Apresentação

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Sistemas de cultivo do pomar depois do plantio das mudas

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

O sistema de cultivo ou manejo do solo refere-se às práticas culturais aplicadas à superfície do solo e deve levar em conta:

            a) Conservação da umidade e aeração do solo;
            b) Adição de matéria orgânica e fertilizantes;
            c) Conservação das características físicas do solo;
            d) Facilitar o trânsito de máquinas e homens no pomar;
            e) Controle de erosão e plantas daninhas;
            f) Economicidade e possibilidade de efetuação com mão-de-obra e equipamentos disponíveis;
            g) Dimensão da área, espécie e espaçamento utilizado;
            h) Topografia e clima.

            A seguir é mostrado um esquema das técnicas de manutenção do solo em pomares de frutíferas:

4.3.1  Pomar em formação
            Nos primeiros anos de vida do pomar, recomenda-se manter uma faixa de solo limpa periodicamente ao longo da linha das plantas. Esta faixa deve ser um pouco maior que a projeção da copa das plantas. A área entre as filas de plantas é mantida com cobertura vegetal nativa ceifada ou, principalmente, com culturas intercalares de porte baixo, tais como: feijão, soja, amendoim, aveia, trevo, entre outras. Este cultivo intercalar deve receber adubação apropriada e não deve competir com a muda em luz, umidade e nutrientes.
            O cultivo intercalar é uma prática muito utilizada, pois, mantém uma cobertura do solo, evitando problemas de erosão e propiciando melhorias nas condições físicas e químicas do solo.
            Quando bem sucedidas, as culturas intercalares contribuem para custear as despesas do pomar na fase de implantação. É importante que o solo permaneça sempre com algum tipo de cobertura, assim diminui-se as perdas pela erosão.

4.3.2  Pomar em produção
            As plantas frutíferas para se desenvolverem necessitam encontrar, no solo, água, ar e nutrientes minerais. Estas condições são básicas e precisam ser consideradas quando se pretende estabelecer um bom sistema de manejo do solo.
            Em locais onde ocorre déficit hídrico por longos períodos é necessário prever práticas de irrigação. Já em solos com excesso de água, é necessário executar um sistema de drenagem eficiente, pois as plantas frutíferas não toleram solos encharcados ou com lençol freático muito próximo à superfície.

Pomar permanentemente limpo
            Neste sistema, toda área do pomar é mantida livre de vegetação nativa ou invasoras, por meio de mobilizações periódicas e superficiais ou mesmo com uso de herbicidas.
            Apesar desta forma de manejo evitar a concorrência das plantas daninhas, facilitar a incorporação de nutrientes e demais tratos culturais, expõe o solo à erosão; provoca compactação, pelo trânsito de máquinas e implementos agrícolas; além de diminuir a matéria orgânica, deixando o solo mais sujeito às variações de temperatura durante o dia e a noite.
            O uso freqüente de equipamentos que pulverizam o solo, tais como enxadas rotativas, além de desagregar o solo, facilita, enormemente, a erosão.
            A manutenção do solo limpo, com aplicações sucessivas de herbicidas, provoca um endurecimento na camada superficial, contribuem para aumentar os riscos de intoxicação dos aplicadores e podem poluir os mananciais de água.

Pomar com cultivo intercalar
            Neste sistema de cultivo, o pomar é mantido na entrelinha com um cultivo intercalar, que pode ter um caráter temporário ou permanente.
            As espécies cultivadas devem ser de porte baixo e, normalmente, leguminosas ou associação com gramíneas e têm o objetivo de melhorar as propriedades físicas e químicas do solo, porém deve-se considerar que, em períodos de seca, as leguminosas causam maiores prejuízos às plantas do que as gramíneas, pois apresentam sistema radicular mais desenvolvido e, com isso, uma maior capacidade de absorção de água do solo. Quando se mantém a vegetação espontânea, a mesma é mantida ceifada periodicamente.
            Ao longo das filas é mantida uma faixa limpa, do tamanho ou um pouco maior do que a projeção da copa das plantas, através do uso de capinas ou aplicações de herbicidas. Este sistema combina as vantagens do sistema que mantém o solo limpo na linha da planta e da cobertura vegetal na entrelinha como auxílio no controle da erosão.
            Esta modalidade de sistema pode ser alterada ao longo do ciclo vegetativo da planta, no caso específico de plantas frutíferas de clima temperado. Depois que as frutas foram colhidas pode-se deixar a vegetação espontânea crescer também ao longo da linha de plantas, até o início da primavera seguinte.
            No caso de algumas espécies de folhas permanentes, como é o caso de plantas cítricas no estado de São Paulo, recomenda-se, na época das águas, manter a faixa limpa periodicamente e a entrelinha ceifada ou discada através de grades.
            Se for utilizada uma planta intercalar para exploração econômica, deve-se realizar a adubação da planta independente da adubação da frutífera.

