Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 17
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Dez./201
Cultivo de arroz irrigado orgânico no Rio Grande do Sul
Autores

Sumário

Apresentação
Importância Econômica
Implantação da lavoura no sistema pré-germinado
Adubação e correção
Cultivares, população de plantas e época de semeadura
Manejo da Água de Irrigação
Manejo de plantas daninhas
Manejo de Insetos e Outros Fitófagos
Manejo de doenças
Meio Ambiente
Colheita
Pós-Colheita e Industrialização de Arroz
Econômia e mercado
Certificação de arroz orgânico

Expediente

CAPÍTULO 8 - Manejo de Doenças

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Introdução

O ataque de doenças é um dos principais fatores que podem provocar quedas drásticas de produtividade da cultura do arroz irrigado por submersão. O controle dessas doenças em sistemas de produção orgânica de arroz, para atender as normativas da Lei n0 10.831 do MAPA, deve fundamentar-se em conhecimentos e técnicas que regulem a incidência de patógenos, sem riscos de causar contaminações às plantas, aos grãos, operários, animais domésticos e a recursos naturais (água, solo, biodiversidade, …).

Em determinada situação, uma única medida de controle pode controlar uma doença especifica do arroz.  Em algumas situações, porém, a natureza da doença envolve um processo epidêmico, que passa exigir o uso de mais de um método para o controle eficaz, tornando-se necessário, nesses casos, a integração de medidas de controle. Nesse contexto, deve ser implementada uma estratégia para prevenção ou redução da ocorrência de doenças ou dos prejuízos causados por estas, tanto a médio quanto a longo prazo. Assim, as decisões a serem tomadas, quanto ao controle de doenças do arroz, estarão enquadradas numa macro-estratégia que vise a sustentabilidade ecossistema orizícola como um todo.

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Principais doenças

A forma da ocorrência de doenças é resultante de um processo dinâmico de interação entre três fatores, hospedeiro, patógeno e ambiente. Modificando-se um ou mais destes fatores, criando-se condições favoráveis à planta de arroz, é possível reduzir o potencial de danos (NUNES et al., 2004).

O comportamento da planta de arroz pode ser modificado por meio de práticas culturais como a época e a densidade de semeadura mais adequadas, adubação equilibrada e irrigação por submersão contínua. Tais práticas poderão contribuir para maior tolerância das plantas às diferentes doenças e resultar em produtividades mais rentáveis. Ressalta-se que uma determinada doença se estabelecerá mais facilidade se a planta de arroz estiver submetida a estresses de qualquer natureza, principalmente térmicos, hídricos ou nutricionais, se ocorrer elevada população de patógenos virulentos na área e se as condições climáticas forem favoráveis a epidemia. Portanto, destacadamente, o sistema de produção de arroz orgânico requer a adoção de um conjunto de princípios e medidas que considerem a associação entre o patógeno, à planta hospedeira e as condições ambientais, visando reduzir o inóculo inicial (taxa de infecção). Assim, minimizar-se-ão os riscos de estabelecimento das doenças.

Inúmeras doenças podem ocorrer na cultura do arroz irrigado por inundação, sendo mais conhecidas a brusone, a escaldadura-das-folhas, a queima-das-bainhas, a mancha-das-glumas, a mancha-parda, a cárie ou carvão-do-grão, a mancha estreita, a mancha–das-bainhas, a podridão-do-colmo, o carvão-verde ou falso-carvão do arroz e o bico-de-papagaio. Dessas doenças, historicamente, assumem maior importância econômica as cinco relatadas a seguir:

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Brusone

É causada pelo fungo Pyricularia grisea (Cooke) Sacc, se constituindo na principal doença do arroz. Seus danos podem resultar em perda total de produtividade. Além do arroz cultivado ataca várias gramíneas como o arroz- vermelho, arroz-preto, trigo, aveia, azevém, cevada, centeio, capim arroz (Echinochloa spp.), grama boiadeira (Leersia hexandra), Brachiaria mutica (NUNES, 1988). A doença se desenvolve rapidamente quando as condições climáticas são favoráveis, destacando-se a associação entre longos períodos de orvalho, dias nublados e chuvas leves, o que mantêm a umidade sobre as folhas. Essas condições tornam-se mais danosas quando a semeadura foi tardia e as plantas acumulam mais elevados teores de nitrogênio.

