Apresentação

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10.5 Videira

Jair Costa Nachtigal & José Carlos Fachinello

10.5.1 Pérola da terra - Eurhizococcus brasiliensis

            A pérola da terra é uma das principais pragas da videira, ocorrendo desde o Rio Grande do Sul até São Paulo. Pode atacar diversas espécies vegetais e, em geral, produz uma geração por ano, sendo que a época de reprodução se estende de novembro a janeiro e a fase de larva quistóide, em geral, de março a outubro (Figura 68).

 

Figura 68 - Larva quistóide de Eurhizococcus brasiliensis. Fotos: Eduardo Hickel

            Por ser um cochonilha subterrânea, o ataque se dá nas raízes, provocando um murchamento das folhas, secamento e queda das mesmas até a morte da planta.
            Não existe nenhum método de controle eficiente para a pérola da terra, porém pode-se utilizar algumas medidas para evitar maiores prejuízos, como o revolvimento do solo, expondo os insetos aos raios solares; calagem profunda durante o repouso vegetativo da planta; uso de porta-enxertos resistentes (39-16 e o 43-43), controlaras as plantas invasoras hospedeiras do inseto, manter as plantas bem nutridas, aplicação de inseticidas granulados sistêmicos no solo; evitar o plantio de mudas embaladas com solo proveniente de áreas com ocorrência desta praga; entre outros.

10.5.2 Filoxera - Phylloxera vitifoliae
            Esta praga é problema nas variedades de uva européia, já que as variedades americanas e híbridas são resistentes ou tolerantes. O ataque, inicialmente, ocorre nas raízes mais finas, causando nodosidades, depois ocorre nas raízes principais com tecido mais lignificado, onde formam tuberosidades que, em seguida, se fendem e apodrecem, causando a morte da planta (Figura 69).
            O controle é feito utilizando-se porta-enxertos de variedades americanas, que são resistentes a esta praga. Para as uvas européias, torna-se obrigatório o uso da enxertia como maneira de se evitar os danos por filoxera.

Figura 69 - Ataque de filoxera (Phylloxera vitifoliae) em folhas de videira. Foto: Jair Costa Nachtigal


10.5.3 Cochonilhas
            As cochonilhas são insetos que sugam a seiva das plantas, provocando fitotoxicidade pela injeção de enzimas digestivas, depositam excreções açucaradas que por sua vez favorecem o aparecimento de fumagina e, em alguns casos, são transmissoras de agentes patogênicos.
As principais espécies cochonilhas encontradas em vinhedos são as cochonilhas-do-tronco (Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869), Duplaspidiotus tesseratus (Charmoy, 1899) e  Duplaspidiotus fossor (Newstead, 1914) (Hemiptera: Diaspididae) e as cochonilhas algodonosas (Pseudococcus spp. e Planococcus spp. (Hemiptera: Pseudococcidae)
            As cochonilhas-do-tronco infestam os ramos velhos da parreira, localizando-se abaixo do ritidoma. Ao se alimentarem, depauperam as plantas e, em casos mais severos, podendo causar até a morte. O controle pode ser feito com o uso de calda sulfocálcica, limpeza das partes atacadas com jatos de água, escovas ou outros equipamentos e pela aplicação de produtos químicos.
            As cochonilhas algodonosas atacam várias partes da planta (folhas, ramos, brotos e raízes), porém os maiores prejuízos ocorrem quando o ataque se dá nos cachos, principalmente no caso de uvas de mesa.
            No caso das cochonilhas, o importante é que o viticultor esteja atento à ocorrência das mesmas no pomar, fazendo vistorias periódicas nas plantas, o que facilita o controle assim que forem notados os primeiros focos desta praga.


10.5.4 Marandová da parreira - Pholus vitis
            Estas lagartas destroem as folhas, causando redução da área foliar.     O controle pode ser realizado da mesma forma que para a lagarta dos citros.


10.5.5 Ácaros da videira
            Os ácaros têm sido pragas importantes em regiões tropicais, onde o clima é quente e seco, favorecendo a multiplicação. As principais espécies que podem ser consideradas pragas da videira são o ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904) (Acari: Tarsonemidae), o ácaro rajado (Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae).
            O ataque de ácaro branco é mais importante quando ocorre em plantas jovens, uma vez que ocorre principalmente nas pontas dos ramos, o que reduz o crescimento e atrasa a formação das plantas. Já, elevadas infestações do ácaro rajado podem causar o desfolhamento das plantas e também o bronzeamento das bagas, quando o ataque ocorre no cacho.
            O aumento da população de ácaros nas videiras, comumente, está associado ao uso indiscriminado de inseticidas não seletivos, o que   causa a morte dos inimigos naturais e, consequentemente, o desequilíbrio do ambiente.
            O controle pode ser realizado através da destruição das folhas caídas durante o inverno e de todo o material eliminado na poda. Pode-se, também, aplicar acaricidas específicos.

10.5.6 Tripes
            As principais espécies de tripes que podem ser encontradas nas parreiras são Selenothrips rubrocinctrus e Frankliniella sp. (Thysanoptera: Thripidae). Os principais danos ocorrem durante a floração, sendo que, nos frutos, no local de postura, ocorre secamento das células, formando uma lesão necrosada em forma de Y, o que reduz o valor comercial. Em muitos casos, o ataque de tripes nos cachos é confundido com o ataque de mosca-das-frutas.
            Não existem produtos registrados para o controle de tripes em videira, sendo que a recomendação para evitar a ocorrência desta praga é manter os cachos aerados e evitar a presença de plantas hospedeiras no parreira.