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A utilização de canteiros de multiplicação
na produção de batatas com elevados padrões
fitossanitários, visa a obtenção de ramas de
batata-doce para plantio comercial.
Nesta etapa do processo de multiplicação do material
básico adquirido pelo produtor, alguns fatores devem ser
considerados para que as batatas que originarão as ramas
e mudas para plantio comercial apresentem qualidade adequada, não
acarretando comprometimento da produção esperada.
Material de origem ou básico
O aspecto fundamental a ser considerado na aquisição
do material básico, utilizado na formação do
canteiro de multiplicação para produção
de raízes ou mudas, é a sua obtenção
de fornecedores idôneos, capazes de fornecer garantias quanto
a identidade do material, no que se refere a espécie, cultivar
e estado sanitário. Sempre que for possível é
aconselhável recorrer a entidades oficiais para a aquisição
de matrizes e, no caso de haver
necessidade de importar material vegetal de outros países,
devem-se seguir rigorosamente as normas legislativas existentes,
garantindo dessa forma que doenças e pragas, não existentes
em nosso País, venham a ocasionar sérios prejuízos,
muitas vezes irreparáveis, à cultura.
Após a aquisição do material básico,
há necessidade de mantê-lo adequadamente para que conserve
suas características iniciais, fornecendo mudas com a mesma
qualidade da planta que a originou. Portanto, há necessidade
que sejam seguidos alguns padrões na escolha do local para
implantação do canteiro de multiplicação,
levando em consideração, principalmente, o isolamento
e a não existência anterior de plantio semelhante na
área escolhida. Devem ser seguidas as normas gerais para
implantação de lavouras, no que se refere à
exposição solar, existência de fonte de água,
facilidade de acesso, fertilidade do solo, profundidade, ausência
de nematóides fitopatogênicos, preparo do solo, adição
de corretivos e fertilizantes, plantio e tratos culturais (Figura
10).
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro
Fig. 1 Característica das plantas
de batata-doce após o plantio nos canteiros de multiplicação. |
Sempre que possível, é aconselhável manter as
plantas o mais distante possível, utilizando-se espaçamentos
maiores que os recomendados, procurando-se evitar o contato entre
raízes e entrelaçamento de ramas, não descuidando
em momento algum dos tratamentos fitossanitários. Todas as
cultivares devem ser adequadamente identificadas, com placas colocadas
em local de fácil visualização.
Outro fator a considerar é a utilização de máquinas
agrícolas e de instrumentos manuais como tesouras e facas,
utilizados na retirada de material para propagação (raízes,
ramas e estacas de folhas), que deverão ser sistemática
e adequadamente desinfectados com álcool 70% ou solução
com sabão, antes da utilização em cada planta,
evitando que eventuais enfermidades sejam transmitidas mecanicamente,
originando mudas com mau estado sanitário.
Época de plantio e preparo do solo
A melhor época para plantio das mudas de batata-doce, em condições
de campo, corresponde aos meses de outubro, novembro e dezembro, entretanto,
a utilização de material com alta
sanidade depende da multiplicação vegetativa de
matrizes oriundas de plantas de
laboratório (cultura de meristemas) que só estão
adequadas para plantio no final do mês de novembro até
o início do mês de dezembro, devendo o plantio a campo
ocorrer durante estes meses ou no máximo até o início
de janeiro.
O sucesso no cultivo da batata-doce depende muito de sua localização.
A escolha de local impróprio é um erro sério,
que, geralmente, não pode ser corrigido sem grandes perdas.
A instalação requer um cuidadoso exame da infra-estrutura
existente e das condições ambientais. Entre as condições
ambientais, o clima, o solo e sua topografia são fatores determinantes.
Na escolha do local para implantação do canteiro de
multiplicação deve-se levar em consideração
a declividade do terreno, sua exposição solar, a disponibilidade
de água, as características do solo e o isolamento da
área. Como norma geral, a batata-doce se desenvolve em qualquer
tipo de solo. Entretanto, são considerados ideais os solos
mais leves, areno-argilosos, soltos, bem estruturados, com média
ou alta fertilidade, bem drenados e com boa aeração.
O excesso de matéria orgânica e nitrogênio, assim
como de umidade, provocam o desenvolvimento de ramas e pouca formação
de raízes. Solos compactados ocasionam queda de produtividade.
Os níveis de pH considerados ótimos estão entre
5,6 e 6,5. Tolerante à acidez, não exige calagem, a
não ser em casos extremos. (Filgueira, 1987; Lemos et al.,
1992). Deve-se considerar também a sua profundidade, que não
deve ser inferior a 30 centímetros, Uma boa exposição
solar é fundamental, evitando-se locais sujeitos ao sombreamento
ou com ventos fortes, capazes de causar sérios prejuízos
às mudas. É importante utilizar locais onde não
se tenha plantado batata-doce. A proximidade de alguma fonte de água
é de fundamental importância, devido à necessidade
freqüente de irrigações na etapa inicial de desenvolvimento
das mudas, principalmente em locais onde as chuvas são irregulares.
