Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 10
ISSN 1806-9207 - Versão Eletrônica
Novembro/2007
Sistema de Produção da Batata-Doce
Luis Antonio Suita de Castro

Importância
Introdução

Características gerais

Cultura de tecidos e indexagem

Multiplicação de mudas
Canteiros de multiplicação e plantio comercial
Procedimentos básicos

Plantio comercial de batata-doce
Referências
Glossário

Expediente 

Características gerais


A batata-doce pertence à família botânica Convolvulaceae, gênero Ipomoea e espécie Ipomoea batatas (L.) Lam (Schultz, 1968). De acordo com Peixoto & Miranda (1984), teve origem na América Tropical, sendo levada para a Europa pelos portugueses e espanhóis, difundindo-se, posteriormente, para os demais continentes, sendo cultivadas em todas as zonas tropicais e temperadas.
Vários fatores são limitantes da produção na cultura da batata-doce. Segundo Garcia et al. (1989), várias causas podem ser apontadas como responsáveis pela baixa produtividade das lavouras. Estes autores salientam que, sob a alegação de ser um cultivo rústico e pouco exigente, são raros os investimentos e uso de tecnologias. Entre eles, inclui fundamentalmente, o processo de multiplicação vegetativa, através de ramas e raízes, o qual favorece a disseminação de doenças, principalmente viroses. Para Bouwkamp (1985) praticamente todas as cultivares de batata-doce plantadas no Sul do Brasil estavam infectadas por um ou mais vírus, apresentando sintomas que correspondiam a vários tipos de cloroses foliares, malformação de folhas e diminuição do crescimento. Segundo Frison e NG (1981), algumas vezes a infecção pode ser latente, não apresentando sintomas visíveis na planta. Pozzer et al. (1992), realizaram testes de competição, utilizando plantas livres de vírus e plantas comuns, mostrando ganhos de 108 e 126% em relação ao número e peso de raízes comerciais, respectivamente. Segundo Pozzer et al. (1994), plantas livres de vírus de primeiro ciclo apresentam ganhos de produtividade superiores a 50% em relação as plantas de segundo ciclo e materiais comuns. A maneira mais segura de eliminação desses patógenos consiste na utilização de técnicas de cultura de tecidos e testes de indexação de mudas. O conhecimento das viroses que infectam as lavouras, assim como sua eliminação através de técnicas de cultura de meristemas é importante na implantação de programas de produção de mudas básicas e certificadas.
Neste sentido, há necessidade de disponibilizar aos produtores regionais, material propagativo de alta sanidade, a custo acessível. O processo consta de quatro etapas básicas.
A primeira etapa exige a estrutura de laboratórios especializados em técnicas de cultura de tecidos, limitando o processo a algumas entidades de pesquisa, como por exemplo a Embrapa Clima Temperado ou a alguns laboratórios de empresas privadas.
A segunda etapa do processo está relacionada a multiplicação das plantas produzidas em laboratório. Esta etapa é realizada sob condições controladas de casa de vegetação ou estufa plástica. Deve ser desenvolvida por produtores que se dediquem especificamente a comercialização de mudas matrizes, abastecendo aos produtores que possuem lavouras comerciais de batata-doce, com mudas de elevados padrões técnicos, principalmente no que se refere à sanidade e idoneidade genética.
Devido ao custo das mudas matrizes, impedindo a aquisição de quantidades espressivas para plantios extensivos (20 a 30 mil mudas por hectare), recomenda-se que o produtor comercial de batata-doce realize a terceira e quarta etapas, ou seja, cultive as mudas matrizes adquiridas, em conteiros de multiplicação (terceira etapa), produzindo batatas com elevados padrões fitossanitários, que fornecerão as ramas e mudas altamente produtivas utilizadas para plantio comercial (quarta etapa).

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