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Introdução
Entre os fatores que apresentam potencial para reduzir a rentabilidade da cultura do arroz irrigado por submersão, típica do Rio Grande do Sul, destaca-se o ataque de determinadas pragas, como insetos, moluscos e pássaros (SOCIEDADE SUL-BRASILEIRA DE ARROZ IRRIGADO, 2007), independentemente do sistema de produção ser tradicional ou orgânico. Associados à ocorrência de insetos-pragas e moluscos ainda existe o risco de impacto ambiental negativo, decorrente do crescente uso irracional de produtos químicos utilizados para o controle, principalmente, em sistemas de produção tradicional.
Em ambos os sistemas de produção de arroz (tradicional e orgânico), o sistema de cultivo é um dos fatores que mais exerce efeito sobre o nível de dano das pragas. As principais diferenças são detectadas entre lavouras implantadas em solo seco com posterior inundação (convencional, cultivo mínimo e plantio direto) e lavouras de arroz pré-germinado, havendo tendência dessas últimas serem as mais prejudicadas.
Os insetos-praga e os pássaros ocorrem em qualquer sistema de cultivo de arroz. Os moluscos são mais restritos ao arroz pré-germinado. Em qualquer sistema de cultivo, porém, é um conjunto de espécies de insetos-pragas que pode causar as mais elevadas perdas de produtividade.

Insetos – Praga
Além do sistema cultivo de arroz irrigado, mudanças na época de semeadura, no manejo da água de irrigação, na adubação nitrogenada e de cultivares, podem reduzir sensivelmente a densidade populacional de insetos-praga (MARTINS et al., 2004b). Em certas circunstâncias, porém, essas mudanças não são suficientes para evitar níveis de infestação economicamente prejudiciais à cultura, situação que em sistemas tradicionais de produção poderia ser contornada via aplicação de inseticidas químicos sintéticos.
No sistema de produção orgânico de arroz (segundo a Instrução Normativa Nº. 64, de 18 de dezembro de 2008 do MAPA), porém, é permito utilizar apenas produtos químicos não sintéticos, inseticidas de origem vegetal (preparados fitoterápicos), formulações de agentes biológicos (vírus, fungos e bactérias), semioquímicos, entre outros. Como esses, geralmente, apresentam menor poder e velocidade de controle de insetos-praga, comparado aos inseticidas químicos sintéticos, torna-se necessário adotar alternativas que maximizem seus efeitos, destacando-se interferências em práticas do manejo da cultura do arroz, de modo a favorecer as plantas de arroz e desfavorecer aos insetos-praga. Assim sendo, são relacionados, a seguir, os principais insetos-praga do arroz irrigado, sua época, frequência anual de ocorrência (aguda ou crônica)1, e alternativas para (aguda ou crônica)1, e alternativas para controle compatíveis com o sistema de produção orgânico (Tabela 1).

Insetos-praga da fase de pré-perfilhamento
Corresponde a insetos que danificam sementes, raízes e a base de plantas arroz, no interior do solo (pragas subterrâneas) ou rente ao solo (pragas de superfície) e insetos que atacam as folhas de plantas novas (plântulas), antes do perfilhamento, portanto, antes da inundação dos arrozais instalados em solo seco. Destacam-se o cascudo-preto (Euetheola humilis), o pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale), a pulga-do-arroz (Chaetocnema sp.) e a lagarta-da-folha (Spodoptera frugiperda).
O cascudo-preto é uma praga aguda que tradicionalmente ocorre na forma de surtos (“enxames de insetos adultos”), podendo atingir até 60% da área dos arrozais e destruir grande quantidade de plantas de arroz (Figura 1) ao cortar suas raízes (MARTINS et al., 2006). O cascudo-preto também pode ocorrer em época próxima à da colheita do arroz. Nessa fase, ao cortar as raízes, induz ao tombamento das plantas, e, por conseguinte, dificulta a colheita mecanizada. Torna-se importante, portanto, disponibilizar alternativas de prevenção ao ataque do inseto, também na fase reprodutiva da cultura, quando a possibilidade de recuperação das plantas danificadas é mínima.
O pulgão-da-raiz é uma praga crônica, que ao sugar as raízes de arroz provoca uma toxemia nas plantas levando-as a um elevado grau de definhamento ou à morte (Figura 2). Ocorre principalmente na forma de focos em áreas dos arrozais onde o solo não foi devidamente preparado (destorroado), condição que facilita o seu acesso às raízes, formando colônias. Essa condição pode ser a causa dos danos mais severos ocorrerem às plantas de arroz sobre as taipas de lavouras implantadas em terrenos inclinados, onde o solo, não raramente, é pedregoso e tende a manter-se mais estruturado.
A pulga-do-arroz é uma praga aguda que ocorre na forma de surtos de adultos, danificando as plantas de arroz, desde a emergência ao início do perfilhamento (Figura 3). Populações elevadas podem atrasar o crescimento ou provocar a morte das plantas, induzindo muitas vezes a necessidade de replantio de áreas extensas de lavoura.
A lagarta-da-folha é uma praga aguda, que ocorre na forma de surtos, cortando os colmos de plantas novas de arroz rente ao solo (Figura 4), podendo destruir rapidamente grande parte dos arrozais; em fases adiantadas da cultura pode desfolhar as plantas, estendendo-se o ataque até a fase de emissão das panículas. Atenção especial deve ser dispensada a arrozais infestados com capim-arroz (Echinochloa spp.), onde a incidência do inseto é maior, e a arrozais próximos a lavouras de milho e sorgo.

