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O primeiro ponto a ser observado para implantação de um pomar são as condições climáticas, ou seja, o acumulo de frio hibernal, a radiação, a precipitação pluvial e a ocorrência de ventos fortes e granizo. Cada um desses parâmetros influi, diferentemente, segundo a fase vegetativa ou hibernal.
Durante a fase vegetativa
Temperatura: O pêssego, geralmente, atinge melhor qualidade em áreas onde as temperaturas no verão, (principalmente, próximo à colheita) são relativamente altas durante o dia e amenas no período noturno. Essas condições propiciam aumento do teor de açúcares e melhoria da coloração. Muitas cultivares tornam-se adstringentes quando se desenvolvem sob condições de verões frescos, as quais, geralmente, ocorrem em áreas de maior altitude.
Radiação solar: Busca-se cultivar o pessegueiro em regiões com boa intensidade de luz, o que proporciona aumento na atividade fotossintética da planta, influindo na quantidade e qualidade da produção, esta última principalmente no que diz respeito à coloração da fruta. O excesso de luz, entretanto, pode ser prejudicial, por provocar, pela insolação, danos ao tronco e às pernadas.
Necessidade hídrica: Para que se obtenha uma alta produtividade, com frutos de qualidade superior, o pessegueiro requer, durante a primavera e o verão, um adequado suprimento de água. Estima-se que a necessidade da planta esteja entre 70% e 100% da ETP (evapotranspiração potencial), obtida a partir de dados meteorológicos, variável com seu estádio de desenvolvimento. A planta deve possuir um sistema radicular profundo, para suportar curtos períodos de seca. Secas prolongadas, principalmente no fim da primavera e início do verão, antes da colheita, trazem considerável prejuízo à cultura. A irrigação, nesse caso, torna-se imprescindível. Em áreas onde haja ausência total de chuvas de verão, o cultivo do pessegueiro pode ser viabilizado pelo uso de irrigação, ocorrendo, nessas condições, menores riscos de prejuízos causados por pragas e doenças.
O desenvolvimento do fruto apresenta uma curva dupla sigmoide, ou seja ocorre um aumento de tamanho rápido, logo após o final da floração, seguido por uma segunda fase de desenvolvimento lento. A terceira fase, que antecede a maturação, o crescimento volta a ser rápido. É nas duas fases de crescimento rápido que a planta mais necessita de água. Outra fase importante com relação à disponibilidade de água é após a colheita, na fase de diferenciação das gemas de flor.
Ventos: Ventos fortes são, também, prejudiciais, pois causam danos mecânicos, dilacerando as folhas e contribuindo para a propagação de doenças, principalmente bacterianas. A tendência de árvores jovens crescerem para um só lado, oposto ao do vento predominante, alterando o centro de gravidade da planta, pode trazer prejuízos pela quebra das pernadas, particularmente em anos de grande produção. Ventos frios são, também, prejudiciais, pois podem causar danos semelhantes aos das geadas.
Recomenda-se a utilização de quebra-ventos, instalando-os, perpendicularmente, às orientações de maior predominância dos ventos. Deve-se deixar uma distância das primeiras plantas, para evitar sombreamento, quando o mesmo for instalado na posição norte.

Fase de repouso
As condições climáticas reinantes durante a fase de repouso, na qual as espécies frutíferas de clima temperado, cessam o crescimento, tem grande influencia na produção no ciclo seguinte. O frio é classificado como o parâmetro de maior importância, tanto para eliminar a dormência, como após a floração. Exigência em frio: Para completar sua formação, as gemas floríferas e vegetativas do pessegueiro devem atravessar um período de repouso, convencionalmente medido pelo número de horas de frio inferiores a 7,2°C . Este dado é, geralmente, obtido a partir de termógrafos instalados em estações agrometeorológicas.
Quando as necessidades de frio não são satisfeitas, ocorre um florescimento e brotação desuniformes e insuficientes, conduzindo a planta a um fenômeno conhecido por "erratismo".
A influência da luminosidade e a variação brusca de temperatura intervêm em escala menor. Durante esse período, sucedem-se transformações hormonais, que culminam na completa evolução das gemas e no estímulo à planta a iniciar um novo ciclo vegetativo.
A grande maioria das cultivares de pessegueiro, em regiões de clima temperado, requer de 600 a 1000 horas de frio (abaixo de 7,2ºC) para florescer e enfolhar normalmente. São conhecidas, entretanto, cultivares que necessitam de menos de 100 horas de frio, como as criadas pelo Instituto Agronômico de Campinas,SP.
As baixas temperaturas (£0ºC), durante o inchamento das gemas, na floração, ou na primeira fase de desenvolvimento do fruto, constituem um dos sérios problemas do cultivo do pessegueiro. O frio persistente durante a floração poderá causar distúrbios graves à polinização, ao processo de desenvolvimento do tubo polínico e à fusão dos núcleos.