O sintoma mais típico da brusone ocorre nas folhas.  As lesões são alongadas, com bordos irregulares, de coloração marrom, com centro grizáceo, onde aparecem as frutificações do fungo.  Nos colmos, as lesões, com coloração semelhante à observada nas folhas localizam-se na região dos nós. A infecção no primeiro nó abaixo da panícula, é conhecida por brusone-de-pescoço” (Figura 1A, 1B e 1C).

Figura 1 – Sintoma de brusone de folha (a), de nó (b) e de pescoço (c) em arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2009.

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Escaldadura-das-folhas

É causada pelo fungo Gerlachia oryzae (Hashioka & Yologi) W. Gams. A severidade no Brasil, nos últimos anos, agravou-se decorrência do uso de cultivares modernas, mais suscetíveis principalmente, em condições de maior acúmulo de nitrogênio pelas plantas.

As folhas de arroz apresentam manchas oblongas, em sucessão, havendo a áreas concêntricas típicas com coloração desde mais escura a mais clara, atribuindo um aspecto franjado às lesões (Figura 2). O aumento das lesões causa a morte da folha afetada. As lavouras atacadas apresentam um amarelecimento geral, com secamento da ponta das folhas.

Figura 2 – Sintoma de escaldadura-da-folha em arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2009.

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Queima-das-bainhas

Causada pelo fungo Rhizoctonia solani Kühn, vem aumentando a incidência no Rio Grande do Sul, provavelmente, devido ao cultivo de arroz em rotação com soja ou pastagens consorciadas (azevém e trevo) e da introdução de cultivares modernas de arroz suscetíveis a doença.

Queima-das-bainhas ocorre tanto nas bainhas das folhas quanto nos colmos das plantas de arroz.  Caracteriza-se por manchas não bem definidas, com aspecto de queimado, sobre a qual surgem esclerócios de coloração escura (Figura 3). Nas lavouras, quando o ataque é intenso formam-se grandes reboleiras, com morte precoce das plantas, havendo uma aparente aceleração de maturação das plantas remanescentes.

Figura 3 – Sintoma de queima-das-bainhas em arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2009.

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Manchas-das-glumas

Os fungos Drechslera oryzae, Bipolares sp., Pyricularia grizea, Alternaria padwickii, Phoma sp., Nigrospora spp, Epicocum spp., Curvularia lunata e Fusarium sp., são os principais causadores da mancha-das-glumas. Essa doença geralmente é constatada em lavouras implantadas tardiamente (dezembro), podendo, porém, ocorrer com menor freqüência em lavouras implantadas antes. Essa doença esta associada a mais de um patógeno fúngico ou bacteriano.

As glumas adquirem manchas marrom-avermelhadas ou escurecimento total (Figura 4).  Em algumas situações as manchas restringem-se à parte superior ou inferior das glumas, apresentando centro mais claro.

Figura 4 – Sintoma de mancha-das-glumas em arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2009.

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Mancha-Parda

É causada pelos fungos Drechslera oryzae (Breda de Haan) Subr. & Jain e de Bipolaris oryzae (Breda de Haan)Shoem. Em algumas lavouras, localizadas em solos mais arenosos ou degradados ou em áreas submetidas a corte (sistematizadas) os ataques dessa doença podem ser mais severos e comprometer a produção e a sanidade dos grãos.

A mancha-parda se caracteriza pelo aparecimento nas folhas, de manchas ovais, castanho-escuras, com bordos lisos, logo após a floração e, mais tarde, nas glumas e nos grãos.  Posteriormente, com manchas maiores, passa a desenvolver-se um centro mais claro, acinzentado (Figura 5). Nos grãos, as glumas apresentam manchas marrom-escuras, que muitas vezes coalescem, cobrindo as glumas.