Medidas de controle geral
Em sistemas de produção orgânica de arroz, a alternativa mais recomendável para o controle de todos os insetos-pragas que ocorrem na fase de pré-perfilhamento das plantas, consiste da inundação antecipada das partes infestadas ou da área total da lavoura. Para tal, a partir de 10 dias pós-emergência do arroz, estabelecer uma lâmina de água (temporária) de ± 5 cm de espessura, mantendo-a sobre o solo por um maior período possível, desde que não cause prejuízos fisiológicos às plantas de arroz. Dois tipos de efeito são detectados: morte de insetos por afogamento e consumo por aves aquáticas, daqueles que emergem e flutuam na superfície da lâmina de água. A principal vantagem consiste do fato das quatro espécies de inseto serem eliminadas simultaneamente, mesmo se apenas alguma tenha atingido o nível populacional de controle econômico (NCE).
É importante, porém, alertar que a antecipação da inundação pode induzir um crescimento mais rápido de plantas daninhas, devendo os orizicultores atentarem a esse aspecto.
Salienta-se que a recomendação de utilizar a inundação temporária dos arrozais para controle dos quatro insetos-pragas de solo, da fase pré-perfilhamento das plantas de arroz, antes citados, pode ser respaldada pelo fato de que em cultivos de arroz pré-germinado, tais insetos dificilmente se constituem em problema, em decorrência da semeadura ser realizada em solo já encharcado, com predominância de aumento paulatino na lâmina de água.

Medidas de controle específicas
Para o controle do cascudo-preto, mesmo depois de estabelecido nos arrozais (tanto na fase de pré-perfilhamento como na fase reprodutiva da cultura), há ainda a alternativa de instalar armadilhas luminosas (MARTINS et al., 2006), no entorno, sobre cursos de água (arroios; rios), açudes, lagos, barragens, entre outros, visando atrair e eliminar os insetos, por meio de métodos mecânicos e físicos.
Tratando-se da lagarta-da-folha, é possível obter controle por meio de dois métodos: 1) uso combinado de armadilhas luminosas e feromônios sexual para atrair e eliminar insetos, em determinadas partes às margens dos arrozais; 2) aplicação de inseticidas biológicos como o Dipel WP (400 a 600 g ha-1), base de Bacillus thuringiensis Kurstaki, linhagem HD-I 16000 UIP/mg (COMPÊNDIO…, 2008).

Insetos-praga da fase vegetativa
Engloba insetos que atacam raízes, folhas e colmos de arroz. Insetos como o percevejo-do-colmo (Tibraca limbativentris) e a broca-do-colmo (Diatraea saccharalis), que ocorrem na fase vegetativa das plantas, mas também na fase reprodutiva, quando se tornam mais prejudiciais, são enquadrados como dessa última fase. Assim sendo, é o gorgulho-aquático (Oryzophagus oryzae) o inseto mais importante na fase vegetativa.
O gorgulho-aquático é uma praga crônica, restrita a áreas de arroz irrigado por inundação (MARTINS; PRANDO, 2004). Apesar do inseto adulto (gorgulho-aquático) destruir plântulas (FERREIRA LIMA, 1951), principalmente de arroz pré-germinado, são as larvas (bicheira-da-raiz), na condição de praga de solo (subterrânea e submersa), que ao cortarem as raízes (Figura 4), podem causar reduções de 10 a 18% na produtividade.
Como O. oryzae é um inseto aquático, o manejo da água usada para inundação dos arrozais exerce elevada influência sobre a dinâmica da sua população e consequentemente sobre os danos que causa à cultura. Nesse contexto, o manejo da água praticado em cultivos de arroz pré-germinado (solo encharcado para semeadura) é altamente favorável às infestações do gorgulho-aquático, ao contrário do efeito deletério que exerce sobre as pragas de solo não aquáticas (MARTINS; PRANDO, 2004).

