Alguns pesquisadores em agropecuária no Brasil começaram a realizar suas investigações antes mesmo da criação da principal instituição desta área, a Embrapa, criada em 1973. Entre estes pioneiros, está o agrônomo pelotense Delorge Mota da Costa, que faleceu na última terça-feira e foi enterrado na tarde de quarta no cemitério local. Ele começou a trabalhar na pesquisa em batata em 1946, no então Instituto Agronômico do Sul (IAS). Aposentou-se pela primeira vez em 1977, mesmo ano em que foi contratado pela Embrapa e onde permaneceu trabalhando em melhoramento de batata por mais duas décadas, até 1997.
O Dr. Delorge, como era conhecido, era um abnegado pela pesquisa, e muito contribuiu para que hoje se tenha batata com genética brasileira. "ele sempre esteve atento à melhoria e ao aproveitamento da semente pelos produtores de batata. Com o sistema denominado sementeiro, o Dr. Delorge ajudou muito os produtores a aumentarem a qualidade de suas sementes e, por conseguinte, a produtividade de suas lavouras", explica o atual melhorista em batata da Embrapa Clima Temperado, Arione Pereira.
Entre muitas qualificações, o Dr. Delorge pode ser considerado o "pai da Baronesa". Ele desenvolveu 13 variedades de batata e dentre as mais destacadas estão as cultivares Baronesa (rosa, comprida), Santo Amor e Macaca (rosa, redonda). Mas é o sucesso da Baronesa que mais se destaca. No Rio Grande do Sul, ocupou mais de 70% dos 40 mil hectares plantados anualmente, durante mais de cinco décadas e ainda é cultivada no Estado. Outra contribuição do Dr. Delorge foi a formação de técnicos e produtores, ministrando aulas, palestrando em eventos diversos, apresentando resultados em dias de campo e mantendo contatos individuais sobre produção e melhoramento de batata, sempre junto aos agricultores e suas organizações. Segundo Arione "o pesquisador é considerado como um dos melhoristas de batata mais bem sucedidos do planeta".
Nascido em 6 de março de 1919, Delorge ingressou na Escola de Agronomia Eliseu Maciel em 1942, tendo completado o seu curso em dezembro de 1945. Ao morrer Delorge contava, portanto, com 93 anos de idade e sua carreira e contribuição é um exemplo para os pesquisadores da Embrapa e para os demais trabalhadores desta instituição, especialmente os que conviveram com ele.

Fotos: arquivo da unidade
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