Jair Costa Nachtigal & José Carlos Fachinello
10.3.1 Mosca do mediterrâneo -
Ceratitis capitata
A C.
capitata é originária dos países do mediterrâneo,
sendo uma praga que ocorre em climas tropicais e subtropicais, principalmente
na cultura dos citros. No Brasil ela foi encontrada pela primeira vez
em 1905 e, hoje, encontra-se difundida por todo o território nacional,
onde ataca citros, pêssegos, café cereja, pêra, abacate,
goiaba e muitos outros.
A C.
capitata apresenta o ovopositor mais curto que a Anastrepha
spp. anteriores, por isso ataca as frutas em estágio de maturação
mais avançado.
Devido
a sua grande semelhança com a Anastrepha spp, o controle,
em geral, pode ser feito da mesma forma.
10.3.2 Lagarta dos citros - Papiliothoas
brasiliensis
As
lagartas atacam as folhas, prejudicando o desenvolvimento das plantas
na cultura dos citros.
O controle
pode ser feito pela coleta e destruição mecânica das
lagartas, que ficam reunidas, durante o dia, no tronco ou nas folhas.
Pode-se, também, aplicar Bacillus thuringiensis
ou inseticidas específicos.
10.3.3 Broca dos galhos da laranjeira
As principais coleobrocas que causam danos aos citros são
a Diploschema rotundicole, Trachyderes thoracicus,
Macropophora accentifer e Cratosomus reidii, sendo que
a diferenciação delas é feita pela serragem. A serragem
feita pelo Diploschema é constituída de um pó
muito fino; a serragem do Macropophora é constituída
de fragmentos alongados da fibra da madeira e; a serragem do Cratosomus
apresenta-se em forma de pelotas.
As
brocas causam sérios prejuízos, principalmente em pomares
mal cuidados, pois constroem galerias descendentes nos ramos e troncos,
deixando orifícios laterais que podem até causar a morte
da planta.
O controle
pode ser feito através do corte dos ramos atacados, cerca de 20cm
abaixo do último orifício. Quando o ataque ocorre no tronco,
pode-se matar o inseto (larva, pupa ou adulto), no interior das galerias,
utilizando um arame flexível ou através de injeções
de 2 a 3mL de gasolina, querosene ou inseticida de poder fumigante, como
a fosfina em pasta (1cm por orifício), tomando-se o cuidado de
fechar todos os orifícios.
10.3.4 Cochonilhas
As
plantas cítricas são atacadas por uma série de cochonilhas
que causam prejuízos pela sucção de grande quantidade
de seiva, o que pode levar à morte da planta. As cochonilhas com
carapaças provocam danos ainda maiores, pois impedem a transpiração
da planta, deixando as frutas com um aspecto ruim, o que dificulta sua
comercialização, mesmo depois de retiradas as carapaças.
Além disso, injetam toxinas e excretam substâncias açucaradas
sobre as folhas, possibilitando o desenvolvimento do fungo que causa a
fumagina, que por sua vez, dificulta o processo de fotossíntese.
As
principais cochonilhas com carapaças dos citros são a cochonilha
cabeça de prego (Chrysomphalus ficus), escama vírgula
(Mytilococcus beckii), escama farinha (Unaspis citri),
Partaloria spp., cochonilha verde (Coccus hesperidium),
entre outras. Entre as cochonilhas sem carapaça podemos citar a
cochonilha branca (Pseudococcus citri), o pulgão branco
(Icerya purchasi) e a cochonilha de placa (Orthezia
praelonga) (Figura 62).

Figura
62 - Cochonilhas (Orthezia praelonga) em plantas cítricas.
Foto: Fundecitrus
O controle das cochonilhas pode ser realizado através de aplicações de óleo mineral emulsionável a 2%, no inverno, e 1% no verão, podendo-se acrescentar inseticidas específicos As aplicações devem ser realizadas nas horas de menor insolação,, somente nas plantas atacadas e observando o intervalo de segurança dos agrotóxicos utilizados.
10.3.5 Pulgão preto - Toxoptera citricidus
O pulgão
preto dos citros ataca as brotações, as flores e as frutas,
causando deformações destas e, quando o ataque é
muito intenso, ocorre o aparecimento de fumagina. Além disso, o
pulgão preto é transmissor do vírus da tristeza dos
citros, doença de ocorrência endêmica no Brasil (Figura
63).

