Apresentação

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10.2 Pessegueiro, ameixeira e nectarineira

Jair Costa Nachtigal & José Carlos Fachinello

10.2.1 Mosca-da-fruta - Anastrepha spp
            A mosca-das-frutas é uma das principais pragas, não só do pessegueiro, mas da maioria das plantas frutíferas.
            As principais espécies são a A. Fraterculus e a A. oblíqua. As moscas adultas não causam danos às frutas, porém realizam a postura dos ovos, dos quais, depois de alguns dias, eclodem as larvas que se alimentam da polpa das frutas, tornando-os impróprios para o consumo. Além do dano causado pela larva, o orifício deixado na fruta, por ocasião da ovoposição, é uma porta para a entrada de fungos que causam apodrecimento dos mesmo (Figura 55).
            Em maçãs, a picada da mosca causa morte das células adjacentes, como as células circunvizinhas não sofrem o efeito continuam a crescer, causando deformação do tecido. Quando a postura é feita em frutas verde, não ocorre desenvolvimento das larvas, porém ocorrem, próximo ao local da picada, modificações na estrutura do tecido, denominada de “mancha de cortiça”. O ataque intenso de moscas causa a queda prematura das frutas e o prejuízo pode ser total.

Figura 55 - Adulto da mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus) e danos provocados pelas larvas no pêssego. Foto: José Carlos Fachinello

            As moscas-das-frutas atacam a maioria das frutas comestíveis e, por isso, o seu controle é difícil de ser executado, pois muitas vezes a sua proliferação ocorre em frutas silvestres ou em plantas fora do pomar. Além desse fato, a proliferação das moscas é facilitada pela utilização de diversas cultivares com épocas de maturação diferentes, sendo que os riscos de danos são maiores quanto mais tardia for a maturação.
            A longevidade das moscas varia em função das condições ambientais e alimentares e a flutuação populacional, na região Sul do Brasil, se caracteriza por uma maior ocorrência nos meses de novembro a março. A época de ocorrência das primeiras gerações é influenciada pelo aumento da temperatura média mensal durante o final do inverno e início da primavera.
            O controle da Anastrepha spp. pode ser preventivo, no qual se procura eliminar o inseto adulto, evitando que ocorra a postura dos ovos e; curativo, no qual se eliminam os ovos e as larvas no interior das frutas.
            Controle preventivo - o controle preventivo pode ser realizado de diversas formas, porém as mais utilizadas e fáceis de serem executadas são:
                a) Ensacamento das frutas - esta operação consiste em ensacar os frutas individualmente, quando os mesmos encontram-se ainda em estágio inicial de desenvolvimento ou em estágios em que as moscas ainda não possam fazer a postura, o que geralmente ocorre devido à consistência das paredes externas das frutas. É um método muito trabalhoso e, por isso, restrito a pequenos pomares ou plantas de fundo de quintal.
            Recomenda-se utilizar saquinhos de papel encerado e de tamanho variável com o tamanho das frutas por ocasião da colheita.
            b) Eliminação de frutas silvestres, próximos ao pomar, que possam servir de hospedeiros para as moscas. Esta medida não controla as moscas, porém pode diminuir sensivelmente a população, diminuindo, com isso, o número de moscas que atacarão os frutas do pomar.
            c) Eliminar as frutas temporonas, frutas bichadas ou caídas no chão, enterrando-as ou colocando-as em locais com água corrente.
            d) Iscas tóxicas - consistem em uma substância atrativa, que pode ser açúcar comum, suco de fruta (60%) ou melaço, a quantidade utilizada normalmente é em torno de 7%, dissolvida em água (100 L) e um inseticida com modo de ação através da ingestão.
            A aplicação da isca pode ser feita através de pulverização ou através de brochas de pintura em alguns ramos da planta escolhida (1 a 2m2 da planta), de preferência no lado exposto ao sol da manhã. Não há necessidade de aplicar as iscas em todas as plantas do pomar, geralmente a aplicação é feita em 25% das plantas, de preferência na parte da manhã. A aplicação de iscas deve iniciar antes que as frutas possam ser atacadas e deve ser realizada semanalmente até o fim da colheita.
            e) O monitoramento é feito com frascos tipo Valenciano ou MacPhail ou outros tipos de armadilhas e suco de uva ou proteína hidrolizada na proporção de 2 frascos por hectare de pomar (Figura 56).
            f) A Anastrepha fraterculus apresenta alguns inimigos naturais, como Ganaspis carvalhoi, Odosema anastrephae, Pseudocoila brasiliensis, Trichopria anastrephae, Belonuchus rufipennis e o coleópteros pertencentes à família Staphilinidae.
            g) Uma outra maneira de se evitar uma grande infestação de moscas é a utilização de cultivares de maturação mais precoce, onde as frutas amadurecem antes do pico populacional das moscas.    