É recomendável que, após a escolha do local de
plantio, seja realizada uma análise do solo em laboratório
especializado, adotando medidas de conservação do solo,
relacionadas à declividade do terreno e índice pluviométrico.
Em terrenos que necessitem correção, a calagem deve
ser realizada cerca de 90 dias antes do plantio, após a lavração
e antes da gradagem. A adubação com P2O5
deve ser feita 50-60 dias após a calagem. Aproximadamente cinco
dias antes do plantio, deve-se fazer nova aração e gradagem.
Quando o solo é trabalhado em condições ideais,
isto é, em estado friável, uma gradagem é suficiente
para se desmancharem os torrões formados durante a lavração;
entretanto, é aconselhavel que o solo fique bem destorroado
mesmo que a operação de gradagem necessite ser repetida
(Figura 11). Deve-se evitar a utilização da enxada rotativa,
para que não haja uma pulverização do solo, com
prejuízo de sua estrutura física.
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 2 Preparo do solo para plantio das mudas
de batata-doce com alta sanidade
mostrando a formação dos canteiros de multiplicação.
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Espaçamento e plantio
Os espaçamentos mais utilizados para produção
de raízes são de 0,80 a 1,00 m entre leiras e 0,25 a
0,50 m entre plantas. Cultivares que produzam raízes grandes
devem ser plantadas com espaçamentos menores.
Durante a operação de plantio, deve-se evitar a exposição
das mudas ao sol. As covas devem ser de tamanho suficiente para acomodar
todas as raízes, sem dobras e bem distribuídas. Deverão
ser feitos sulcos na terra previamente preparada, com profundidade
de 10 cm e no espaçamento desejado. O adubo deve ser distribuído
e incorporado no sulco. O plantio das mudas sobre as leiras ou camaleões
é o método mais indicado e recomendado. A leira deve
ter de 0,30 a 0,40 m de altura. Durante o plantio, as mudas devem
ser retiradas dos vasos onde ocorreu o desenvolvimento inicial, fazendo-se
a poda das raízes enoveladas que se formaram na base, caso
contrário ocorrerá menor formação de batatas
ou batatas mais alongadas. Colocada a muda na cova, com uma enxada
ou com as mãos, adiciona-se terra até a cobertura total
do sistema radicular (Figura 12). É recomendável fazer
o plantio nas horas mais amenas do dia, pois temperaturas altas podem
ocasionar danos a muda. Após o plantio, o solo deve ser umedecido,
para facilitar o pegamento das plantas (Figura 13).
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro
Fig. 3 Plantio das mudas de batata-doce. |
Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 4 Umedecimento do solo após o plantio,
para facilitar o pegamento das plantas de batata-doce. |

Adubação
As exigências minerais da cultura envolvem o potássio,
nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio.
De forma geral, em solos férteis, pode-se usar 500 kg
ha-1 (NPK) da fórmula 4 -14 -8. Em solos já cultivados
com hortaliças há possibilidade de não adubar,
utilizando-se os nutrientes residuais da cultura anterior. A adubação
nitrogenada deve ser realizada 50% no plantio e o restante em cobertura,
aos 30 e 45 dias após (Figuras 14 e 15). A adubação
orgânica pode ser utilizada como complementar à adubação
mineral e para melhorar as condições físicas
do solo. O nitrogênio é importante, mas se aplicado
em excesso pode haver crescimento da parte aérea, em detrimento
da formação de raízes. O fósforo é
indispensável durante o desenvolvimento das raízes
e o potássio oferece maior resistência aos tecidos,
evitando a formação de raízes muito compridas
(Lemos et al., 1992).
Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 5 Adubação de cobertura
em batata-doce, realizada 45 dias após o plantio.
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Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 6 Processo de incorporação
da adubação de cobertura em batata-doce. |
A análise visual das plantas é um valioso instrumento
para o diagnóstico de deficiências ou de toxidez nutricionais.
A deficiência indica uma condição aguda de falta
de nutriente, já que os sintomas somente se evidenciam quando
esta se encontra em estágio avançado, ocasionando,
nesse caso, um retardamento do crescimento e prejuízos à
produção e à qualidade das raízes comercializadas,
entre outros problemas.
Quando a observação das folhas revela determinadas
características, pode se suspeitar de uma deficiência
nutricional. Tais padrões são mais ou menos específicos
para cada nutriente. No entanto, os sintomas carenciais podem variar
de acordo com a cultivar e fatores ambientais. Até o momento,
ainda não são conhecidos os sintomas carenciais para
todos os nutrientes desta cultura. Em outras espécies cultivadas,
às vezes acontece que os sintomas visuais de dois nutrientes
são idênticos.
