Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten
As plantas frutíferas podem ser dispostas no pomar de várias
formas. Esta disposição, basicamente, está relacionada
com:
a)
Topografia;
b)
Densidade de plantio;
c)
Tipo de mecanização;
d)
Porte do porta-enxerto e cultivar-copa; e
e)
Necessidade de aproveitamento da área disponível.
Em
terrenos não sujeitos à erosão, ou seja, em terrenos
com pouca declividade, as plantas frutíferas podem ser dispostas
em desenhos geométricos, entretanto, em terrenos com acentuada
inclinação, as plantas devem ser dispostas de maneira que
formem fileiras perpendiculares ao sentido da maior inclinação
do terreno.
Independente
do tipo de solo, as práticas culturais devem fazer uma cobertura
permanente do pomar, evitando-se assim as perdas do solo por erosão.
3.8.1 Formas geométricas
No caso de solos planos, onde não existe o risco de perdas do solo por erosão, pode-se optar por alinhamentos que formam figuras geométricas. As principais são:
Retângulo
Em terrenos planos, este sistema, atualmente, é o mais utilizado,
por facilitar o trânsito interno no pomar, pois as fileiras ficam
afastadas, facilitando os tratos culturais mecanizados, como a aplicação
de tratamentos fitossanitários, que neste sistema dispensam a interrupção
da pulverização entre uma planta e outra, visto que as mesmas
se encontram próximas dentro da fila.
O sistema
de retângulo permite melhor aproveitamento das adubações
pelas plantas frutíferas e torna viável o cultivo intercalar
de plantas anuais nos primeiros anos de implantação do pomar,
propiciando um retorno financeiro enquanto as plantas frutíferas
permanecem improdutivas.

Figura 23 - Esquema de um pomar na forma de retângulo. Figura: Jair Costa Nachtigal
A
determinação do número de plantas é feita
da seguinte forma:
Número de plantas = S/L x l
onde: S = área a ser plantada
l = lado menor
L = lado maior
Exemplo: Plantio de 1ha de pessegueiro no espaçamento 6 x 4 m.
Número de Plantas = 10.000 m2/24m2 = 417 plantas.ha-1
Quadrado
Esta disposição mantém a mesma distância entre as plantas e entre as filas e permite o tráfego de máquinas e equipamentos em dois sentidos, porém diminui a área útil do terreno e dificulta os tratos culturais mecanizados, em virtude de que aproxima as linhas das plantas. Este sistema é pouco emprego em pomares comerciais.
Figura
24 - Esquema de um pomar na forma quadrangular. Figura: Jair
Costa Nachtigal
A
determinação do número de plantas é feita
da seguinte forma:
Número de plantas = S/LxL
onde: S = área a ser plantada
L = lado do quadrado
Exemplo: Plantio de 1ha de goiabeira no espaçamento de 5 x 5 m.
Número de Plantas = 10.000 m2/ 25 m2 = 400 plantas.ha-1
Triângulo
Esta disposição também é pouco empregada, sendo que apresenta as seguintes características: uma eqüidistância entre as plantas, permite o trânsito em três sentidos, utiliza o terreno de uma maneira bastante uniforme e permite um aumento de aproximadamente 15% no número de plantas por área, em relação ao sistema quadrado.

Figura 25 - Esquema de um pomar na forma triangular
A determinação do número de plantas é feita da seguinte forma:
Número de plantas = S/LxL x 1/0,866
onde: S = área a ser plantada
L = lado do triângulo
h = Ö3/2 = 0,866
Exemplo: Plantio de 1ha de abacateiro no espaçamento de 7 x 7m.
A altura do triângulo é dada pela fórmula h = L. Ö3/2
h = 7 x 0,866 = 6,062 m
Número de Plantas = 10.000 m2/7x6,062m2 = 235 plantas.ha-1
ou
Número de Plantas = 10.000m2/7x7 x 1/0,866 = 235 plantas.ha-1
Quincôncio
Este sistema pode ser definido como uma sobreposição de
dois sistemas quadrados. Esta disposição pode ser aplicada
na implantação de pomares em que se consorcia duas espécies
frutíferas.
A consorciação
de espécies é viável quando se deseja instalar um
pomar de uma espécie frutífera que apresenta um longo período
improdutivo, como, por exemplo, a nogueira-pecan. Neste caso, podemos
implantar entre as fileiras desta espécie, mudas de pessegueiro
ou outra frutífera de reduzido período improdutivo e que
permita obter retorno dos investimentos num menor período de tempo.
Também, ao invés de usar uma espécie complementar
para a nogueira-pecan, poder-se-ia usar a mesma espécie para esta
disposição, mas neste caso torna-se necessário um
desbaste das plantas no momento em que houver concorrência por espaço
físico entre as mesmas.
Esta
disposição de plantas tem o inconveniente de dificultar
o trânsito de implementos, em virtude da proximidade das fileiras.

