José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal
11.4.1 Sarna
Agente
causal: Venturia inaequalis
A sarna
constitui-se na doença que requer o maior número de tratamentos
fungicidas, face às condições climáticas brasileiras,
que são muito favoráveis ao desenvolvimento desta doença.
O fungo causador da sarna, durante a primavera, é encontrado sob
a forma imperfeita, denominada de Spilocaea pomi, nas folhas
velhas caídas no chão. A partir destas, ocorrem as infecções
do pomar durante a fase de crescimento vegetativo das plantas.
O ataque
da sarna ocorre principalmente nas folhas e frutas, podendo também
ser notado em flores e ramos. Inicialmente, os sintomas são apresentados
na forma de manchas translúcidas, evoluindo para uma forma de micélio
e esporos de cor negra. Em frutas jovens, podem ser provocadas deformações
e rachaduras que reduzem o seu valor comercial (Figura 81).

Figura 81 - Ataque de sarna da macieira
nas frutas. Foto: José Carlos Fachinello
O controle
da sarna pode ser realizado de maneira bastante eficiente utilizando-se
um conjunto de estratégias. Para isso, é necessário
o pleno conhecimento do ciclo de vida do fungo causador desta doença.
Cabe
salientar que o melhor método de controle consiste no uso de variedades
geneticamente resistente ao fungo. No ano de 1994 foi lançada a
cultivar Fred Hough, tida como resistente ao ataque da sarna, porém
as pesquisas em todo o mundo continuam no sentido de obter resistência
a doença e frutas de qualidade.
O controle
químico é, hoje, o método mais eficiente e utilizado
para impedir os danos causados pela sarna. Basicamente, o controle químico
é dividido em dois períodos, ou seja, tratamento de primavera
e tratamento de outono.
O uso
de estações de aviso e os tratamentos específicos
com fungicidas são ferramentas importantes para deter a doença.
Tratamento de primavera
O período
crítico da infecção da sarna começa quando
a macieira inicia a brotação, ou seja, quando as gemas floríferas
atingem o estádio fenológico de pontas verdes (Estádio
C), até meados ou final do mês de novembro.
O momento
de aplicar os produtos fungicidas pode ser determinado de duas maneiras:
a)
Períodos pré-estabelecidos, sendo que os tratamentos são
iniciados a partir de 20% das gemas no estádio C e com referência
nos demais estádios fenológicos;
b)
Determinação dos períodos de infecção
através de sistemas de alerta. Para determinar o período
de infecção são necessários dois equipamentos:
o aspergígrafo, que registra o tempo que a folha da macieira permanece
molhada, e o termohigrógrafo, que determina a temperatura e a umidade
relativa do ar atmosférico, e comparam-se os dados com a Tabela
de Mills.
O importante,
para um controle eficiente da sarna, é que sejam evitadas as infecções
primárias.
Com
relação ao sistema de controle, podemos ter 3 sistemas diferentes:
a)
Controle preventivo - consiste em aplicar produtos fungicidas denominados
de protetores ou de contato que formam um filme protetor sobre a superfície
foliar. Dependendo da pluviosidade e do crescimento das plantas, os tratamentos
devem ser repetidos a cada 5 a 7 dias;
b)
Controle curativo - consiste em aplicar fungicidas com atividade curativa
logo após ter ocorrido o período de infecção,
porém antes de ocorrer o limite da atividade pós-infecção
do fungo. Para isto recorre-se à Tabela de Mills.
c) Controle combinado - consiste em aplicações alternadas ou mesmo em misturas de tanques com fungicidas de atividade protetora (2/3 da dose) e fungicidas de ação curativa (1/2 da dose). Este tipo de controle é recomendado principalmente na fase crítica de ocorrência da sarna.
Tratamento de outono
O tratamento de outono é realizado após a colheita
e antes da queda natural das folhas e tem como objetivo reduzir ou evitar
a produção de ascosporos, reduzindo, desta forma, o potencial
de inóculo da doença.
11.4.2 Podridão amarga
Agente
causal: Glomerella cingulata, na fase sexual, e Colletrotrichum
gloeosporioides, na fase assexual.
O ataque
deste fungo, nas frutas, causa o aparecimento de manchas de cor marrom,
aprofundadas no centro. Embora os sintomas desta doença só
apareçam à medida em que as frutas amadurecem, o ataque
ocorre logo após a queda das pétalas, podendo, também,
ocorrer nos ramos e nas folhas (Figura 82).