Como foi enfatizado, a temperatura é o mais importante fator climático, afetando a distribuição das cultivares. O homem tem pouco controle sobre ela e, por essa razão, é prudente escolher-se, cuidadosamente, o local de cultivo. Um aumento da latitude, da altitude ou da continentalidade pode resultar em menores temperaturas. É conveniente consultarem-se, na região, todos os segmentos envolvidos no cultivo de espécies frutíferas e os dados meteorológicos disponíveis sobre freqüência de geadas, e informar-se sobre temperaturas extremas, freqüência de secas, precipitações, granizo e ventos.
Topografia
É importante selecionar-se um local com elevação favorável e bem exposto ao sol. Áreas onduladas ou encostas com declive não muito acentuado são as mais convenientes. As margens dos arroios e rios, o fundo dos vales e áreas baixas, por estarem sujeitos a geadas, são desaconselháveis. É necessário que o ar frio seja drenado através do pomar em direção aos pontos localizados em níveis mais baixos. As últimas fileiras de árvores não devem ser plantadas a menos de 20 m de desnível da base da elevação. Uma diferença de nível de 50 a 100 m pode significar uma variação de 2°C a 6°C. Na proximidade de bosques ou matas, é recomendável manter-se, também, um desnível de até 20 m, dependendo da altura das árvores. Os bosques tendem a reduzir o movimento do ar frio, contendo-o e fazendo-o acumular-se.
Embora seja desejável a localização do pomar em sítio elevado para se assegurar boa drenagem do ar, o topo das elevações, em geral, sofre maior incidência de ventos e é menos fértil.
A direção da elevação pode ter efeito sobre a frutificação caso interfira na proteção contra os ventos predominantes. Deve-se escolher um local abrigado para se assegurar proteção contra danos mecânicos, contra o frio e incidência de doenças bacterianas.
Adversidades Climáticas
Entre os fenômenos climáticos que causam danos à produção, merecem destaque as geadas, os ventos fortes, as secas e o granizo.
Geadas: Existem dois tipos de geadas: a geada branca, que se caracteriza pela formação de gelo, na superfície vegetal e as geadas negras. Esta última, ocorre, sem que se observe a presença, externa de gelo. O congelamento se dá, nas partes intercelulares, no interior de tecido. A formação ocorre em noites frias, com presença de vento.
O controle consiste em se reduzir a concentração do frio na área a ser protegida. Existem vários métodos que vêm sendo empregados, como nebulização, aquecimento, ventilação da atmosfera e irrigação por aspersão das plantas.
A nebulização artificial da atmosfera teve grande utilização, no Brasil, em lavouras de café, no Paraná e São Paulo. Baseia-se no princípio de se evitar a perda da radiação, que ocorre durante a noite, pela formação de uma camada de neblina, formando uma zona de inversão, na atmosfera. É usada, principalmente, contra geadas de radiação, quando a atmosfera mantém-se absolutamente calma e límpida, possibilitando o acamamento do ar frio sobre os terrenos mais baixos. A neblina pode ser gerada por aparelhos nebulizadores ou por um gerador modelo IAC-7, adaptado ao escape de motores a explosão, e pela queima de misturas geradoras de neblina, como a serragem salitrada.
As geadas negras ou de vento têm características diferentes, uma vez que não provocam formação de gelo nas partes externas da planta e podem causar o congelamento dos tecidos internos, sendo de difícil controle.
De acordo
com a cultivar e a região, o pessegueiro floresce de
junho a setembro, em um período quando as ondas de frio,
que se seguem às frentes frias, são muito freqüentes.
As partes da flor mais sensíveis às baixas temperaturas
são o pistilo e as anteras.
Em geral, a flor, na fase de botão rosa, pode resistir
até -3,9°C; quando aberta, até -2,5°C;
e o fruto recém formado, até -1,6°C.
Ventos: Os ventos fortes podem causar grandes prejuízos às plantas de pessegueiro na fase vegetativa. Com relação aos problemas fisiológicos,, o efeito de ventos é indireto, pois induz o fechamento dos estômatos, reduzindo a atividade fotossintética e o crescimento, além de poder causar estresse hídrico pelo aumento da demanda evaporativa.
Pomares expostos a ventos são suscetíveis, durante a fase inicial de vegetação, ao ataque de doenças bacterianas.
Estresse hídrico: Em regiões onde a precipitação é insuficiente para atender a demanda de água ao crescimento e desenvolvimento da planta e do fruto, ou, ainda, precipitações mal distribuídas, há necessidade de se utilizar a irrigação. Em caso de ocorrência de estresse hídrico, pode ocorrer redução na produção. O estresse pode, ainda, causar prejuizo na produção do ano seguinte, influindo na diferenciação floral. O pessegueiro necessita de uma lâmina de água de cerca de 600 mm para completar o ciclo.
Granizo: A ocorrência de granizo é outro fenômeno de difícil controle, pois até o momento os método em que se utilizam foguetes não têm apresentado resultados, comprovadamente capazes de reduzir os danos. Existem regiões onde a ocorrência desse fenômeno tem maior probabilidade. Nesse caso, a utilização de telas plásticas, embora aumentem o custo de produção, pode se constituir num método de controle eficiente. |