José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de
frutas, com 42 milhões de toneladas produzidas de um total de 340
milhões de toneladas colhidas em todo o mundo, anualmente. Apesar
deste lugar de destaque, o país está no 12º lugar nas
exportações de frutas. Deste volume total de produção,
acredita-se que as perdas no mercado interno possam chegar a 40%. Contribuem
com estes números, o mau uso das técnicas de manejo do solo
e da planta, falta de estrutura de armazenamento, logística, embalagens
inadequadas e a própria desinformação do produtor.
Na
América do Sul, o Chile e a Argentina são grandes produtores
e exportadores de frutas frescas, ao ponto de ser um dos pilares da economia
chilena, tradicional exportador de frutas de alta qualidade para o Brasil,
Europa e EUA.
Pela
diversidade de climas e solos, o Brasil apresenta condições
ecológicas para produzir frutas de ótima qualidade e com
uma variedade de espécies que passam pelas frutas tropicais, subtropicais;
e temperadas. Apesar desde quadro favorável, ainda importamos volumes
significativos de frutas frescas e industrializadas, como acontece como
a pêra, ameixa, uva, quivi, maçã, entre outras.
Na
Tabela 1 observa-se a área plantada com as principais frutíferas
cultivadas no Brasil e no Rio Grande do Sul.
Tabela 1 - Área plantada das principais espécies frutíferas no Brasil e no Rio Grande do Sul, em hectares, no ano de 2006
ESPÉCIE |
BRASIL |
RS |
Laranja |
813.354 |
27.476 |
Banana |
511.181 |
11.344 |
Coco |
294.161 |
- |
Manga |
78.484 |
141 |
Uva |
75.385 |
44.298 |
Abacaxi |
68.495 |
339 |
Tangerina |
60.993 |
13.197 |
Limão |
47.085 |
1.781 |
Maracujá |
45.327 |
- |
Mamão |
37.060 |
311 |
Maçã |
36.107 |
15.260 |
Pêssego |
22.453 |
14.706 |
Goiaba |
15.045 |
703 |
Abacate |
10.515 |
619 |
Figo |
3.020 |
1.926 |
Fonte: IBGE (2007)
A Tabela 2 dá uma dimensão do que é a área
cultivada com frutas no Brasil, de acordo com o clima, onde se verifica
que os maiores volumes de produção ocorrem em climas tropicais
e subtropicais.
Tabela 2 - Área total produtora das principais frutas no Brasil, de acordo com o clima.
FRUTAS |
ÁREA (ha) |
Tropicais |
1.034.708 |
Subtropicais |
928.552 |
Temperadas |
135.857 |
Total |
2.099.117 |
Fonte: IBGE (2007).
A citricultura brasileira é a maior do mundo e o Brasil é o maior exportador de sucos concentrados.
O
aumento do consumo de frutas “in natura”
e de sucos naturais é uma tendência mundial que
pode ser aproveitada pelo Brasil como forma de incentivar o aumento da
produção e a qualidade das frutas.
No caso das
frutas tropicais frescas, as barreiras impostas pelos países importadores,
sob a forma de regulamentos sanitários e normas técnicas,
também constituem um importante exemplo de restrições
que limitam significativamente o desempenho do setor no mercado externo.
Os padrões internacionais são extremamente rígidos,
havendo grande preocupação com as diferentes espécies
de moscas-das-frutas. Japão e EUA impõem severas restrições
à importação de frutas tropicais, proibindo a entrada
de produtos oriundos de áreas infestadas. O bloqueio pode ser rompido,
desde que o país exportador consiga estabelecer em seu território
“áreas livres de pragas e doenças”. Este conceito
consta do Art. 6° do Acordo sobre a Aplicação de Medidas
Sanitárias e Fitossanitárias do Gatt, que prevê a
concessão de acesso razoável para o membro importador, para
fins de inspeção, teste e outros procedimentos relevantes.
A banana
é outro exemplo típico onde o Brasil desponta como sendo
o maior produtor mundial e também o maior consumidor. As bananas
produzidas encontram dificuldades para competir no mercado internacional
com países como o Equador. As técnicas de cultivo e o manejo
das frutas, desde a colheita até o mercado, são ainda muito
deficientes no Brasil, com isso a banana chega ao mercado com baixa qualidade.
O mercado
internacional é altamente competitivo e exige ofertas em qualidade
e quantidade. Mesmo assim, existem espaços para colocação
de frutas “in natura”, particularmente na entre safra do hemisfério
norte, com espécies de clima tropical, como melão, abacaxi,
banana, manga, mamão, e de clima temperado, como uva, maçã,
figo, morango, entre outras. Noventa por cento dos grandes mercados estão
localizadas no hemisfério Norte e esta condição precisa
ser melhor explorada.
Nesse
contexto, o Brasil tem conseguido aumentar e diversificar a oferta de
frutas produzidas em clima semi-árido. Com isso, estão aumentado
as exportações de frutas como o melão, mamão,
manga, mamão e uva. Nessa condição a videira pode
produzir, em média, mais de duas safras por ano, permitindo que
se tenha uvas de boa qualidade e com altos rendimentos por área
em épocas que os preços no mercado internacional é
mais atrativo.
