Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten
As plantas frutíferas apresentam um sistema radicular que se concentra
numa faixa de 0 a 40cm, entretanto é possível que algumas
espécies atinjam até alguns metros de profundidade.
O solo,
portanto, deve ser profundo, bem drenado e conter nutrientes e água
em quantidades adequadas para que a planta alcance um bom desenvolvimento.
O solo
deve ser preparado até uma profundidade de 40 a 50cm, para que
seja possível incorporar os fertilizantes e corretivos. Para isso,
é utilizada subsolagem seguida de lavração profunda,
quando as condições do terreno permitirem.
Para
plantas frutíferas, o solo deve ser corrigido até uma profundidade
de 40cm, portanto a quantidade de corretivos deve ser duplicada, uma vez
que a análise de solo prescreve os corretivos para uma faixa que
vai até 20cm de profundidade.
Durante
o preparo do solo, antes do plantio, é a melhor ocasião
para incorporar os corretivos em profundidade, tendo-se em vista que os
mesmos são pouco móveis no solo; e que, depois de implantado
o pomar, as dificuldades para colocá-los a disposição
do sistema radicular seriam aumentadas.
O preparo
do solo de maneira superficial dificulta a penetração do
sistema radicular da planta e limita a disponibilidade de nutrientes e
água, provocando menor crescimento das mesmas, podendo, em algumas
situações, aumentar o risco de erosão pela menor
retenção de água das chuvas.
Deve-se
levar em conta o tipo de solo e a declividade do terreno, condições
climáticas, recursos do fruticultor, espécie cultivada,
condução da planta e área do pomar.
Em
terrenos pedregosos ou muito acidentados o preparo normalmente é
feito em covas.
4.2.1 Preparo do solo com subsolagem e lavração
profunda
A subsolagem
é uma prática realizada a uma profundidade de 40 a 50cm
no solo, seguida de lavração e gradagem.
Este
sistema permite colocar os nutrientes em maiores profundidades e a disposição
das raízes das plantas, melhorando a aeração do solo,
e a infiltração de água, além de romper camadas
adensadas existentes, facilitando a penetração e o desenvolvimento
do sistema radicular das plantas.
Esta
forma de cultivo não pode ser utilizada em solos rasos, pedregosos
ou que apresentem horizonte com adensamento. Exige máquinas apropriadas
e apresenta um custo inicial mais elevado.
O calcário
e os demais corretivos podem ser aplicados em duas etapas; metade da quantidade
antes da subsolagem e a outra metade antes da lavração.
Quando
for usado um fosfato natural, como fonte de P2O5, deve-se aplicá-lo
antes da aplicação do calcário, pois em meio ácido
esta fonte de fósforo se solubiliza mais facilmente, aproveitando,
desta forma, a acidez natural do solo.
Os
corretivos são aplicados em toda a área e, por ocasião
do plantio, faz-se abertura de pequenas covas, com tamanho suficiente
para acomodar o sistema radicular da planta, não havendo necessidade
de adubação nas covas.
O plantio
das mudas, dependendo da declividade, poderá ser:
a)
Em nível, quando a declividade do terreno for menor do que 3%;
b)
Com construção de terraços, quando a declividade
for menor do que 20% e;
c)
Em patamares, quando a declividade for superior a 20%.
4.2.2 Preparo convencional do solo seguido ou
não de abertura de covas
Neste
sistema o solo é preparado e corrigido até uma profundidade
de 20 a 25cm, em seguida são abertas covas de 60 x 60 x 60 ou 80
x 80 x 80cm. Os fertilizantes são utilizados de acordo com o volume
do solo e os resultados da análise do mesmo. Este sistema pode
ser utilizado em situações onde não é possível
realizar o preparo do solo, devido à presença de impedimentos
à mecanização, tais como pedras e declive acentuado,
ou quando a espécie a ser cultivada não apresenta um sistema
radicular profundo.
Em
solos mal drenados ou muito argilosos a utilização de covas
pode provocar acúmulo de água e morte das raízes
por asfixia. Em outras situações, a adubação
na cova cria um ambiente propício ao desenvolvimento da planta
e não permite que haja uma expansão lateral, quer por problemas
mecânicos (parede espessa) ou químicos (maior disponibilidade
de nutrientes na cova).