Medidas de controle
Práticas culturais da lavoura de arroz, ou alterações dessas, relacionadas ao manejo da água de irrigação (aplainamento do solo; retirada temporária da água), interferem negativamente na dinâmica populacional do gorgulho-aquático e podem ser utilizadas direta ou indiretamente como medidas de controle, desde que compatíveis com a obtenção de níveis desejáveis de produtividade.
O aplainamento do solo, ao eliminar as depressões do terreno, reduz a probabilidade de formação de pontos com maior profundidade da água de irrigação (”bacias”), onde o inseto tende a se concentrar (MARTINS, 1979). Com menor variação da espessura da lâmina de água, ocorre uma distribuição mais uniforme da população do inseto nos arrozais, consequentemente, há uma redução da densidade futura de larvas por unidade de área, condição menos prejudicial às plantas (MARTINS et al., 1997).
A retirada temporária da água dos arrozais (drenagem) tem sido preconizada como reducionista dos danos causados por larvas do gorgulho-aquático Lissorhoptrus oryzophilus (THOMPSON et al., 1994). Estudo recente do efeito dessa prática sobre O. oryzae indicou que a eliminação da lâmina de água, mantendo o solo descoberto, durante 10 dias reduziu em 53% e 64% a população de larval e de adultos, respectivamente e não provocou perdas de produtividade (MARTINS et al., 2009).
O retardamento da inundação de arrozais implantados via semeadura em solo seco (conhecido nos Estados Unidos da América por “Delay flood” ) é visto como promissor para reduzir os prejuízos causados por L. oryzophilus. Baseia-se no princípio de que a oviposição em plantas de arroz apenas ocorre em condições submersas. A estratégia é expor as plantas ao inseto somente quando estiverem mais desenvolvidas e, portanto, potencialmente mais tolerantes ao dano das larvas. Exige, porém, manejo diferenciado de plantas daninhas cuja infestação é favorecida pela ausência de lâmina de água. Os ganhos de produtividade, resultantes do manejo do inseto, sem aplicação de inseticidas e com redução ou alteração da aplicação de herbicidas atingem um patamar tal que o potencial de perda de produção associado a possíveis estresses fisiológicos da planta de arroz, decorrentes do retardamento da inundação, é compensado (RICE et al., 1999). Estudo preliminar realizado no Brasil indicou que um retardamento de 15 dias no início da inundação, a partir de 18 dias pós-emergência das plantas de arroz, seguido da manutenção permanente de lâmina de água (15 cm de espessura) e por irrigação intermitente, reduziu 27% e 63% a população da bicheira-da-raiz (Oryzophagus oryzae), respectivamente (MARTINS, 2009). Essa técnica pode ser mais facilmente adotada em pequenas lavouras (< 10 ha), onde a capina mecânica é exeqüível.
O uso de cultivares resistentes ao gorgulho-aquático consiste em outra alternativa para reduzir seus danos à cultura do arroz. Atualmente dispõem-se de duas cultivares BRS com relativo grau de resistência genética ao inseto: BRS Atalanta e BRS Pelota. Além da característica genética, o ciclo biológico das cultivares interfere na tolerância ou recuperação dos danos causados pelas larvas às raízes. Cultivares de ciclo médio (cerca de 130 dias da emergência das plantas ao ponto de colheita) possuem maior capacidade de recuperação, pois parte (± 25 dias) do seu período de crescimento (fase de perfilhamento), coincide com a época em que a população de larvas entra em declínio (CARBONARI et al., 2000). Portanto, perante uma menor pressão de dano do inseto, há a possibilidade das plantas emitirem novas raízes.