Figura 5 – Sintoma de mancha-parda na folha da cultivar de arroz irrigado. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS. 2009.

Independente do agente causador, a instalação e o grau de severidade de uma ou mais doenças no sistema de produção de arroz orgânico, como também em outros sistemas de produção de arroz, dependem da ocorrência de condições ecológicas favoráveis (clima) relacionadas às exigências biológicas dos agentes causais no momento em que as plantas estiverem nos períodos de maior sensibilidade.  Os fatores que compõe o clima que mais se relacionam com as incidências e as severidades das doenças fúngicas são: temperatura, precipitação pluviométrica, umidade relativa, duração do molhamento foliar e ventos fortes.  Mediante o conhecimento dessas condições, pode ser planejada a escolha da melhor região para o cultivo do arroz orgânico.

O sistema de produção de arroz orgânico, portanto, exige a aplicação de um conjunto de princípios e medidas, que considere peculiaridades dos patógenos, da planta hospedeira e do meio ambiente, para dificultar a propagação de doenças, por meio da redução do inóculo e/ou da taxa de infecção.

Fatores ambientais e práticas culturais que interferem na incidência de doenças em plantas de arroz e táticas de manejo que visam a redução do risco de danos.

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Clima

Os fatores do clima mais relacionados à maior incidência e a severidade das doenças fúngicas são a umidade relativa do ar igual ou superior a 90%, temperaturas entre 20 e 35ºC, baixa radiação solar,  período de chuvas e de orvalho freqüente (maior período de molhamento foliar). Assim, antes da implantação de uma lavoura de arroz orgânico, torna-se importante conhecer as condições climáticas da região.

No Rio Grande Sul há sete regiões orizícolas com características climáticas distintas, as quais podem determinar diferentes graus de risco de incidência de doenças. Na região Litoral Norte, por exemplo, com uma maior normal de chuvas (1600 a 1700 mm/ano) e umidade relativa do ar alta no período de cultivo do arroz, há maior risco da ocorrência de doenças, principalmente de brusone. Por outro lado, no Planalto da Campanha (“Fronteira Oeste”), onde o volume de chuvas (1070 a 1300 mm/ano) e a umidade relativa do ar (70%) são menores, o risco da ocorrência de doenças é menor.

A radiação solar é outra variável climática que exerce efeito significativo na ocorrência de doenças do arroz no Rio Grande do Sul, sendo os níveis mais altos registrados no Sul e no Oeste do Estado (STEINMETZ, 2004). Em decorrência dessa condição, os ataques epidêmicos de brusone, nas duas regiões orizícolas, somente ocorrem em determinadas safras.

Outro fator importante que deve ser considerado quanto às condições climáticas favoráveis às doenças do arroz, é o período crítico de suscetibilidade das plantas. Uma doença pode ocorrer em várias fases do desenvolvimento das plantas de arroz, porém, essas são mais vulneráveis à cada doença ou grupo de doenças em determinadas períodos, conforme especificado na Tabela 1.

No contexto do controle de doenças do arroz orgânico, o zoneamento agroclimático é uma ferramenta essencial para o planejamento das lavouras, pois além de fornecer informações sobre os riscos de ocorrência, associado às características climáticas regionais, possibilita um maior aproveitamento do potencial produtivo das cultivares. Portanto, com base no conhecimento da influência que as condições climáticas típicas de cada região orizícola podem exercer sobre a incidência de doenças do arroz e a produtividade das cultivares, torna-se possível adotar táticas de manejo (indicadas a seguir) que evitem ao máximo possível perdas de produtividade.

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Destruição dos restos de cultura

Eliminar, por métodos mecânicos ou físicos, restos de plantas que atuam como fontes de inóculo e disseminação de patógenos, causadores de doenças como a podridão-do-colmo, rizoctonia, entre outras.

