecido pelo Ministério da Agricultura
Pecuária e Abastecimento (MAPA), que
é o Selo único oficial do sistema
brasileiro de avaliação de conformidade
orgânica, é preciso que o sistema
de produção esteja adequado aos
parâmetros legais. “Isso exige a
realização de análises
laboratoriais, especialmente as químicas
e microbiológicas, que se tornam acessíveis
para os produtores que se organizarem através
de cooperativas e/ou associações”,
destacou Maria Laura. Análises de qualidade
microbiológica da água, dos insumos,
do solo e dos frutos são alguns dos indicadores
garantem a segurança do produto, que
poderá vir a ser certificado.
Finalmente, também foram abordados o
ponto de colheita e o manejo pós-colheita,
através de palestra proferida pelo pesquisador
da Embrapa Clima Temperado, Fernando Flores
Cantillano. Segundo ele, essa fase do sistema
de produção de alimentos orgânicos
demanda atenção especial, pois
quando a pós-colheita é manejada
de forma inadequada é responsável
pelas perdas de alimentos, contribuindo com
a elevação dos preços dos
produtos e prejudicando a ampliação
do número de consumidores desses produtos.
Ele destacou alguns pontos que devem ser considerados
nesse sistema de produção, tais
como a capacitação das pessoas
que trabalham na etapa de colheita, evitando
que as frutas sejam danificadas; utilização
de estratégias de higienização,
com técnicas de limpeza e desinfecção;
embalagens de colheita e armazenamento de plástico,
que facilitam a higienização;
estratégias de conservação
em relação a minimização
dos impactos da temperatura em relação
aos frutos colhidos; locais de armazenamento
organizados e protegidos contra a entrada de
pequenos animais, entre outros. Cantillano também
falou da importância da manutenção
da cadeia do frio para a conservação
das frutas.
O evento está sendo realizado com recursos
do PAC Embrapa.
Christiane Rodrigues Congro – Mtb-SC
00825/9
Embrapa Clima Temperado
Contatos: (53) 3275-8113 - congro@cpact.embrapa.br
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