Insetos-praga da fase reprodutiva
Engloba espécies de insetos que atacam colmos completamente desenvolvidos, panículas e grãos. Entre as principais espécies que ocorrem na fase reprodutiva das plantas de arroz, em todas as regiões orizícolas do Rio Grande do Sul, destacam-se o percevejo-do-colmo (T. limbativentris) e o percevejo-do-grão (Oebalus poecilus).
O percevejo-do-colmo é uma praga crônica que apesar de iniciar o ataque às plantas de arroz na fase de perfilhamento (provocando o sintoma de “coração morto”), torna-se mais prejudicial, quando na fase reprodutiva das plantas (a partir do final da floração/início da emissão das panículas), perfuraram os colmos e geram o sintoma de “panícula-branca” (Figura 5), podendo provocar perdas de produtividade de até 80% (FERREIRA, 2006). O ataque, na fase reprodutiva, além de danos diretos, pode provocar perdas qualitativas em decorrência de uma maior quantidade de grãos quebrados e manchados (COSTA; LINK, 1992a).
As condições mais favoráveis ao crescimento da população do percevejo-do-colmo são a elevada umidade e temperatura na superfície do solo, entre os colmos, na base. Essas condições se estabelecem entre as plantas de arroz cultivadas no topo das taipas, principalmente, das lavouras de “coxilha”, no Rio Grande do Sul. Tais condições são as condicionantes do inseto apresentar distribuição agregada (binomial negativa) em determinados pontos dos arrozais, às margens, principalmente, no início da fase de perfilhamento das plantas (COSTA; LINK, 1992b).
O percevejo-do-grão era uma praga de ocorrência crônica, porém, atualmente tendendo à aguda. O ataque reduz a quantidade e qualidade de grãos. A natureza e extensão dos danos dependem do estágio de desenvolvimento dos grãos. Espiguetas com endosperma leitoso podem ficar totalmente vazias ou então originam grãos atrofiados, com diminutas manchas escuras nas glumas, nos pontos de introdução do estilete (Figura 6). A alimentação na fase pastosa gera grãos com manchas escuras na casca, gessados, estruturalmente enfraquecidos nas regiões danificadas, os quais quebram mais facilmente durante o beneficiamento, diminuindo ainda mais o rendimento de engenho (FERREIRA, 2006); essas manchas estendem-se internamente ao endosperma, visíveis em grãos “descascados” (Figura 7).
É importante salientar que o percevejo-do-grão efetua as primeiras posturas quase sempre em panículas de capim-arroz. No arroz, as posturas podem ser agrupadas em plantas, as quais representam verdadeiros focos de desova.

Medidas de controle geral
Para ambos as espécies de percevejo, utilizar-se da tática da cultura armadilha. Tratando-se o percevejo-do-colmo, estabelecer às margens dos arrozais, faixas de cultivo de arroz sobre taipas, buscando obter as condições micro-meteorológicas de temperatura e umidade preferidas pelo inseto para abrigo, alimentação e reprodução. No caso do percevejo-do-grão, também às margens dos arrozais, criar sítios com concentração de plantas de capim-arroz que atraiam os insetos durante o processo de migração e oviposição. Aplicar sobre os locais de concentração dos insetos medidas físicas e mecânicas de controle, como queima e captura seguida de esmagamento, entre outras.

Medidas de controle específicas
Ainda para o controle do percevejo-do-colmo, podem ser utilizadas, ainda, medidas recomendas no estado de Santa Catarina como: 1) destruição física de percevejos que se escondem durante a noite sob pedaços de tábua colocados sobre taipas; 2) controle biológico com marrecos, facilitando a ação do predador, por meio do aumento da altura da lâmina de água de irrigação, que força o deslocamento dos insetos ao topo das plantas, tornando-os mais vulneráveis (MARTINS et al., 2007). Entre as práticas culturais recomendadas para a redução da população do percevejo-do-colmo (FERREIRA, 2006), uma das mais factíveis, consiste da destruição de restos de cultura, por meio de aração profunda, roçada ou pastoreio.
Há grande potencial para o controle microbiológico do percevejo-do-colmo, principalmente se forem desenvolvidos inseticidas biológicos a base de fungos entomopatogênicos identificados como virulentos (MARTINS et al., 2004a; RAMPELOTTI et al., 2007), para aplicação em locais onde há maior concentração populacional do inseto (“focos”), como os condicionados pela tática da cultura armadilha.