Figura 82 - Ataque de podridão amarga em maçãs. Foto: José Carlos Fachinello
O controle da podridão amarga pode ser feito através de aplicações preventivas com fungicidas específicos, iniciando-se a partir da queda das pétalas (estádio H) até a colheita. Recomenda-se a remoção das frutas mumificadas, dos ramos com cancro, das frutas atacadas e a proteção dos ferimentos causados pela poda.
11.4.3 Podridão do colo
Agente
causal: Phytophthora cactorum
A podridão
do colo é uma das principais doenças do sistema radicular
da macieira, principalmente quando utiliza-se porta-enxertos da série
M, podendo causar a morte de até 30% das plantas no 3o e 4o anos.
Ocorre
normalmente no tronco das plantas, logo abaixo ou logo acima do nível
do solo, aparecendo inicialmente uma coloração violeta no
local da infecção. O lenho, inicialmente, fica necrosado,
com tecidos encharcados e há despreendimento de odores fortes.
Após, observa-se rachaduras irregulares de cor preta.
As
plantas atacadas apresentam problemas de ancoragem e podem ser facilmente
inclinadas ou arrancadas.
O método
de controle mais eficiente e econômico desta doença consiste
na utilização de porta-enxertos da série MM, que
são mais resistentes do que os da série EM. O controle químico
pode ser utilizado fungicida específico na forma de pulverização
ou pincelamento após a raspagem do local afetado.
O controle
biológico pode também ser utilizado através da colonização
do solo com o fungo Trichoderma. Porém o melhor é
prevenir a entrada da doença, para isso deve-se evitar o plantio
em solos mal drenados, evitar ferimentos nas raízes e tronco das
plantas e evitar a presença de ervas daninhas e cobertura morta
que mantêm uma alta de umidade na região do colo da planta.
11.4.4 Podridão das raízes
Existem
diversos fungos que causam sérios danos às raízes
das macieiras. Os principais fungos são Armillaria mellea,
Roselinia spp, Xylaria spp, Rizoctonia spp
e Sclerotium spp, podendo causar sérios prejuízos
ao desenvolvimento e produção das plantas.
Para
evitar os problemas de podridões, recomenda-se evitar o plantio
em solos mal drenados e recém desmatados. No caso de replantio,
deve-se fazer a desinfecção do solo com um mês antecedência
e 15 dias após aplicar uma dose/cova do fungo Trichoderma.
11.4.5 Doenças pós-colheita
Fungos
como o Penicillium spp, Alternaria spp, Rhysopus
spp, Botrytis spp, Glomerella cingulata, Phoma
spp, Pestalotia spp, entre outros, podem causar inúmeras
perdas devido a causarem podridões nas frutas, principalmente durante
o armazenamento prolongado em câmaras frias.
Para
controle recomenda-se que as frutas não sofram danos mecânicos
e que sejam mantidos em condições de temperatura e umidade
adequados, específico para cada cultivar.
O uso de fungicidas ou outros tratamentos alternativos dependem da legislação
vigente e do tempo que a fruta vai ser armazenada.
11.4.6 Entomosporiose
Agente
causal: Fabraea maculata (forma perfeita) e Entomosporium
maculatum (forma imperfeita).
A entomosporiose,
além da pereira, causa sérios danos ao marmeleiro e também
pode atacar outras rosáceas.
Os
sintomas desta doença aparecem nas folhas, ramos e frutas. Nas
folhas, caracterizam-se por manchas necróticas, de coloração
marrom-pardacenta, coalescentes, formando uma lesão grande de formato
irregular. Nos ramos, são encontradas pequenas lesões necróticas
nos tecidos jovens, as quais evoluem para rachaduras e fendilhamentos.
Nas frutas, os sintomas se caracterizam pelo aparecimento de pequenas
manchas necróticas, pardo-escuras, com o centro deprimido e que
podem atingir toda a fruta.
O controle
da entomosporiose pode ser realizado através de pulverizações
com produtos fungicidas cúpricos, sendo que a primeira aplicação
deve ser realizada logo após a poda de inverno, devendo-se repetí-las
periodicamente. Medidas preventivas, como poda de formação
e limpeza, que permitam uma boa aplicação dos produtos fungicidas,
bem como a eliminação de fontes de inóculos, podem
auxiliar no controle da entomosporiose.

Figura 83 – Sintomas do ataque de entomosporiose em pereira. Foto: José Carlos Fachinello
11.4.7 Mancha das folhas e frutos
Também
conhecida como mancha-foliar-de-glomerella ou mancha da gala, foi constatada
pela primeira vez em 1993, no Paraná. Mais tarde, disseminou-se
para Fraiburgo, SC, e depois para as demais regiões produtoras
do Sul do Brasil.
O agente
causal é Glomerella cingulata (Colletotrichum
gloeosporioides), que se manifesta durante o verão causando
desfolhamento severo das macieiras. As cultivares Gala e Golden Delicious
são bastante sensíveis a esta doença, ao passo que
a cv. Fuji e outras cultivares do grupo Delicious não são
atacadas.
As
práticas de controle mais importantes são as que buscam
reduzir as fontes de infecção, para que, no ciclo seguinte,
haja a menor quantidade possível de inóculo. Pulverizações
com fungicidas convencionais têm sido eficientes para o controle
desta doença.

Figura 84 – Ataque de Glomerella cingulata em folhas de macieira. Foto: José Carlos Fachinello