Certas viroses e infestações provocadas por insetos
podem produzir sintomas similares aos de uma deficiência nutricional.
Entretanto, o padrão com que se apresentam nas folhas permite
fazer a distinção.
Quando os sintomas são bem conhecidos, esse método
de diagnose nutricional, sem dúvida, é o mais rápido,
fácil e barato que se conhece.

Controle de plantas invasoras
Herbicidas de contato ou sistêmicos podem ser utilizados antes
do plantio, quando o solo é previamente preparado e deixado
em repouso por alguns dias, evitando que ocorra a germinação
das sementes das plantas invasoras existentes no solo (Figura 16).
O plantio das mudas de batata-doce pode ser realizado alguns dias
depois. Posteriormente a capina é geralmente realizada manualmente,
no início do aparecimento das plantas invasoras,uma vez que
não existem herbicidas registrados para essa cultura (Figuras
17).
O local deve ser mantido limpo até 60 dias após o
plantio, período durante o qual ocorre cobertura total do
terreno pelas ramas da batata-doce, impedindo o crescimento de plantas
invasoras (Figura 18).
Foto:
Luis Antônio Suita de Castro 
Fig. 7 Herbicidas de contato ou sistêmicos
podem ser utilizados antes do plantio, evitando o crescimento
de invasoras no início do desenvolvimento das plantas
de batata-doce. |
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 8 Capina manual para manutenção
do canteiro de multiplicação livre de plantas
invasoras até 60 dias após o plantio das mudas
de batata-doce.
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Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 9 Antes da cobertura total do terreno
pelas ramas da batata-doce, as invasoras que vierem a se desenvolver
nos canteiros de multiplicação, podem ser eliminadas
por arranquio manual. |

Irrigação
Em regiões onde a precipitação é insuficiente
para atender a demanda de água ao crescimento e desenvolvimento
da planta e das batatas, ou ainda, precipitações mal
distribuídas, há necessidade de se utilizar a irrigação
(Figura 19). Em caso de ocorrência de estresse
hídrico, pode ocorrer redução na produção.
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 10 Processo de irrigação
dos canteiros de multiplicação, visando suprir
a carência de chuvas durante o início do estabelecimento
das plantas de batata-doce. |
Em épocas secas, as irrigações devem ser feitas
duas vezes por semana até os 20 dias e uma vez por semana,
dos 20 aos 40 dias. A partir desse período, pode ser realizada
uma irrigação em intervalos de 15 dias. O excesso
de água provoca desenvolvimento da parte aérea e diminuição
da produção de batatas.

Colheita
Como a batata-doce se constitui em uma raiz, na realidade, não
ocorre maturação, não resultando em modificações
drásticas na parte aérea das plantas. A colheita é
realizada quando as raízes estão no tamanho desejado,
normalmente entre 110 e 160 dias após o plantio, entre os
meses de fevereiro a março, podendo ser mecanizada ou manual
(Figura 20). Antes da colheita, deve-se cortar a rama com enxada,
retirando-se as raízes no mesmo dia ou no dia seguinte. As
batatas devem ficar expostas ao sol para secar por um período
entre 30 minutos e três horas, dependendo da temperatura do
dia. Posteriormente, são levadas para local abrigado, classificadas
por tamanho e armazenadas em caixas. Essas caixas devem ficar em
ambiente com temperatura amena, alta umidade relativa do ar e boa
aeração. A prática de lavagem da batata-doce
para armazenamento não é recomendada, porque prejudica
a conservação. O melhor método de limpeza constitui
na escovação para retirada da terra aderida.
A colheita é uma operação muito importante
e delicada. Os dois aspectos mais importantes a considerar são:
realizar a colheita de forma cuidadosa e identificação
correta das cultivares, impedindo que ocorram misturas. A experiência
local do agricultor é muito importante na forma de realizar
a colheita.
É importante que a colheita seja uma operação
muito bem programada. Deve ser enfatizado o manejo cuidadoso, evitando
golpes, batidas e feridas que poderão resultar em perdas
do produto.
Logo após a colheita, as raízes devem ser selecionadas
e classificadas (Figura 21). Chama-se seleção e classificação
ao ato de separar as raízes segundo forma, aspecto e dimensão.
Este processo pode-se iniciar na colheita, quando devem ser separadas
ou descartadas as raízes esverdeadas, manchadas, muito pequenas,
na chamada colheita seletiva. Entretanto, o galpão de classificação
é onde esta operação deve ser realizada de
forma adequada.
Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 11 Colheita de batata-doce obtidas de
plantas cultivadas em canteiros de multiplicação
a partir de mudas de alta sanidade.
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Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 12 Na colheita seletiva da batata-doce,
devem ser separadas ou descartadas as raízes esverdeadas,
manchadas e muito pequenas.
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