Moluscos
Os moluscos (caramujos), a partir de meados da década de 90, tornaram-se praga importante da cultura do arroz, essencialmente em áreas de arroz pré-germinado, sendo a espécie Pomacea canaliculata a mais prejudicial (PETRINI et al., 2004).
Os caramujos invadem as lavouras de arroz pré-germinado por meio da água de irrigação, permanecendo vários dias em condições de alimentação reduzida. Com a semeadura do arroz, passam a alimentarem-se de plântulas, durante o dia e a noite, causando danos significativos à cultura (Figura 8). Os riscos de perda de produtividade de arroz em decorrência do ataque de caramujos estão associados às elevadas densidades populacionais, ampla distribuição nas áreas orizícolas e elevado potencial de danos. Pesquisas sobre níveis de dano (OLIVEIRA et al., 1999) indicaram que uma população de dez caramujos, em apenas nove dias, pode causar danos superiores a 80% em plântulas com até 18 cm de altura.
A ocorrência dos caramujos nos arrozais é mais acentuada nos canais de irrigação, entradas de águas, nas passagens de água de um tabuleiro a outro, e também em pontos correspondentes a depressões do solo, onde há maior acúmulo de água na fase de implantação da cultura.

Medidas de controle
Para o controle de caramujos em áreas de produção de arroz orgânico devem ser adotadas as mesmas medidas recomendadas para o sistema convencional de produção, indicadas a seguir (PETRINI et al., 2004): 1) coleta e destruição de posturas; 2) limpeza e drenagem dos canais de irrigação; 3) preparo do solo com enxada rotativa; 4) drenagem dos tabuleiros durante o período germinação e crescimento das plântulas; 5) colocação de telas nos canais de irrigação, nos pontos de entrada de água na lavoura; 6) colocação de poleiros nas lavouras para facilitar a mobilização do gavião-caramujeiro (predador).
Pássaros
Nessa categoria de fitófago, destaca-se o pássaro-preto (Agelaius ruficapillus), cuja bioecologia, danos à cultura do arroz irrigado por inundação e alternativas de controle foram detalhadamente estudados e divulgados (2004). Apresenta-se a seguir, um resumo das informações sobre alguns desses aspectos.
Os danos ocorrem quando o pássaro-preto arranca plântulas na fase inicial da cultura (Figura 9), o que pode reduzir cerca de 60% e 25% a população de plantas em áreas distantes 50 m e mais de 200 m de bosques, respectivamente. Lavouras de arroz pré-germinado são mais preferidas para o ataque, principalmente, as primeiras a serem implantadas e as mais próximas a bosques. Também ataca na fase de maturação dos grãos, podendo causar perdas de produtividade superiores a 1200 kg ha-1.
Sistemas de manejo do pássaro-preto não devem focar apenas a eliminação total da população, mas sim mantê-la abaixo do NDE, considerando que o mesmo desempenha um papel importante ao alimentar-se de insetos fitófagos e sementes de plantas invasoras. Qualquer plano de manejo do pássaro deve ser global, em uma determinada região, contemplando a integração de vários produtores na adoção de recomendações sobre controle populacional, tanto dos voltados à produção orgânica como à convencional de arroz.

Medidas para reduzir danos na fase de implantação da cultura
1) cobertura completa das sementes após a semeadura;
2) sincronizar o máximo possível a semeadura numa determinada região produtora;
3) aumentar a densidade de semeadura em áreas próximas a banhados e bosques;
4) em arroz pré-germinado, não retirar toda a água de irrigação pós-semeadura.

Medidas para reduzir danos na fase de maturação
1) implantar as primeiras lavouras o mais longe possível de banhados e bosques;
2) manter as bordas das lavouras livres de plantas daninhas;
3) reduzir a exposição de grãos maduros, colhendo o mais rápido possível.

Referências
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1 Crônicas, insetos-praga que ocorrem todos os anos (safras), num modelo padrão de distribuição espacial, atingindo um nível populacional moderado, pouco superior ao nível que causa dano econômico (NDE); se não controladas, causam perdas de produtividade de 10 a 30%; Agudas, também ocorrem todos os anos, porém, apenas em alguns atingem níveis populacionais muito superiores ao NDE; possuem elevado potencial de dano, podendo destruir totalmente um arrozal; se não controladas, normalmente, causam perdas de produtividade superiores a 30%.
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