Dentre
as espécies de clima temperado, a maçã passou a ser
um negócio altamente competitivo, pois num espaço de pouco
mais de 30 anos, o Brasil passou de importador para exportador. No ano
de 1970 a produção nacional representava apenas 10% do consumo,
hoje são mais de 36.000ha que produzem o suficiente para atender
o mercado interno e até permitir a exportação de
maçãs de alta qualidade. Principalmente porque o Brasil
produz as cultivares do grupo Gala e Fuji, maçãs de alta
aceitação no mercado internacional.
A viticultura
fica mais vulnerável ao Mercosul, uma vez que 60% da nossa produção
é baseada em uvas americanas comuns e são utilizadas para
produção de vinhos para atender o mercado interno. Na Argentina
e no Chile estas videiras americanas são proibidas de serem plantadas.
A área
cultivada com pêssego para conserva teve uma diminuição
de sua área e produção, devido a problemas conjunturais
e à importação de compotas com subsídios,
porém a área com pêssego para o consumo “in
natura” vem aumentando, desde o Rio Grande do Sul até Minas
Gerais.
O negócio
fruticultura, além de se preocupar com o mercado de exportação
para a Europa e Ásia, deve estar atento para o MERCOSUL, que se
constitui num mercado de mais de 200 milhões de habitantes que
não deve ser desprezado. O consumo de frutas no Brasil é
da ordem de 57kg habitante ano-1, ao passo que na Europa o consumo supera
aos 100kg habitante ano-1, ou seja, existe um grande potencial a ser atingido.
Esta
atividade poderá ser explorada com sucesso nos mercados estaduais,
regionais e locais. Para tanto, além das técnicas de cultivo,
o setor deverá ter e formar parcerias entre produtores, pesquisa,
extensão, distribuidores e o próprio consumidor, procurando-se
obter frutas de boa qualidade, oferta regular, livre de resíduos
de agrotóxicos e a preços competitivos. A organização
dos produtores, distribuidores e exportadores poderão encurtar
o caminho para que as nossas frutas possam atingir novos mercados e dar
garantias ao setor.
Os
exemplos dados pelos produtores de maçãs no Sul, os produtores
de frutas tropicais no Vale do São Francisco e a citricultura no
Estado de São Paulo são uma demonstração que
as dificuldades impostas pelos importadores e o próprio mercado
interno podem ser vencidas através de parcerias entre todos os
setores envolvidos.
O Brasil
possui condições ecológicas para produzir uma gama
de frutas tropicais, subtropicais e temperadas e situações
especiais que permitem que possamos produzir o ano todo. Apesar de todas
estas condições favoráveis, o Brasil ainda importa
várias frutas que poderiam ser produzidas aqui, entre elas se destacam
a pêra, uva para mesa e passas, ameixas, quivi, cerejas e maçã
na entre safra. Os nossos principais fornecedores são a Argentina,
o Chile e o Uruguai.
No
Rio Grande do Sul, a situação não é diferente,
somos tradicionais importadores de frutas de outros países e/ou
estados. Mesmo no caso das plantas cítricas, o Estado só
consegue atender 60% do consumo nas épocas de maior demanda e tem
dificuldade de abastecer e fornecer a matéria-prima para suprir
as três indústrias concentradoras de sucos nele instaladas.
Portanto a área de laranjas necessitaria ser ampliada, já
que os cerca de 28.000ha são insuficientes para atender a
demanda. No caso das frutas tropicais, o maior volume vem de outros Estados,
mesmo assim o RS possui microclimas que podem produzir mangas, bananas,
maracujá, abacaxi entre outras. O Estado produz quantidade suficientes
de uva para vinhos, pêssego para mesa e conserva, ameixa, maçã,
figo, goiaba, e esta ampliando a área de quivi na Serra Gaúcha
e plantas cítricas sem sementes na Metade Sul.
A fruticultura
é uma atividade que utiliza grande quantidade de mão de
obra e atende a necessidade de viabilizar as pequenas propriedades e a
fixação do homem no meio rural. Para tanto, é necessário
o incentivo e o estabelecimento de parcerias com os setores de produção
e comercialização, envolvendo setores públicos e
privados para que os produtores possam produzir para o mercado interno,
buscar novos mercados e aproveitar os excedentes nas agroindústrias.
Dispõe-se
de tecnologias e material genético apropriados para produzir nas
diferentes condições de clima e solo do Brasil. Não
bastam só as potencialidades, são necessários incentivos
e políticas que permitam um planejamento a médio e longo
prazo, já que os pomares necessitam de, no mínimo, 2 anos
para iniciar a produção e os investimentos iniciais costumam
serem elevados e o retorno só ocorre depois de 6 anos da implantação
do pomar.
É
necessário que, ao par da produção, todo o setor
esteja de olhos abertos para as tendências mundiais, onde o consumidor
não pode ser desconsiderado e a busca de produtos diferenciados
através da produção orgânica e integrada de
frutas (PIF) e que podem representar dividendos adicionais para o setor
de produção e comercialização.
Em
países europeus, asiáticos e mesmo nos Estados Unidos, a
fruticultura se caracteriza por ser uma atividade rentável e que
utiliza com vantagens a produção integrada, buscando produtos
de qualidade, minimizando riscos ao homem e ao ambiente.
No
Brasil, a Produção Integrada de Frutas (PIF) está
sendo utilizada por produtores de frutas de diversas regiões, principalmente
naquelas áreas destinadas à exportação, como
é o caso da maçã, melão, manga, uva, mamão,
entre outras.