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Drenagem de áreas baixas e alagadiças

Esta prática favorece o preparo antecipado do solo, a decomposição dos resíduos orgânicos e a conseqüente redução da população de fungos de solo causadores de doenças como a queima-da-bainha, mancha-da-bainha e podridão-do-colmo, e o aparecimento de doenças fisiológicas como o bico-de-papagaio (NUNES et al., 2004).

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Manejo da adubação

A nutrição mineral desequilibrada pode aumentar ou diminuir a resistência natural das plantas (espessura e a dureza das paredes celulares das folhas) aos patógenos. O excesso ou a deficiência de um nutriente tem influência marcante, com conseqüências que repercutem no metabolismo da planta (alterações morfológicas), aumentando a suscetibilidade às diversas doenças.

Vários trabalhos de pesquisa buscam a explicação para o aumento da suscetibilidade do arroz à brusone induzida por elevadas doses de nitrogênio (OU, 1985). Quando aplicado diretamente no solo, por ocasião da semeadura (“na base”), em dose superior a 60 kg ha-1, aumenta a incidência da brusone nas folhas do arroz sequeiro (PRABHU et al., 1996).

A incidência de brusone-na-panícula, conhecida por brusone-de-pescoço aumenta linearmente com o incremento de doses de fósforo em arroz sequeiro (PRABHU; MORAIS, 1986). Resultados sobre efeitos do potássio (OU, 1985), são conflitantes, podendo a incidência de doenças aumentar ou diminuir independente da dose do nutriente aplicada ao solo.

A incidência de brusone-na-panícula foi positivamente correlacionada com o teor de N, P e K em tecidos de arroz, enquanto o K e o cálcio apresentaram correlações negativas (PRABHU et al., 2006).

Solos degradados (“fracos”), comumente tem menor teor de K e são favoráveis à maior incidência da mancha-parda e mancha-estreita (NUNES et al., 2004).

Estudos sobre o efeito do silicato de Ca em doenças do arroz indicaram que o Si reduz a severidade de doenças como a brusone e a mancha-parda (DATNOFF et al., 1991).

O aumento da resistência à brusone é proporcional ao teor de silicatos aplicados ao solo e ao teor de Si acumulado nas plantas de arroz (MIYAKE; IKEDA,1932 citado por OU, 1985). Tal correlação entre teor de Si e a resistência à brusone existe para uma determinada cultivar, sob diversas condições, mas não necessariamente entre diferentes cultivares. Trabalhos de pesquisa ainda indicaram que: 1) altas doses de N induzem à maior incidência de brusone, diminuindo o acúmulo de Si; 2) o número de células com Si é maior em folhas velhas e resistentes à brusone do que em folhas jovens com menor teor do elemento. Uma das funções da sílica encontrada em forma de gel nas plantas de arroz pode ser a proteção das plantas contra a invasão de fungos (KIM et al., 2002).

As plantas adubadas com Si são eretas, possuem folhas com tecidos mais rígidos e cutículas mais espessas na superfície da face inferior, podendo formar uma barreira física à penetração de fungos (RODRIQUES et al., 2003).

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Uso de semente com qualidade superior

A qualidade das sementes é fundamental para uma adequada implantação da lavoura de arroz. Portanto, devem observadas as características que determinam a qualidade das sementes (fisiológica, genética, física e sanitária). A qualidade fisiológica esta associada ao vigor e ao poder germinativo. Os caracteres genéticos determinam o potencial produtivo das cultivares e a qualidade do produto. Os atributos físicos estão relacionados à presença de contaminantes, como restos de cultura, partículas de solo, sementes de planta daninhas e mistura de cultivares. A qualidade sanitária da semente é relacionada ao histórico da sanidade da lavoura (“ataque doenças e/ou insetos, entre outras pragas”) onde foi produzida, época de colheita e condições de armazenamento.

De maneira geral, baixo vigor de sementes está associado a uma alta porcentagem de contaminação por fungos de armazenamento, o que dificulta a obtenção de uma população uniforme de plantas no arrozal. Assim, o uso de semente certificada e isenta de fontes de inoculo é uma tática de manejo de suma importância, para evitar a introdução de doenças na lavoura e, por conseguinte, obter uma adequada população inicial de plantas vigorosas.

