José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal
11.2.1 Podridão parda
Agente causal: Monilinia fructicola
Em regiões de climas úmidos, a podridão
parda é a principal doença da cultura do pessegueiro, da
ameixeira e da nectarineira. A infestação começa
pelos botões florais, causando murchamento e apodrecimento dos
mesmos, podendo avançar pela flor até o pedúnculo
e causar até mesmo a morte dos ramos.
Os
maiores danos da podridão parda são notados quando o ataque
ocorre nas frutas, próximo e durante a maturação.
Os primeiros sintomas da podridão parda são manifestados
pelo aparecimento de pequenas manchas pardas, em formato circular, as
quais aumentam rapidamente, sendo que em 1 ou 2 dias podem atingir toda
a fruta (Figura 71).
O controle
desta doença deve ser realizado utilizando-se um conjunto de medidas
nas diferentes fases da planta:
a)
Fazer tratamento de inverno utilizando calda sulfocálcica ou produtos
a base de cobre;
b)
Durante a poda, eliminar os ramos que estejam com frutas mumificadas,
se possível retirando-as do pomar;
c)
Fazer pulverizações com fungicidas específicos durante
a floração e na queda das pétalas.;

Figura 71 - Danos provocados pela podridão parda no pêssego. Foto: José Carlos Fachinello.
d) Fazer de 1 a 3 pulverizações para proteção
das frutas, no período pré-colheita, com produtos fungicidas,
podendo ser utilizados os mesmos utilizados na floração,
porém alternando-se os produtos para evitar problemas de resistência;
e)
Deve ser realizado um bom controle de insetos, como a mosca-das-frutas,
pulgões, gorgulhos, Drosophilas, entre outros, pois eles,
ao picarem as frutas, causam ferimentos que permitem a entrada do fungo;
f)
Evitar danos mecânicos às frutas, principalmente durante
as operações de colheita e transporte;
g)
Eliminar as frutas podres que estejam nas plantas ou caídas no
solo;
h)
Fazer desinfeção de materiais e equipamentos, principalmente
aqueles utilizados na colheita e armazenamento das frutas;
11.2.2 Bacteriose
Agente
causal: Xanthomonas pruni
A bacteriose
causa sérios problemas à cultura do pessegueiro, da ameixeira
e da nectarineira, pois é responsável pela queda prematura
das folhas, sendo que existem cultivares, como Premier, Cardeal, Princesa,
Coral, entre outras, que são bastante sensíveis a esta enfermidade.
A bacteriose
pode atacar, também, os ramos, nos quais ocorre o aparecimento
de cancros, e as frutas, nos quais, inicialmente, aparecem manchas pequenas,
circulares e pardas, porém à medida que a doença
progride, as manchas tornam-se maiores, escuras e profundas, freqüentemente
acompanhadas de rachaduras (Figura 72).
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Figura 72 - Ataque da bacteriose em frutos e ramos de pessegueiro. Fotos: José Carlos Fachinello e Jair Costa Nachtigal
O ataque desta bactéria é um problema bastante grave na
cultura da ameixeira, de modo que pode até mesmo provocar a morte
das plantas, em cultivares suscetíveis.
O controle
químico desta doença não tem se mostrado eficiente,
porém algumas medidas podem ser tomadas a fim de evitar-se maiores
problemas:
a)
Utilizar cultivares resistentes ou menos suscetíveis;
b)
Instalar os pomares em lugares abrigados ou utilizar quebra-ventos, já
que a principal forma de disseminação da bactéria
é pelo vento;
c)
Evitar o plantio em solos arenosos;
d)
Evitar o plantio de cultivares de pessegueiro e ameixeira suscetíveis
próximas umas das outras;
e)
Podar e destruir os ramos com cancro durante o verão e outono;
f)
Plantas enfraquecidas por nutrição deficiente são
mais sensíveis à doença, do mesmo modo que plantas
com excesso de nitrogênio.
11.2.3 Crespeira verdadeira
Agente causal: Taphrina deformans
A crespeira verdadeira é uma doença caracterizada
pela deformação das folhas, as quais tornam-se entumecidas
e encurvadas para dentro. Com o avançar da doença, elas
adquirem diversas colorações, amarelo-esverdeada, cinza-amarelada
e mais tarde amarelo-pardas, e acabam caindo (Figura 73). Com isso, a
planta torna-se incapaz de suportar as frutas, que acabam tendo um desenvolvimento
insuficiente ou mesmo caindo.
Para controlar a crespeira verdadeira, pode-se utilizar o tratamento de
inverno com calda sulfocálcica ou calda bordalesa ou, durante o
inchamento das gemas, fazer pulverizações com fungicidas
específicos.

Figura 73 - Ataque de crespeira verdadeira em folhas de pessegueiro. Foto José Carlos Fachinello
11.2.4 Ferrugem
Agente
causal: Tranzchelia pruni-spinosae
O fungo
pode atacar ramos e frutas, porém o maior dano é provocado
quando o ataque ocorre nas folha (Figura 74), devido a causar o desfolhamento
precoce, impedindo que a planta possa armazenar quantidades suficientes
de reservas.
O ataque
da ferrugem assume maior importância no final do ciclo, já
que, na maioria dos casos, o agricultor suspende a aplicação
de produtos fungicidas após a colheita das frutas. Portanto, após
a colheita, deve-se continuar com um programa de pulverizações
com fungicidas específicos e adubação nitrogenada
em pós-colheita.

Figura 74 – Ataque de ferrugem nas folhas de pessegueiro. Foto: José Carlos Fachinello.
11.2.5 Sarna
Agente
causal: Cladosporium carpophilum
A sarna
ataca as frutas causando, inicialmente, o aparecimento de pontos circulares
de coloração verde-oliva, posteriormente estes pontos evoluem
formando manchas escuras, irregulares, que rompem a epiderme e possibilitam
a entrada de doenças (Figura 75).

Figura 75 - Ataque de sarna no pêssego. Foto: Jair Costa Nachtigal
O controle pode ser feito pela aplicação de produtos fungicidas ou enxofre micronizado na queda das pétalas. A circulação de ar no pomar também diminui a ocorrência da sarna, por diminuir a umidade nos órgãos das plantas.