Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 9
ISSN 1806-9207 - Versão Eletrônica
Novembro/2007
Sistema de Produção da Framboeseira
Autores

Sumário

Apresentação
Introdução

Aspectos gerais da cultura
Cultivares
Propagação
Produção de mudas certificadas de fruteiras
Produção de mudas certificadas de framboeseira

Considerações finais
Agradecimentos
Referências

Glossário

Expediente 

Introdução


A framboeseira (Rubus ideaus L.) é uma espécie do grupo das pequenas frutas ainda pouco cultivada no Brasil, sendo considerada uma alternativa de renda, principalmente para a pequena propriedade familiar das regiões de clima temperado. Trata-se de uma cultura de baixo custo de implantação, grande demanda por mão-de-obra, facilmente conduzida em sistema orgânico de produção e que apresenta alta rentabilidade por hectare (Poltronieri, 2003).
A produção de framboesa pode ser destinada tanto ao mercado de frutas frescas quanto à fabricação de polpa congelada, purês, conservas, geléias, sucos e concentrados para sorvetes e iogurtes (Vendrúsculo, 2004). O mercado nacional e internacional encontra-se em expansão, motivado pelas propriedades nutracêuticas dessa fruta, que se enquadra no grupo dos alimentos funcionais, ou seja, aqueles que, além de nutrir, têm ação comprovada na prevenção e/ou na cura de doenças. Segundo Salgado (2003), a framboesa é rica em vitamina C, betacaroteno e compostos fenólicos. Dentre os compostos fenólicos presentes, destacam-se os flavonóides, os quais se ligam a açúcares, formando complexos chamados de glicosídeos, que apresentam ação antioxidante, anticancerígena e antiinflamatória, além de atuarem como retardadores do envelhecimento.
A produção mundial de framboesa é de aproximadamente 415 mil toneladas, sendo a Rússia o maior produtor, seguida pela Sérvia, Montenegro, Estados Unidos e Polônia (University of Georgia, 2006). Na América Latina, segundo Plaza (2003), o Chile se destaca, com produção anual de 30 mil toneladas, cultivadas em cerca de 5.000 hectares, possuindo alta tecnologia de produção e logística de exportação para os principais mercados mundiais. Nos últimos anos, os plantios de framboeseira têm aumentando significativamente na Argentina e no Uruguai.
A produção de framboesa no Brasil iniciou-se com a chegada dos imigrantes alemães, que a cultivavam nos quintais de suas colônias, visando consumo familiar (Pagot, 2004). A produção comercial ocorreu pela primeira vez em Campos do Jordão, Estado de São Paulo, com o intuito de abastecer pequenas agroindústrias locais. Mais tarde, foram realizados plantios nas regiões de Vacaria e de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e no Sul de Minas Gerais (Pagot, 2004). Não existem dados precisos e atuais sobre a cultura da framboeseira no Brasil, porém, com base nos divulgados por Pagot & Hoffmann (2003) e pelo IBGE (2006), estima-se que a área plantada seja de aproximadamente 50 ha, com produção anual de 150 toneladas e receita direta de 500 mil reais. O mercado interno, assim como o internacional, tem se expandido nos últimos anos, sendo freqüentes as importações de frutos de framboesa, principalmente do Chile, na forma congelada, para abastecimento das indústrias brasileiras.
Os principais fatores limitantes à expansão da cultura da framboeseira no Brasil referem-se à sensibilidade da planta e dos frutos à alta pluviometria e à alta umidade relativa do ar, alta suscetibilidade a fungos e a viroses, e exigência de frio hibernal para frutificação (Pagot & Hoffmann, 2003; Infoagro, 2006). Esses fatores restringem a área produtora a regiões de altitude elevada nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
As produtividades dos plantios de framboeseira no País são extremamente variáveis, sendo as maiores obtidas na região de Vacaria (5,6 t ha-1) (Emater, 2004). No entanto, segundo Plaza (2003), a produção de um pomar adequadamente manejado pode chegar a 16 t ha-1. Esses dados demonstram a necessidade de se aperfeiçoar o sistema de produção adotado no País, o que somente será possível mediante a realização de pesquisas nas áreas de seleção e melhoramento genético, otimização do sistema de produção de mudas e manejo fitotécnico da cultura.

 

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