Figura 26 - Esquema de um pomar na forma de quincôncio
3.8.2 Disposição das plantas em contorno
Em solos que apresentam declividade deve-se optar por sistemas que permitam um bom controle da erosão. Nesta situação, deve-se combinar as práticas de conservação incluindo a cobertura permanente do solo.
Plantio em fileiras paralelas entre os terraços
Esta forma de disposição das plantas permite que se mantenha
constante a distância entre fileiras. As fileiras de plantas devem
ser demarcadas a partir de um determinado terraço, em ambas as
direções, ou seja, para cima e para baixo. Desta forma,
este terraço não terá contato com nenhuma fileira
de plantas.
Neste
sistema de disposição de plantas não ocorrem linhas
mortas, ou seja, fileiras que não entram em contato com os carreadores
junto ao terraço.
Os
carreadores devem ser dispostos junto aos terraços em que desembocam
as fileiras de plantas, o que acontece a cada dois terraços; deste
modo, evitar-se-á a erosão nos carreadores.

Figura 27 - Esquema de um pomar implantado em fileiras paralelas ao terraço.
Plantio em fileiras em nível entre os terraços
Neste sistema, as fileiras não obedecem a um paralelismo e sim ao declive do terreno, havendo maior ou menor afastamento das fileiras de plantas, dependendo do gradiente de inclinação da área. Neste caso, dependendo do espaçamento entre plantas e entre terraços utilizados, poderão ocorrer fileiras mortas. Para que não ocorram linhas mortas, evita-se uma aproximação além do permitido entre as filas, que é de no máximo 20% do espaçamento, para mais ou para menos, na aproximação ou afastamento das fileiras.
Figura 28 - Esquema de um pomar implantado em fileiras em nível entre os terraços
Plantio das mudas em curva de nível
Este sistema não é muito utilizado em pomares comerciais.
Apresenta a inconveniência da variabilidade do afastamento das
fileiras de plantas, o que faz surgir fileiras mortas. Para evitar este
tipo de problema, pode-se aproximar as plantas nas fileiras quando estas
se afastam.

Figura 29 - Esquema de um pomar implantado com fileiras em nível.
3.8.3 Plantio sobre camalhões
É um sistema de plantio amplamente utilizado por oferecer diversos
benefícios. Em primeiro lugar, cada camalhão faz o papel
de um terraço, assim controlando efetivamente a erosão,
mesmo nos terrenos com inclinação até 20%. Em segundo
lugar, a planta instalada sobre o camalhão torna-se mais produtiva
que outras em terreno plano por ter à disposição,
sobre o terraço, solo altamente fértil, constituído
pela camada superficial que foi amontoada no camalhão.
No
terreno são marcadas as curvas com um desnível de 0,5 a
0,8 %, dependendo do tipo de solo. Para isso, inicia-se a marcação
do ponto mais alto do terreno, com auxílio de aparelho, e se determinam
os pontos com o desnível desejado, procurando-se identificá-los
através de estacas.
Não
é necessário marcar todas as curvas individualmente, ou
seja, pode-se marcar a primeira no ponto mais alto do terreno e, as demais,
a cada 20 ou 30 metros. Entre elas, intercala-se as curvas, com auxílio
de uma corda, no espaçamento desejado. Permite-se que as curvas
se aproximem ou se afastem até 20% do espaçamento escolhido,
além destes limites, são intercaladas novas curvas.
O camalhão
é constituído sobre a curva demarcada, deixando-se 2 ou
3m de base. Normalmente isto é realizado com 4 passadas de arado
de disco reversíveis, duas de cada lado da linha.
Figura 30 - Esquema de um pomar implantado em
camalhão
3.8.4 Plantio em patamar
A construção de patamares somente é empregada em
terrenos com altos índices de declividade, acima de 20%, como nos
vinhedos na Serra Gaúcha. A base do patamar deve ter inclinação
contrária à inclinação do terreno, para propiciar
a infiltração da água da chuva, evitando o escorrimento.
Recomenda-se
que a superfície vertical do patamar seja protegida com pedras,
quando isto for viável, ou ficar permanentemente relvado para evitar
o desmoronamento. As plantas são dispostas em fileiras sobre a
base do patamar. Os patamares podem ser contínuos, descontínuos
(banquetas) e patamares de irrigação.

Figura 31 - Esquema de um pomar implantado em
patamar contínuo