 

Figura 56 – Armadilha para monitoramento da mosca-das-frutas. Foto: José Carlos Fachinello

            Controle curativo - consiste em pulverizações em cobertura de todo o pomar, utilizando-se um inseticida que apresente ação de profundidade e fumigação. O início da aplicação deve ser em torno de 30 dias antes do início da maturação das frutas, sendo que o espaçamento entre as aplicações é variável com o intervalo de segurança de cada inseticida utilizado.
            Geralmente a utilização de apenas um método de controle não é suficiente, portanto recomenda-se a utilização de sistemas integrados para evitar os danos causados pelas moscas-das-frutas.

10.2.2 Mariposa Oriental - Grapholita molesta
            A lagarta deste lepdóptero ataca as extremidades dos ramos, junto às axilas das primeiras folhas, principalmente em frutíferas como pessegueiro, ameixeira, macieira, pereira, entre outras. O ataque na extremidade dos ramos novos causa murchamento e morte da ponta do ramo, podendo haver exudação de goma. Com a morte, o crescimento do ramo é prejudicado, o que é um problema muito sério em viveiros para produção de mudas.
            O ataque da G. molesta pode ser dar, também, nas frutas, o que é ainda mais prejudicial, pois a lagarta penetra na fruta, preferencialmente, pela região próxima ao pedúnculo ou ao cálice, destruindo a polpa junto à região carpelar. No ponto de penetração pode haver exudação de goma, associado com a deposição das fezes (Figura 57).

 

Figura 57 - Grafolita adulta (Grapholita molesta) e danos provocados no pêssego. Fotos: José Carlos Fachinello e Jair Costa Nachtigal
           
O ataque da mariposa oriental muitas vezes é confundido com o ataque da mosca-da-fruta, porém a lagarta da mariposa apresenta cabeça preta e o corpo levemente rosado e o dano causado na fruta caracteriza-se por ser um dano seco, ao passo que a larva da mosca-da-fruta é de coloração esbranquiçada e causam um dano de aspecto viscoso.
O monitoramento é feito com uso de armadilhas a base de feromônio (Figura 58). Recomenda-se duas armadilhas por hectare em áreas pequenas ou uma armadilha em áreas maiores. Quando forem capturados, média 20 machos por armadilha por semana é porque a população atingiu o nível de dano econômico.
            O controle da mariposa oriental deve começar na primavera, logo com o aparecimento do ataque nas pontas dos ramos ou quando as populações atingirem o dano econômico  com isso evita-se que as mesmas ataquem as frutas, onde os prejuízos são bem maiores. 
É possível combinar os tratamentos para esta praga com o uso produtos que fazem a confusão sexual e desorientam os machos na hora do acasalamento.
            Os principais inimigos naturais são os microhymenópteros Macrocentrus ancylivorus e Ascogaster spp., ambos parasitam as lagartas, e Trichograma spp., que parasita os ovos.

Figura 58 – Armadilhas para captura da grafolita (Grapholita molesta). Foto: José Carlos Fachinello

 

10.2.3 Cochonilha branca - Pseudaulacaspis pentagona
            A cochonilha branca é uma praga que ataca as frutíferas da família das rosáceas, principalmente o pessegueiro e ameixeira. Os danos causados por esta praga ocorrem devido à sucção de seiva nos troncos e ramos e, quando o ataque for muito intenso, podem causar até mesmo a morte total da planta, principalmente em plantas jovens.
            A presença de cochonilhas é verificada pela formação de uma crosta semelhante a uma ferrugem branca, devido à aglomeração dos insetos (Figura 59).
            Quando o ataque não for muito intenso, pode-se fazer o corte dos ramos atacados e colocar ao lado da planta para aumentar o número de inimigos naturais desta praga.
            O controle das cochonilhas é feito através da pulverização total da planta atacada e plantas vizinhas com óleo mineral emulsionável (3 a 4%), durante o repouso vegetativo. Na época de brotação, aplicações com inseticidas específicos, sem óleo mineral, também controlam essa praga. A pulverização total do pomar só deve ser realizada quando mais de 5% das plantas tiverem infestadas com cochonilhas.