4.2.3 Preparo convencional seguido da construção
de terraços tipo camalhão
O solo
é preparado até uma profundidade de 20 a 40cm, ao mesmo
tempo em que é realizada a correção de acordo com
os resultados da análise do solo.
Sobre
o solo previamente preparado são construídos camalhões,
ou seja, terraços de base estreita com 2,0 a 3,0m de largura e
40 a 60cm de altura, sobre os quais são plantadas as mudas, conforme
indica a Figura 34.
Figura 34
- Corte de um terraço, mostrando sua localização,
bem como a do canal
Os camalhões são construídos com trator equipados
com arados reversíveis, locados em nível ou desnível
de 0,3 a 0,8%. A distância entre eles pode ser de 5 a 10m dependendo
da espécie a ser cultivada.
Pode
ser utilizado em terrenos de até 20% de declividade. Permite um
bom desenvolvimento radicular da planta, pois aumenta a quantidade de
solo arável a ser explorado; preparo totalmente mecanizado; contribui
para o controle da erosão e auxilia a drenagem em solos planos.
4.2.4 Preparo do solo em faixas
Consiste
em preparar apenas uma faixa do terreno, na qual será plantada
a espécie frutífera. A faixa de preparo, dependendo do terreno,
pode ser em nível e ter uma largura de até 2,5m.
Nesta
faixa são aplicados todos os corretivos e a muda é plantada
sobre solo preparado. A medida que a planta vai crescendo, a faixa de
cultivo pode ser ampliada. Entre as duas filas de plantas pode permanecer
uma faixa de vegetação nativa ceifada periodicamente, conforme
Figura 35.
O preparo
do solo pode ser com subsolagem e lavração profunda ou ainda
lavração convencional seguida da construção
de camalhões.
Este
sistema tem um custo menor na instalação do pomar e permite
um bom controle da erosão do solo. A desvantagem seria que ele
não permite a instalação de culturas intercalares
no pomar.

Figura 35 - Sistema de cultivo onde as linhas de plantas são mantidas limpas e as entrelinhas com cobertura vegetal. Foto: José Carlos Fachinello
4.2.5 Plantio em terraços tipo patamar
Este
sistema envolve grande movimentação de solo e é restrito
a áreas que apresentam riscos de erosão, com declividade
superior a 20%, e para culturas de alto rendimento econômico, devido
ao elevado custo da construção.
Deve-se
dar preferência para o plantio em solos planos e com outros sistemas
de preparo do solo. Este sistema é utilizado na região da
serra do RS, com viticultura.
Existem
três tipos de terraços em patamar: patamar contínuo,
utilizado em culturas permanentes; patamar descontínuo ou "banquetas
individuais", construído para cada planta do pomar a ser formado
e; por último, o patamar de irrigação.
Este
sistema é muito oneroso, pois implica em grandes movimentações
de solo.
4.2.6 Outros sistemas e disposição
dos carreadores
É
possível, ainda, o cultivo de plantas em trincheiras, banquetas
individuais, entre outras. A escolha do melhor sistema ficará na
dependência da espécie frutífera, espaçamento,
condições climáticas, solo, topografia, disponibilidade
de equipamentos e recursos financeiros.
Os
carreadores, sempre que possível, devem ser planejados e em nível.
Toda água que sai do pomar deve ser canalizada para escoadouros
protegidos, para evitar-se problemas com erosão em voçorocas,
principalmente.
4.2.7 Características do uso de
máquinas no pomar
A utilização
de equipamentos com tração mecânica permite grande
rendimento do trabalho e a execução das atividades dentro
do menor espaço de tempo.
Para
que as máquinas diminuam os riscos de erosão, adensamento
do solo e danos sobre as plantas, recomenda-se:
a)
Evitar o uso de máquinas pesadas, pois provocam adensamento no
solo e danificam as plantas;
b)
Evitar o uso contínuo de equipamentos que pulverizam o solo, como
as enxadas rotativas, pois contribuem para aumentar a erosão do
solo;
c)
O trabalho no solo com arados e grades deve ser superficial e realizado
nas épocas adequadas para cada cultura;
d)
Os equipamentos devem ser apropriados para as atividades dentro do pomar.