José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal
11.5.1 Antracnose
Agente
causal: Colletotrichum spp
A antracnose
é uma doença que ataca um grande número de espécies
frutíferas, como a videira, goiabeira, abacateiro, acerola, mangueira,
caquizeiro, citros, mamoeiro, entre outras.
O ataque,
na videira, causa o aparecimento de manchas castanho-avermelhadas e queda
nas folhas; nos pecíolos, ocorrem manchas alongadas e encarquilhamento
do tecido; surgem manchas castanhas, cancro e depressões nos ramos
novos; nas bagas surgem manchas redondas, de coloração escura
que se fundem e racham. As frutas atacadas normalmente não atingem
a maturação, reduzindo a produção ou provocando
perda total (Figura 85).
![]() |
![]() |
Figura 85 - Ataque de antracnose em ramos de videira, folhas e frutos de videira. Fotos: Jair Costa Nachtigal e José Carlos Fachinello
O controle pode ser realizado através da aplicação de calda sulfocálcica ou calda bordalesa (2%), durante o período de inverno. No período vegetativo, pode-se fazer pulverizações com fungicidas específicos, de forma preventiva. Outra medida importante de controle é queimar os ramos retirados com a poda.
11.5.2 Peronóspora, míldio, mufla ou mofo
Agente
causal: Plasmopara viticola
Inicialmente,
esta doença provoca aparecimento de uma “mancha de óleo”
na folha. Na parte inferior das folhas, no lugar das “manchas de
óleo”, surge uma pulverulência branca que se desprende
facilmente. Essas pulverulências são as frutificações
do fungo (conidióforos).
A temperatura
ideal para o desenvolvimento do míldio fica entre 18ºC a 25ºC.
O fungo necessita de água livre nos tecidos por um período
mínimo de 2 horas para haver infecção.
Nas
folhas velhas as manchas são pequenas e angulosas, limitadas pelas
nervuras. Nas brotações, a contaminação provoca
o aparecimento de manchas amarelo-lívidas, tornando-se pardacentas
(Figura 86).

Figura 86 - Sintoma de míldio em folhas de videira. Foto: José Carlos Fachinello
O ataque nos cachos provoca o encurtamento da extremidade do mesmo, sendo
que, na maioria das vezes, a doença se manifesta nas bagas, podendo
ser uma podridão cinzenta, quando o ataque ocorre nas frutas recém
formadas, ou podridão parda, quanto nas frutas verdes já
desenvolvidas.
O método
de controle mais utilizado é a aplicação de fungicidas,
desde o início da brotação até a floração.
Depois, aplicar calda bordalesa (1%) a cada 2 semanas. Práticas
culturais que melhorem a ventilação também podem
evitar os danos desta doença.
11.5.3 Oídio
Agente
causal: Uncinula necator
O oídio
é uma doença que se desenvolve na superfície dos
órgãos verdes, enquanto o míldio se desenvolve no
interior destes.
Esta
doença pode aparecer nas folhas, nas quais provocam frisamento
dos bordos seguido do aparecimento de manchas difusas de um pó
acizentado. O limbo cresce mais rapidamente, o que causa deformação
da folha.
Nos
ramos, o ataque é caracterizado pela presença de manchas
pardacentas e as extremidades tornam-se esbranquiçadas. No cacho,
quando o ataque ocorre antes da floração, provoca queda
das flores; já em fase mais adiantada, ocorre aparecimento de manchas
e crescimento pulverulento do fungo, o que provoca paralisação
do crescimento e queda prematura das bagas (Figura 87).
![]() |
![]() |
Figura 87 - Sintomas do ataque de oídio em folhas e frutos de videira. Fotos: Glaucia de Figueiredo Nachtigal
Para controle do míldio podem ser realizadas pulverizações a base de enxofre ou de fungicidas específicos, por ocasião do surgimento dos primeiros sintomas da doença.
11.5.4 Podridão cinzenta
Agente
causal: Botrytis cinerea
Este
fungo ataca um grande número de plantas e, na videira, pode ocorrer
em folhas, ramos, inflorescências e nos cachos, onde causa os maiores
prejuízos. Neste caso a infecção progride a partir
de uma baga doente, espalhando-se para as vizinhas sadias, o que causa
perdas parciais ou totais dos cachos (Figura 88).

Figura 88 - Ataque de podridão cinzenta em cachos de uva. Foto: Olavo Roberto Sonego.
Os principais sintomas desta podridão são a formação
de um micélio feltrudo e uma alteração castanha dos
tecidos.
Depois
do ataque de Botrytis, as bagas podem também serem invadidas
por outros fungos, como o Penicillium e o Aspergillus,
que aumentam ainda mais as perdas.