Figura 59 – Ataque de cochonilha branca (Pseudaulacaspis pentagona) em ramos de pessegueiro. Foto: Jair Costa Nachtigal

10.2.4 Pulgão da falsa crespeira - Brachycaudus schwartzi
            Ataca principalmente as pontas dos galhos e brotos novos do pessegueiro, causando deformações denominadas de “falsa crespeira” das folhas (Figura 60), já que a crespeira verdadeira é causada pelo fungo Taphrina deformans.
            Com a deformação dos ramos, ocorre redução no crescimento, o que pode causar danos consideráveis em viveiros e plantas jovens.
            O controle desse pulgão pode ser realizado através de pulverizações com inseticidas de contato ou sistêmicos. Em plantas adultas, com mais de 5 anos, o seu dano é desprezível economicamente.

Figura 60 – Falsa crespeira do pessegueiro provocada por ataque de pulgão. Foto: José Carlos Fachinello.

10.2.5  Formigas
            As formigas causam sérios danos na maioria das plantas frutíferas, pois atacam folhas, brotações, botões florais, flores e frutas.
            Os prejuízos causados pelo ataque nos folhas e brotações são maiores nos pomares jovens e nos viveiros, pois diminuem drasticamente a área foliar; em pomares adultos, os prejuízos são notados, principalmente, pela redução do tamanho das frutas nos ramos ou plantas atacadas, pois as frutas necessitam de um certo número de folhas para alcançarem o máximo de desenvolvimento.
            O ataque das formigas causam prejuízos bem maiores quando ocorre nos botões florais e flores, o que normalmente ocorre no período final de inverno quando as plantas estão sem folhas, podendo comprometer drasticamente a produção. É bem mais difícil de visualizar os danos nesta fase.
            Existem dois gêneros de formigas cortadeiras o Acromyrmex spp e o Atta spp. O gênero Acromyrmex, conhecido vulgarmente por quenquém, forma formigueiros pequenos e constituídos de poucas panelas; já no gênero Atta, conhecido como saúvas, as formigas são maiores e seus ninhos, chamados sauveiros, são de fácil localização, devido ao grande volume de terra depositada na superfície do solo.
            Para controle das formigas, o método mais utilizado é o químico, pela aplicação de produtos formicidas. Existem, basicamente, duas maneiras de realizar o controle das formigas: utilizando formicidas em pó e através de iscas tóxicas.
            Os formicidas em pó são utilizados quando se localiza os ninhos ou olheiros, sendo que o formicida é aplicado no interior destes através de bombas manuais dotadas de uma mangueira fina, que é introduzida nos ninhos ou nos olheiros.
            A utilização de iscas tóxicas, no entanto, é um método mais prático, pois basta localizar os olheiros ou os carreiros e distribuir as iscas próximas a estes. As iscas contém um atrativo, normalmente polpa e casca de laranja oriundas das fábricas de extração de sucos, e um inseticida, misturados de modo que formem granulados que são carregados para o interior dos formigueiros, causando a morte das formigas de 3 a 6 dias.
            Ao se aplicar as iscas tóxicas, deve-se tomar alguns cuidados, como:
            a) A isca deve ser colocada próximo aos olheiros e ao lado do carreiro, sem esparramar. Jamais coloque a isca dentro do olheiro ou sobre os carreiros;
            b) Só aplicar em dias secos e nas horas de maior atividade das formigas;
            c) A quantidade de isca calculada para o formigueiro deve ser distribuída em todos os olheiros de alimentação;
            d) Depois de certo tempo, verificar se o formigueiro foi controlado ou precisa de mais isca ou de outro método de controle.
            A quantidade de isca necessária para controlar os formigueiros depende do tipo de formiga. Assim, para formigas saúvas, a recomendação é utilizar de 5 a 10 gramas de iscas por metro quadrado de formigueiro. Para as quenquéns (de monte, de rodeio ou mineiras), a isca é aplicada na quantidade de 50 a 100g por formigueiro, dependendo do seu tamanho. É importante lembrar que, se for aplicada uma quantidade menor de isca do que a necessária, o formigueiro pode ficar amuado, se em excesso, ocorre desperdício de isca.
            As iscas podem ser aplicadas através de frascos porta-iscas, que podem ser feitos com canudos de taquara ou copos plásticos (Figura 61). Os porta-iscas apresentam algumas vantagens, como, por exemplo:
            a) Protegem as iscas da chuva e do sereno;
            b) Não é necessário procurar o formigueiro;
            c) Recupera a isca, caso as formigas não carreguem;
            d) Há mais economia de mão-de-obra;
            e) É seguro para quem trabalha com o veneno.

 

Figura 61 - Exemplos de recipientes utilizados como porta-iscas para o controle de formigas cortadeiras