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Avicultura Colonial
Pesquisas e ações de desenvolvimento nas áreas de avicultura colonial e avicultura orgânica
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Avicultura Colonial

A avicultura colonial e a avicultura orgânica podem contribuir para a diversificação das atividades da agricultura familiar, especialmente nas regiões que apresentam atividades de produção centradas em monoculturas, como o caso da fumicultura, presente em toda região de agricultura familiar do RS, ou a monocultura da cebola e outras existentes no RS. A inclusão da produção de aves (carne e ovos) apresenta benefícios diversos sobre os sistemas de produção da agricultura familiar, contribuindo para a geração de renda em períodos diversos ao longo do ano, transformando resíduos de baixo valor comercial (restos de culturas como por exemplo: raízes e folhas de batata-doce, mandioca) em produtos nobres, como a carne de frango e ovos de galinhas) com proteínas de alto valor biológico e comercial. Estas produções que avançam no caminho da sustentabilidade (econômica, social e ambiental), minimizam a utilização de agrotóxicos e medicamentos preventivos, contribuindo para o abastecimento dos mercados urbanos com produtos com menor teor ou ausência de resíduos de agrotóxicos.
O sistema de criação da avicultura colonial,  juntamente com as linhagens utilizadas (Frango de Corte Colonial – Embrapa 041 ou Poedeira Colonial Embrapa 051) permite que agricultores familiares, com pequenos investimentos possam integrar suas produções vegetais, com a Avicultura, independentemente da existência de empresas integradoras de maior porte. Outro fator positivo na atividade é a pouca mão-de-obra necessária para a produção, permitindo uma atividade saudável para crianças e idosos.

A avicultura colonial – O que é?

A avicultura colonial é um sistema de produção que preserva o bem estar das aves, com a conseqüente estimulação do sistema imunológico, diminuindo ou eliminando a necessidade de medicamentos quimioterápicos. A alimentação é baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal, sendo proibido o uso de promotores de crescimento e  ingredientes de origem animal (farinhas de sangue, penas, etc.). Os frangos e ovos coloniais são produzidos obedecendo  a legislação federal (Ofício circular DOI/DIPOA nº 007/99, O.C. DIPOA Nº 60/99).
No sistema colonial as aves são criadas em confinamento, aproximadamente até os 28 dias de vida e soltas em piquetes após este período.  A diferença entre o manejo colonial e o convencional ocorre principalmente após este período, quando as aves terão livre acesso, durante o dia, a um piquete ao redor do aviário, onde terão pasto, sombra e espaço para caminhar livremente. Isto proporciona maior bem estar aos animais, diminuindo o nível de tensão e o risco de doenças. O frango colonial apresenta características sensoriais diferenciadas do frango convencional, especialmente com referência ao teor de gordura (menor), cor (amarelada) e textura mais firme, realçando o sabor da carne. No caso dos ovos a cor amarelada intensa, resultado da diversificação da alimentação (pastagens) é outra característica positiva procurada pelos consumidores. A ração utilizada para alimentação das aves é constituída exclusivamente por produtos de origem vegetal, sendo proibidos os aditivos e promotores de crescimento, bem como ingredientes de origem animal. O sistema de produção do frango colonial obedece legislação do Ministério da Agricultura. Esse sistema possibilita o aproveitamento de alimentos alternativos  como pastagens, grãos, hortaliças, frutas e tubérculos, que complementarão a ração e diminuirão os custos com alimentação. Nas propriedades onde existe produção de batata doce ou mandioca, os resíduos (ou a própria produção comercial), pode ser aproveitada para alimentação das aves. Nas regiões onde a produção de batata-doce é atividade tradicional da agricultura familiar, existem excedentes de batata-doce, que muitas vezes nem são colhidos, devido a falta de padrão comercial. Estas raízes de batata doce fora de padrão comercial, que podem atingir mais de 7 ton./ha., podem ser aproveitadas para composição de ração para aves, substituindo o componente energético da ração (tradicionalmente o milho). Estudos vem sendo conduzidos com substituição parcial e total, sendo observados bons resultados. A utilização de resíduos de culturas, como raízes e folhas de batata-doce ou mandioca,  podem representar uma economia substancial no custo de rações, gerando também benefícios ambientais pela menor emissão de carbono.
O fornecimento destes alimentos diversificados, bem como o manejo preconizado contribuem para melhor qualidade do produto final. As linhagens utilizadas são linhagens rústicas e bem adaptadas ao sistema de produção colonial, sendo originárias da Embrapa Suínos e Aves e com fornecimento de pintos pelo Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça em Pelotas (CAVG/UFPel). Para produção de ovos  utiliza-se a linhagem Embrapa 051, que produz ovos de casca castanha, com cerca de 280 - 300 ovos até a 80ª semana. Para a obtenção de carne utiliza-se a linhagem Frango Colonial Embrapa 041, que atinge cerca de 2,5 kg de peso vivo aos 91 dias, oferecendo uma carne mais consistente e com maior sabor.

Frango Colonial de Corte – Embrapa 041

Peso dos pintos – 1 dia

 40 gramas

Peso dos pintos – 28 dias

 555 gramas

Peso vivo aos 91 dias

2,4 kg

Consumo de ração (1-91 dias)

7,9 kg

Mortalidade média

6%

 

Avicultura Orgânica – O que é?

É um outro sistema de criação, diferente do colonial. No sistema orgânico as aves são criadas com acesso a pastagens, sem uso de antibióticos e com ração orgânica. O bem estar animal também é garantido, como no colonial. A madeira usada nas instalações e a cama das aves deverá estar livre de resíduos não permitidos para produção orgânica. O sistema é regido pela Instrução Normativa 64, do Mapa, de dezembro/2008. A diferença maior em relação ao colonial refere-se a exigência de alimentação orgânica.