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Uso de cultivares resistentes

Cultivares continuamente fornecidas por programas de melhoramento genético de arroz, para atender as exigências de produção, mercado e consumo, geralmente possuem determinado grau de resistência a doenças, como a brusone, que podem causar perdas significativas de produtividade.

O uso de cultivares de arroz resistentes a doenças é uma das mais relevantes medidas de controle em sistemas de produção orgânica. Uma cultivar de arroz expressa mais eficazmente a seu relativo grau de resistência, principalmente quando submetida a práticas culturais que conduzam ao um melhor equilíbrio do agroecossistema, sendo esta a tática integrada de controle mais econômica ao produtor. Quando existem fontes satisfatórias de resistência, que possibilitem a obtenção de cultivares resistentes, o emprego deste método no controle de doenças das plantas é, sempre, a medida mais econômica para o produtor. Na ausência de material altamente resistente (imune), deverá escolher a mais resistente ou tolerante manejá-las adequadamente, para evitar a ocorrência de ataques severos e conseqüentes perdas na produtividade.

É recomendável ainda utilizar cultivares com diferentes graus de resistência a doenças, principalmente, à brusone, substituindo-as em períodos de 3 a 4 anos. A diversificação de cultivares (“troca”) visa reduzir a pressão de seleção de raças virulentas específicas de cada cultivar, para evitar a quebra de resistência dessas cultivares.

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Adequação da época de semeadura

A semeadura de cultivares suscetíveis em épocas tardias, como o mês de dezembro, aumenta o risco de ocorrência de doenças como a brusone e a exposição aos efeitos do frio. A produtividade das cultivares entre os anos varia em função da época de semeadura, diminuindo quando as condições ambientais provocam um aumento da esterilidade de espiguetas pelo frio e/ou pelo ataque de brusone às folhas e às panículas (RIBEIRO et al., 1983).

É recomendável ainda o escalonamento da semeadura. Esta tática é capaz de evitar que perante condições ambientais favoráveis a uma determinada doença, a totalidade do arrozal seja danificado. O escalonamento da semeadura de uma mesma cultivar em diferentes partes de um arrozal faz com que as suas plantas distingam-se quanto ao estádio de desenvolvimento. Assim, no caso da floração, por exemplo, é possível que muitas das plantas possam escapar de doenças como a mancha-de-grãos, capaz de causar alta esterilidade de espiguetas e ainda de efeitos danosos do frio.

Recomenda-de a utilização de cultivares precoces em semeadura realizada mais ao final do período indicado pelo zoneamento agroclimático.

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Adequação da densidade de semeadura e do espaçamento entre fileiras de plantas

Elevadas densidades de semeadura e menor espaço entre fileiras de plantas produz o sombreamento mútuo, criando condições micrometeorológicas favoráveis às doenças. É recomendável a densidade de 400 a 500 sementes aptas/m2, para a semeadura em linha e de 500 sementes aptas/m2 para semeadura à lanço (SOCIEDADE SUL-BRASILEIRA DE ARROZ IRRIGADO, 2007). O propósito é garantir uma população inicial de 200 a 300 plantas/m2, uniformemente distribuídas com adequada ventilação da lavoura entre elas.

O espaçamento entre fileiras de plantas deve ser no mínimo de 0,20 m de modo a permitir a capina mecânica, manual ou com equipamento tratorizado.

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Controle de plantas daninhas

As plantas daninhas são hospedeiras de muitas doenças do arroz. Comumente, plantas de grama-boiadeira (Leersia hexandra) e milhã (Digitaria sp.), entre outras, são hospedeiras da mancha-parda e brusone. Além de transmitirem doenças podem propiciar condições ambientais (umidade; temperatura; sombreamento) favoráveis a seu desenvolvimento, como também competir por nutrientes com o arroz cultivado.

Tabela 1. Períodos críticos de maior suscetibilidade das plantas de arroz irrigado às principais doenças. Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS, 2009.

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Referências

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