Novos métodos colaboram na preservação da raça ovina crioula lanada
Ovelhas preservadas, animais com maior aproveitamento, profissionais capacitados. Essas foram algumas das metas planejadas para a realização do curso biotécnicas da reprodução em ovinos, durante os dias 2 e 5 de abril, realizado em parceria entre as unidades de pesquisa da Embrapa, Clima Temperado, de Pelotas e Pecuária Sul, de Bagé, e a UFPel. O treinamento contendo aulas teóricas e práticas, no auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel e na unidade de multiplicação genética da Estação Terras Baixas da Embrapa, qualificou médicos-veterinários e estudantes em final de curso para receberem certificado com aptidão a prestar serviços como inseminadores e a desenvolverem a técnica de transferência de embriões, via cervical (não cirúrgica).
Uma das organizadoras do curso, pesquisadora Lígia Pegoraro, da Embrapa Clima Temperado, fala que o curso proporcionou que os estudantes, principalmente, pudessem praticar e ver como funciona as tecnicas reprodutivas. “O participante pode ver cada etapa da tecnologia, e sem dúvida, ele sai pronto para levá-la para o campo”, confirmou.
O professor Rafael Gianelli, da UFPel, lembra que o importante é que esta técnica não havia sido feita em animais lanados, e esta iniciativa do curso proporcionou duas ações: conhecer as biotécnicas e conservar a raça ovina crioula lanada. “Os embriões que vamos retirar no curso, vão ser congelados e alguns deles transferidos para se tentar obter produtos desses animais”, falou.
Com um sotaque bem baiano, o professor Alberto Gusmão, da Universidade Federal da Bahia-UFBA, foi o responsável por transmitir na prática os conhecimento da técnica de inseminação artificial e coleta, transferência de embriões ovinos. “Essa técnica é direcionada a fêmeas de alto valor para que possam ser multiplicadas de uma forma mais intensiva, pois uma ovelha dá em torno de 1 a 2 cordeiros ao ano, com essas biotécnicas, elas podem gerar de 30 a 40 animais”, explica o professor. Ele relata que essa técnica foi preconizada para bovinos, tudo era feito pela via cirúrgica. Atualmente foi desenvolvido um método com o uso de hormônios – prostaglandinas – que permite avançar na barreira anatômica da ovelha.
Mas, alguns pontos devem ser levados em conta para adoção pelo produtor dessa técnica. O professor Alberto Gusmão chama a atenção que os animais precisam estar preparados para essa técnica, estando em período de ciclo reprodutivo e submetidos a tratamento hormonal e serem avaliados como rebanho que justifique o investimento. “ Não é uma técnica barata. O produtor pode gastar em torno de 350 reais por ovelha”, revela.
Para o participante do curso, Lucas Farias, estudante do 8º semestre de Medicina Veterinária da UFPel, disse que durante os quatro dias de curso aprendeu as técnicas de reprodução em ovinos que poderão ser utilizadas em toda a sua carreira profissional. “Depois que terminar o curso vou praticar bastante na propriedade para quando sair ao mercado de trabalho estar mais preparado”, falou estimulado. Para ele, tudo o que viu no curso foi novo, esses conhecimentos não foram apresentados pela universidade e por isso, vê como mais uma oportunidade de aprendizagem antes da formação acadêmica.


Fotos: Manuelle de Lima
Jorn. Cristiane Betemps – 7418RS
Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Clima Temperado
cristiane.betemps@cpact.embrapa.br
(053) 3275-8215
|