Foi bastante exitosa e produtiva
a audiência pública realizada
esta semana, em Brasília, na Câmara
dos Deputados, visando apresentar o conjunto
de projetos referentes ao uso dos produtos
do xisto na agricultura e sensibilizar os
parlamentares para a inclusão, no
orçamento de 2006, de novos recursos
para a seqüência das pesquisas.
A avaliação é do chefe-geral
da Embrapa Clima Temperado, João
Carlos Costa Gomes, que destacou a presença
de 39 deputados e dezenas de representantes
de outros segmentos interessados. Até
agora, o projeto investiu 7 milhões
de reais e necessita mais 10 milhões
para a seqüência dos trabalhos.
A audiência publica
foi conjunta entre as Comissões de
Agricultura, Pecuária. Abastecimento
e Desenvolvimento Rural, Minas e Energia,
Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática , sob a coordenação
do deputado federal Eduardo Sciarra (PFL
- PR), um dos autores do requerimento de
realização da audiência
sobre o andamento das ações
de pesquisa e perpectivas do projeto xisto
agrícola para os próximos
anos. O projeto xisto agrícola, coordenado
pela Embrapa Clima Temperado e desenvolvido
em parceria com a Petrobras, através
da unidade de industrialização
do xisto em São Mateus do Sul, PR,
contempla um amplo programa de pesquisa
e desenvolvimento de novos insumos para
uso na agricultura de base agroecológica,
através da utilização
de subprodutos do processamento do xisto
betuminoso como
matéria-prima para a formulação
de fertilizantes e fitoprotetores. A proposta
é considerada inovadora pela sua
concepção e um novo negócio
para a Petrobras.
A audiência pública
contou com a presença de representantes
do Ministério da Ciência e
Tecnologia, do coordenador geral dos sistemas
de produção integrada do MAPA,
José Rozalvo Andrigueto, na ocasião
representando o Ministro Roberto Rodrigues,
do gerente geral da Petrobras-SIX, José
Manoel Villar Gulin, o chefe geral da
Embrapa Clima Temperado, João Carlos
Costa Gomes, representando o presidente
da Embrapa, além de técnicos
e gerentes da Petrobras, pesquisadores da
Embrapa e Instituto Agronômico do
Paraná (Iapar). Entre os diversos
deputados que prestigiaram a audiência,
figuram Airton Roveda (PTB-PR), também
autor do requerimento para a
audiência, e o deputado recém
empossado. Afonso Hann (PP-RS), ambos entusiastas
do projeto.
Na audiência, houve
a apresentação dos principais
avanços obtidos pelo projeto em dez
meses de andamento e das ações
previstas para as próximas duas fases
do trabalho, em explanações
realizadas por Clenio Pillon, pesquisador
da Embrapa Clima Temperado e um dos coordenadores
do projeto pela Embrapa, e pelo pesquisador Francisco Skora Neto, coordenador das ações
do projeto no âmbito do Iapar. A audiencia
pública teve como principal objetivo
sensibilizar parlamentares para a garantia
de recursos no orçamento de 2006
para o projeto xisto agrícola. Para
o deputado Eduardo Sciarra, o projeto é
de importância nacional, pois capilariza-se
pela agricultura familiar e poderá
fortalecer a produção agroecológica
de alimentos e até a
produção de biodiesel. Outro
nicho de mercado para os novos insumos gerados
pelo projeto será a produção
integrada de frutas e grãos, amplamente
destacada por José Rozalvo Andrigueto
em sua explanação sobre o
programa de produção integrada
do MAPA. Andrigueto colocou à disposição
os projetos de produçào integrada
do Ministério para a avaliação
dos novos produtos em diferentes regiões
do Brasil e afirmou que o uso de insumos
à base de xisto contribuirá
para a redução do uso de
agroquímicos em diversas culturas,
especialmente aquelas destinadas à
exportação.
Em seu discurso, Costa Gomes
salientou a importância do projeto
para a busca de novas rotas tecnológicas
para a produção de insumos
para a agricultura (ação prevista
no Plano Plurianual de Governo), a redução
da dependência de insumos externos
e a atuaçào da Embrapa na
formação de novos quadros
e jovens cientistas. Na Embrapa Clima Temperado,
participam diretamente das ações
do projeto 26 doutores, 12 mestres e mais
de 60 colaboradores diretos, incluindo muitos
estudantes de
graduação e pós-graduação,
além de pequisadores colaboradores
de outras instituições, como
a UFPR, UFPeL e Unisinos.
Para a Petrobras, a oportunidade
da parceria com uma instituição
de renome internacional como a Embrapa representa
uma oportunidade ímpar para o agronegócio
brasileiro. A possibilidade concreta do
aproveitamento de subprodutos do processamento
industrial e sua comercialização
representa vantagens competitivas para a
Petrobras-SIX e oportunidades de novos negócios,
conforme afirmou na audiência o gerente-geral
da SIX, José Manoel Villar Gulin.
Redação: Sady
M.Sapper
Jornalista, MTb RS 5376