|
A framboeseira (Rubus ideaus L.) é uma espécie do
grupo das pequenas frutas ainda pouco cultivada no Brasil, sendo
considerada uma alternativa de renda, principalmente para a pequena
propriedade familiar das regiões de clima temperado. Trata-se
de uma cultura de baixo custo de implantação, grande
demanda por mão-de-obra, facilmente conduzida em sistema
orgânico de produção e que apresenta alta rentabilidade
por hectare (Poltronieri, 2003).
A produção de framboesa
pode ser destinada tanto ao mercado de frutas frescas quanto à
fabricação de polpa congelada, purês, conservas,
geléias, sucos e concentrados para sorvetes e iogurtes (Vendrúsculo,
2004). O mercado nacional e internacional encontra-se em expansão,
motivado pelas propriedades nutracêuticas dessa fruta, que
se enquadra no grupo dos alimentos funcionais, ou seja, aqueles
que, além de nutrir, têm ação comprovada
na prevenção e/ou na cura de doenças. Segundo
Salgado (2003), a framboesa
é rica em vitamina C, betacaroteno e compostos fenólicos.
Dentre os compostos fenólicos presentes, destacam-se os flavonóides,
os quais se ligam a açúcares, formando complexos chamados
de glicosídeos, que apresentam ação antioxidante,
anticancerígena e antiinflamatória, além de
atuarem como retardadores do envelhecimento.
A produção mundial de framboesa
é de aproximadamente 415 mil toneladas, sendo a Rússia
o maior produtor, seguida pela Sérvia, Montenegro, Estados
Unidos e Polônia (University of Georgia, 2006). Na América
Latina, segundo Plaza (2003), o Chile se destaca, com produção
anual de 30 mil toneladas, cultivadas em cerca de 5.000 hectares,
possuindo alta tecnologia de produção e logística
de exportação para os principais mercados mundiais.
Nos últimos anos, os plantios de framboeseira têm aumentando
significativamente na Argentina e no Uruguai.
A produção de framboesa
no Brasil iniciou-se com a chegada dos imigrantes alemães,
que a cultivavam nos quintais de suas colônias, visando consumo
familiar (Pagot, 2004). A produção comercial ocorreu
pela primeira vez em Campos do Jordão, Estado de São
Paulo, com o intuito de abastecer pequenas agroindústrias
locais. Mais tarde, foram realizados plantios nas regiões
de Vacaria e de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e no Sul de
Minas Gerais (Pagot, 2004). Não existem dados precisos e
atuais sobre a cultura da framboeseira no Brasil, porém,
com base nos divulgados por Pagot & Hoffmann (2003) e pelo IBGE
(2006), estima-se que a área plantada seja de aproximadamente
50 ha, com produção anual de 150 toneladas e receita
direta de 500 mil reais. O mercado interno, assim como o internacional,
tem se expandido nos últimos anos, sendo freqüentes
as importações de frutos de framboesa,
principalmente do Chile, na forma congelada, para abastecimento
das indústrias brasileiras.
Os principais fatores limitantes à expansão da cultura
da framboeseira no Brasil referem-se à sensibilidade da planta
e dos frutos à alta pluviometria
e à alta umidade relativa do ar, alta suscetibilidade a fungos
e a viroses, e exigência de frio
hibernal para frutificação (Pagot & Hoffmann,
2003; Infoagro, 2006). Esses fatores restringem a área produtora
a regiões de altitude elevada nos Estados do Rio Grande do
Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
As produtividades dos plantios de framboeseira no País são
extremamente variáveis, sendo as maiores obtidas na região
de Vacaria (5,6 t ha-1) (Emater, 2004). No entanto, segundo Plaza
(2003), a produção de um pomar adequadamente manejado
pode chegar a 16 t ha-1. Esses dados demonstram a necessidade de
se aperfeiçoar o sistema de produção adotado
no País, o que somente será possível mediante
a realização de pesquisas nas áreas de seleção
e melhoramento genético, otimização do sistema
de produção de mudas e manejo fitotécnico da
cultura.
|