Figura 63 - Ramos atacados pelo pulgão preto (Toxoptera citricidus). Foto: Jair Costa Nachtigal
O controle pode ser realizado através de aplicações com produtos sistêmicos ou biológicos; através de inimigos naturais, como Pseudodorus clavata, Allograpta exotica, Ocyptamus notatus, Chrysopa lanata, Colleomegila mali, Aphidencyrtus aphidivorus; entre outros. Embora existam inúmeros inimigos naturais e inseticidas sistêmicos, é muito difícil evitar a presença de pulgões nos pomares de citros, por isso recomenda-se utilizar porta-enxertos e cultivares tolerantes e/ou resistentes ao vírus da tristeza, ou cultivares intolerantes pré-imunizadas com estirpes fracas do vírus.
10.3.6 Pulgão verde Apis citricola
O pulgão
verde ocorre, principalmente, no início da fase vegetativa das
culturas e em plantas jovens, causando diminuição do crescimento
pela sucção de seiva e injeção de substâncias
tóxicas.
O controle
químico do pulgão verde é realizado utilizando-se
os mesmos inseticidas utilizados para o controle do pulgão lanígero,
porém só é recomendado quando o ataque for muito
intenso e não ocorrer a presença de inimigos naturais, como
o Aphidius sp., as larvas de Syrphus sp., Ocyptamus
sp., bicho ligeiro (Crysopa sp.), Scymnus sp., Cycloneda
sanguinea e a Eriopis conexa.
10.3.7 Ácaro da falsa ferrugem - Phyllocoptruta
oleivora
O ácaro
da falsa ferrugem, também conhecido por ácaro da ferrugem
ou ácaro da mulata, é uma praga que causa grandes prejuízos
à citricultura brasileira, pois ataca as células epidérmicas
da fruta, o que faz com que as mesmas produzam lignina e, em seguida,
morram (Figura 64).

Figura 64 - Laranjas atacadas com a falsa ferrugem (Phyllocoptruta oleivora). Foto: José Carlos Fachinello
Em frutas verdes, a casca das laranjas adquire cor escura, na maturação
a casca adquire cor de chocolate e nos limões cor de prata. Este
sintoma é conhecido por “laranja mulata” ou “enferrujada”,
pelo aspecto queimado causado pela ação dos raios solares
sobre o conteúdo que extravasa das células picadas. Podem
também atacar as folhas, sintoma conhecido por “mancha de
graxa”, que podem cair em casos de ataques severos.
Os
períodos de maior ataque do ácaro da ferrugem são
de agosto a dezembro em São Paulo; setembro a dezembro no Rio de
Janeiro, Sergipe e Bahia e; outubro a maio no Rio Grande do Sul, sendo
que a sua reprodução ocorre por partenogênese, ou
seja, não necessita a presença do macho para formação
de novos indivíduos.
Segundo
algumas recomendações, o controle deve ser efetuado quando
a infestação atingir 5% das folhas, coletadas ao acaso em
1% das plantas do pomar, de 20 folhas por planta, utilizando produtos
a base de enxofre, acaricidas ou inseticidas sistêmicos.
O ácaro
da ferrugem pode ser controlado por inimigos naturais, como ácaros
predadores, tripes, dípteros, neurópteros e, especialmente,
pelo fungo Hirsutella thompsonii.
10.3.8 Ácaro da leprose - Brevipalpus phoenicis
Este
ácaro só é considerado problema em regiões
onde ocorre a doença conhecida como “leprose dos citros”,
que são lesões nas folhas, ramos novos e frutas, transmitidas
por vírus que é inoculado na planta pelo ácaro. Além
disso, ocorrem superbrotações nas gemas e aparecimento de
fendas no córtex das hastes novas, ocorrendo exudação
de substâncias e morte dos tecidos (Figura 65).
O controle
pode ser realizado da mesma forma que para o ácaro da falsa ferrugem.

Figura 65 - Ataque de leprose em folha e fruta de laranjeira. Foto: Fundecitrus
10.3.9 Minador da folha – Phyllocnistis
citrella
Trata-se
de uma praga importante que ataca as folhas das plantas cítricas
debilitando-as e favorecendo o ataque de outras doenças. Os tratamentos
devem ser iniciados quando aparecerem os primeiros sintomas utilizando-se
inseticidas específicos.
O minador
dos citros ataca brotações novas de todas as variedades
cítricas. Os ovos são depositados nas folhas novas, de onde
emerge a larva, que se alimenta da folha formando galerias. Normalmente
ataca folhas, no entanto, em alta população, pode ser observada
nos ramos das vegetações novas e em frutas. No final da
sua fase de lagarta, o minador migra para a borda das folhas onde constrói
um casulo que a abrigará durante a fase de pupa, até se
tornar adulta. A sua presença nos pomares favorece a contaminação
pela bactéria do cancro
cítrico

Figura 66. Larva e danos do minador da folha em plantas cítricas. Foto: Fundecitrus