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Processo de cultura de
tecidos
A cultura de tecidos vegetais nada mais é do que o cultivo
in vitro de qualquer parte de uma planta, seja esta uma simples
célula, um tecido ou um órgão, sob condições
assépticas (Biondi & Thorpe, 1981). Esta técnica
está baseada no fato de que qualquer célula vegetal
contém toda a informação necessária
para regenerar uma planta completa através de processos de
diferenciação (Cocking, 1986). Na Embrapa Clima Temperado,
atividades nesta área são realizadas desde 1989 (Peters
et al., 1989).
Segundo Matthews et al. (1986), a micropropagação
permite obter um grande número de plantas, partindo-se de
um único indivíduo, em relativamente pouco tempo e
espaço. A limpeza clonal é uma técnica importante
quando se quer obter plantas isentas de enfermidades, principalmente
aquelas ocasionadas por viroses.
O cultivo in vitro consiste em retirar o tecido
meristemático isolado ou acompanhado de um ou dois primórdios
foliares, e mantê-lo em meio nutritivo apropriado até
que se desenvolva uma gema e, em
seguida, uma plântula
(Quak, 1977; Frison e NG, 1981). O meio mineral básico para
todas as etapas da cultura in vitro é o Murashige & Skoog
(1962), acrescido de 100 mg/L-1 de mio-inositol e 30g/L-1 de sacarose,
com pH ajustado para 5,8. O meio é distribuído em
frascos, seguindo-se a esterilização em autoclave
a 1,5 atm com 120°C por 20 minutos.
Os frascos contendo os tecidos em cultivo devem ser mantidos em
sala de incubação à temperatura de 25 ºC
durante o período claro, e 23°C no escuro, com regime
fotoperiódico de 16 horas de luz (4000 lux ) durante 30 dias.
Após o enraizamento (Figura 1), as plântulas
devem ser transplantadas para vasos contendo substrato comercial
desinfectado, para que venha a se desenvolver normalmente (Figura
2). A taxa de sobrevivência das plântulas
em casa de vegetação varia entre 85 e 95 %. O percentual
de sucesso deve-se, principalmente, ao vigor durante o desenvolvimento
inicial e à presença de um bom sistema radicular,
sendo um processo diretamente relacionado ao ajustamento do meio
de cultura e de reguladores de crescimento utilizados. Segundo Love
et al. (1987), a presença de pelo menos uma raiz forte é
essencial na transferência das plântulas
para o solo, além de um bom desenvolvimento da parte aérea.
A retirada das plântulas
de um ambiente artificial se constitui em um fator de estresse,
podendo ser atenuado com a utilização de técnicas
como alta umidade, solução nutritiva, ambiente estéril,
cuidados no manuseio e transplante. A cobertura dos vasos com plástico
transparente e com sombrite durante duas semanas, para manter a
umidade relativa alta e reduzir a luminosidade, proporciona crescimento
vigoroso após o transplante.
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 1 Frasco contendo plântulas
de batata-doce em desenvolvimento, em nível de laboratório.
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Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 2 Aclimatação das mudas
de batata-doce em condições controladas de casa
de vegetação. |

Testes de Indexação de Viroses
O processo de cultura de tecidos isoladamente não pemite
assegurar a ausência de organismos patogênicos nas plantas
obtidas. Há necessidade que as plantas sejam avaliadas por
meio da utilização de testes de indexação
de viroses. Os principais testes utilizados são o desenvolvimento
de sintomas característicos em plantas indicadoras ou o uso
de testes sorológicos.
As principais plantas indicadoras de viroses de batata-doce são
a Ipomoea nill (Figura 3A) e Ipomoea setosa (Figura 3B), que pertencem
à mesma família botânica da batata-doce. São
trepadeiras com folhas alternadas e que não possuem gavinhas,
o próprio caule apresenta movimentos rotatórios que
possibilitam seu enrolamento e fixação das hastes.
Apresentam flores grandes e vistosas, com simetria radial.
Fotos: Luis Antônio Suita de
Castro 
Fig. 3 Características da floração
das plantas indicadoras de viroses de batata-doce, Ipomoea nill
(A) e Ipomoea setosa (B). |
As plantas indicadoras são multiplicadas por sementes, em
vasos pequenos (capacidade de 750 gramas de solo úmido),
contendo substrato. Entre o décimo e décimo quarto
dia, atingem o desenvolvimento adequado, ou seja apresentam duas
a três folhas verdadeiras. A enxertia inicia com a realização
de um corte no sentido longitudinal da haste da planta
indicadora, junto à axila de uma das folhas cotiledonares,
tendo profundidade aproximada de 1,5 cm. A seguir é destacada
uma folha da planta de batata-doce a ser avaliada. O pecíolo
da folha é cortado, na forma de bizel, modelando-se ao formato
do corte realizado na planta indicadora
(Figura 4-A). O limbo foliar deve ser reduzido a 40%. A folha é
encaixada no corte e processa-se o amarrio utilizando-se Parafilm
ou plástico polietileno nº 8, para promover a soldadura
dos tecidos vegetais. Terminada a enxertia, as plantas deverão
receber cobertura com plástico transparente, para formação
de câmara úmida, durante 4 ou 5 dias, evitando a desidratação
do enxerto e favorecendo o pegamento. A cobertura com sombrite também
é necessária durante este período, para redução
da luminosidade (Figura 4-B). Após a retirada da cobertura
plástica e do sombrite, as plantas devem ser tutoradas, evitando-se
o entrelaçamento, bastante freqüente, devido ao hábito
natural da espécie e rápido crescimento sob condições
favoráveis de umidade e temperatura. O aparecimento de sintomas
ocorre em torno de 10 dias após a enxertia, podendo-se avaliar
as plantas até os 30 dias. Os sintomas geralmente se manifestam
através do clareamento de nervuras, clareamento entre nervuras,
manchas cloróticas, mosaicos
, mosqueados, deformações
foliares e nanismos. Freqüentemente esses sintomas apresentam-se
associados, permitindo fácil identificação
de plantas infectadas. Em alguns casos, a sintomatologia é
típica do vírus que está presente na planta,
como os sintomas causados pelo Sweet Potato Feathery Mottle Vírus
(SPFMV), em Ipomoea setosa, onde é possível observar
nítido clareamento de nervuras associado a deformações
foliares (Figura 5).
Fotos: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 4 Enxertia de um fragmento de folha de
batata-doce na indicadora Ipomoea setosa (A) e aspecto das plantas
indicado-ras enxertadas, durante o período de aclimatação
em casa de vegetação (B). |
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 5 Sintomas de Sweet Potato Feathery Mottle
Virus (SPFMV) em folhas da planta
indicadora Ipomoea setosa. |
Os testes sorológicos são mais rápidos e precisos,
porém apresentam custo e execução elevado.
Viroses como Sweet Potato Feathery Mottle Virus (SPFMV), Sweet Potato
Latent Virus (SPLV), Sweet Potato Mild Mottle Virus (SPMMV), Sweet
Potato Caulimolike Virus (SPCLV) e Sweet Potato Chlorotic Fleck
Virus (SPCFV) podem ser diagnosticados serologicamente com o uso
do teste Dot.ELISA (Pozzer et
al., 1994). O diagnóstico de algumas dessas viroses tem sido
realizado em laboratórios da Embrapa (Figura 6).
Foto: Luis Antônio
Suita de Castro 
Fig. 6 Teste
sorológico utilizado para detecção
de viroses. A cor amarela dos orifícios indica a presença
do patógeno. Reações
incolores indicam a sanidade da planta avaliada. |
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