Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 9
ISSN 1806-9207 - Versão Eletrônica
Novembro/2007
Sistema de Produção da Framboeseira
Autores
Sumário

Apresentação
Introdução

Aspectos gerais da cultura
Cultivares
Propagação
Produção de mudas certificadas de fruteiras
Produção de mudas certificadas de framboeseira

Considerações finais
Agradecimentos
Referências

Glossário

Expediente 

Cultivares


A maioria das cultivares de framboeseira são originárias de cruzamentos entre Rubus idaeus var. vulgatus Arrhen, originária da Europa, e R. idaeus var. strigosus Michx., originária da América do Norte e Ásia, tendo sido acrescentados genes das espécies R. occidentalis L., R. cockburnianus Hemls., R. biflorus Buch., R. kuntzeanus Hemls., R. parvifolius Hemls., R. pungens oldhamii (Mig.) Maxim., R. arcticus L., R. stellatus Sm. e R. odoratus L. (Daubeny, 1996).
No Brasil, as principais cultivares utilizadas são:

'Heritage': originária de Geneva, Estado de Nova York, Estados Unidos, resultante do cruzamento entre as cultivares (Milton x Cuthbert) e Durham, realizado na Universidade de Cornell, em 1969. Trata-se da cultivar de framboeseira de maior distribuição no mundo, tendo sido, por muitos anos, a principal cultivar dos Estados Unidos e, atualmente, a de maior área plantada no Chile. Por isso, tem sido utilizada como parental em vários programas de melhoramento. As plantas de 'Heritage' são de elevado porte (1,5 a 2,1 m), eretas e muito vigorosas, perfilhando com facilidade. A cultivar é suscetível ao afídeo vetor do vírus do mosaico da framboeseira. Os frutos são produzidos nas hastes primárias, sendo cônicos, de tamanho médio, vermelhos, firmes, de qualidade regular e maturação tardia, indicados para a comercialização tanto na forma in natura quanto congelada. A cultivar desenvolve-se adequadamente em diferentes tipos de solo, no entanto exige mais de 600 horas anuais de frio hibernal (< 7,2oC) para frutificação. Por essa razão, no Brasil, vem sendo cultivada somente nas regiões da Alta Mantiqueira (Campos do Jordão e Gonçalves), de Vacaria e de Caxias do Sul (Joublan et al., 2002; Plaza, 2003; Cornell University, 2006b; Raseira et al., 2004; Nourse, 2006).

'Autumn Bliss': originária de East Malling, Inglaterra, resultante de vários cruzamentos realizados em 1974, entre as espécies R. strigosus, R. arcticus e R. occidentalis, e as cultivares Malling Landmark, Malling Promise, Lloyd George, Pyne's Royal, BurAE?Enetholm e Norfolk Giant. Em geral, a 'Autumn Bliss' é mais produtiva e seus frutos são maiores e de melhor sabor do que os da cultivar Heritage, porém não são tão firmes. A produção ocorre nas hastes primárias, que são moderadamente numerosas e glabras, com muitos espinhos. A cultivar é menos exigente em horas de frio do que a 'Heritage', podendo ser cultivada em solos de média fertilidade, mas que apresentem boa drenagem. Trata-se de uma cultivar remontante, como a 'Heritage', porém de produção precoce, resistente a afídeos vetores do vírus do mosaico da framboeseira e suscetível ao vírus do nanismo arbustivo de Rubus. A 'Autumn Bliss' tem apresentado bom desempenho produtivo no Sul de Minas Gerais e na região de Caxias do Sul (Olmos, 2000; Joublan et al., 2002; Raseira et al., 2004; Michigan State University, 2006).

'Batum': planta com hábito de crescimento semelhante a 'Autumn Bliss'. Cultivar também do tipo remontante, com frutas de coloração vermelho e de formato oval. Apresenta baixa exigência em horas de frio, tendo apresentado boa adaptação no Sul de Minas Gerais (Raseira et al., 2004).

'Scepter': originária de College Park, Madison, Estados Unidos, resultante do cruzamento entre as cultivares September e Durham. As plantas são muito vigorosas, tolerantes a variações de temperatura durante o inverno. A frutificação ocorre nas hastes primárias, com produção de frutos grandes, de coloração vermelho-média e moderadamente macios (Raseira et al., 2004).

'Southland': originária de Raleigh, Carolina do Norte, Estados Unidos, resultante de cruzamento realizado em 1953, entre as seleções N.C. 237 e Md. S420-5. As plantas são vigorosas, multiplicam-se com facilidade e necessitam de solos férteis e de boa drenagem, em razão de serem sensíveis à asfixia das raízes. A cultivar é resistente à mancha da folha, oídio e mancha do caule. Apresenta baixa exigência em frio, tendo sido obtidas produções satisfatórias em regiões do País com cerca de 300 horas de frio. As frutas são de tamanho médio, de coloração vermelho-clAE?Eara, forma cônica, simétrica, firmes e de sabor levemente ácido (Raseira et al., 2004). Várias outras cultivares, de diferentes procedências, apresentam potencialidade de cultivo no Brasil, destacando-se a 'Tennessee Autumn', 'Tennessee Luscious' e a 'Tennessee Prolific', de Tennessee, Estados Unidos; 'Anita' e 'Gina', de Chapingo, México; 'Dormanred', de Mississipi, Estados Unidos; 'Dixie', de Raleigh, Estados Unidos; e 'Dinkum', da Austrália (Raseira et al., 2004). Nos países de clima temperado estão sendo conduzidos vários programas de melhoramento genético de framboeseira, tendo sido freqüente a disponibilização de novas cultivares. A grande maioria dessas cultivares está protegida por patentes, sendo necessário o pagamento de royaltes para o acesso dos produtores a esses materiais genéticos. Dentre essas cultivares, destacam-se: Amity, Anne, Cascade Bounty, Cascade Dawn, Cascade Delight, Caroline, Chemainus, Chilliwack, Chinook, Cowichan, Coho, Cumberland, Durham, Encore, Eskimalt, FallRed, Huron, Illini Hardy, Jaclyn, Kiwigold, Lauren, Malahat, Meeker, Moutere, Munger, Nectar, Prelude, Royalty, Ruby, Titan, Willamette, dentre outras (Cornell University, 2006a; Nourse, 2006).

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