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A batata-doce pertence à família botânica Convolvulaceae,
gênero Ipomoea e espécie Ipomoea batatas (L.) Lam (Schultz,
1968). De acordo com Peixoto & Miranda (1984), teve origem na
América Tropical, sendo levada para a Europa pelos portugueses
e espanhóis, difundindo-se, posteriormente, para os demais
continentes, sendo cultivadas em todas as zonas tropicais e temperadas.
Vários fatores são limitantes da produção
na cultura da batata-doce. Segundo Garcia et al. (1989), várias
causas podem ser apontadas como responsáveis pela baixa produtividade
das lavouras. Estes autores salientam que, sob a alegação
de ser um cultivo rústico e pouco exigente, são raros
os investimentos e uso de tecnologias. Entre eles, inclui fundamentalmente,
o processo de multiplicação vegetativa, através
de ramas e raízes, o qual favorece a disseminação
de doenças, principalmente viroses. Para Bouwkamp (1985)
praticamente todas as cultivares de batata-doce plantadas no Sul
do Brasil estavam infectadas por um ou mais vírus, apresentando
sintomas que correspondiam a vários tipos de cloroses foliares,
malformação de folhas e diminuição do
crescimento. Segundo Frison e NG (1981), algumas vezes a infecção
pode ser latente, não apresentando sintomas visíveis
na planta. Pozzer et al. (1992), realizaram testes de competição,
utilizando plantas livres de vírus e plantas comuns, mostrando
ganhos de 108 e 126% em relação ao número e
peso de raízes comerciais, respectivamente. Segundo Pozzer
et al. (1994), plantas livres de vírus de primeiro ciclo
apresentam ganhos de produtividade superiores a 50% em relação
as plantas de segundo ciclo e materiais comuns. A maneira mais segura
de eliminação desses patógenos
consiste na utilização de técnicas de cultura
de tecidos e testes de indexação de mudas. O conhecimento
das viroses que infectam as lavouras, assim como sua eliminação
através de técnicas de cultura de meristemas é
importante na implantação de programas de produção
de mudas básicas e certificadas.
Neste sentido, há necessidade de disponibilizar aos produtores
regionais, material propagativo de alta
sanidade, a custo acessível. O processo consta de quatro
etapas básicas.
A primeira etapa exige a estrutura de laboratórios especializados
em técnicas de cultura de tecidos, limitando o processo a
algumas entidades de pesquisa, como por exemplo a Embrapa Clima
Temperado ou a alguns laboratórios de empresas privadas.
A segunda etapa do processo está relacionada a multiplicação
das plantas produzidas em laboratório. Esta etapa é
realizada sob condições controladas de casa de vegetação
ou estufa plástica. Deve ser desenvolvida por produtores
que se dediquem especificamente a comercialização
de mudas matrizes, abastecendo
aos produtores que possuem lavouras comerciais de batata-doce, com
mudas de elevados padrões técnicos, principalmente
no que se refere à sanidade e idoneidade genética.
Devido ao custo das mudas matrizes,
impedindo a aquisição de quantidades espressivas para
plantios extensivos (20 a 30 mil mudas por hectare), recomenda-se
que o produtor comercial de batata-doce realize a terceira e quarta
etapas, ou seja, cultive as mudas matrizes
adquiridas, em conteiros de multiplicação (terceira
etapa), produzindo batatas com elevados padrões fitossanitários,
que fornecerão as ramas e mudas altamente produtivas utilizadas
para plantio comercial (quarta etapa).
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