Pomar com cobertura vegetal permanente
            O solo todo do pomar é mantido com uma cobertura vegetal rasteira, nativa ou cultivada de forma permanente. Oferece vantagens para a proteção do solo no que diz respeito à melhoria na estrutura, proteção contra erosão, trânsito de máquinas e diminui a compactação.
            Entretanto, é um sistema que a vegetação dentro do pomar concorre com a planta frutífera em água e nutrientes, podendo causar prejuízos em épocas de estiagem.
            Este sistema pode ser utilizado em solos com grande declividade, apenas realizando um pequeno coroamento na projeção da copa durante o ciclo vegetativo da planta, através do uso de capinas ou herbicidas. Pode ser utilizado em plantas que apresentem um sistema radicular profundo, como é o caso da nogueira-pecan.

Pomar com cobertura morta permanente
            O solo é mantido com uma cobertura de restos vegetais, cortados de espécies forrageiras, palha ou casca de arroz, serragem, palha de leguminosas, entre outras.
            A espessura da cobertura varia de 10 a 20cm, conforme o material utilizado.
            Através de experimentos, verificou-se que é necessário cortar até 3m2 de área de capim gordura para cobrir 1m2 do pomar com folha seca, numa espessura de 20cm. Apesar deste sistema ser oneroso e limitado à pequenas áreas, traz vantagens para o desenvolvimento das plantas, tais como:
            a) Redução das perdas de água, pois funciona como uma válvula que permite a penetração da água, opondo-se, no entanto, a sua perda por evaporação direta;
            b) Evita que a gota da chuva cause desagregação das partículas pelo impacto direto;
            c) Aumenta as taxas de N, S, B e P no solo;
            d) Contribui para o controle das ervas daninhas, possibilitando que as plantas possam desenvolver o sistema radicular na superfície do solo.
            As limitações para uso deste sistema de cultivo seriam:
            a) Em solos mal drenados os problemas de aeração são acentuados;
          b) Em pomares conduzidos com cobertura morta por alguns anos, o abandono da prática pode trazer sérias conseqüências, pois o sistema mantém as raízes da planta na superfície do solo;
            c) A cobertura morta aumenta o risco de geadas por impedir a irradiação do calor do solo para o ar;
            d) Favorece o risco de incêndio e ataque de roedores;
            e) O custo é significativo, pois necessita-se adicionar matéria seca anualmente;
            f) Não deve ser estabelecida antes de três anos de vida da planta, pois estimula o desenvolvimento superficial das raízes da planta.
            A adição periódica de restos vegetais faz com que se necessite de uma adubação suplementar de nitrogênio, na base de 50 kg/tonelada de cobertura morta, uma vez que a mesma altera a relação C/N.

Variantes para combinar sistemas de cultivo do pomar
            Na prática os sistemas de cultivos citados anteriormente são pouco utilizados isoladamente, o que se utiliza são as combinações deles durante o desenvolvimento da cultura, baseados na espécie vegetal, regime hídrico, declividade, disponibilidade de mão-de-obra, equipamentos e custos. Em algumas situações, pode-se utilizar:
            a) Cobertura vegetal permanente e cobertura morta na linha das plantas;
            b) Cobertura com vegetal ceifado na entrelinha e limpo na projeção da copa, através de herbicidas e/ou capinas periódicas;
            c) Cultivo do solo com planta leguminosa durante parte do ano para posterior incorporação ao solo;
            d) Vegetação nativa na entrelinha, mantida rasteira através do uso de grades que atingem pequenas profundidades do solo;
            e) Vegetação natural ceifada no período das chuvas e limpo, na época da seca, com máquinas ou herbicidas;
            f) Vegetação natural ceifada quando necessário e plantas coroadas com herbicidas.

4.3.3  Escolha do sistema de cultivo
            É difícil recomendar um ou outro sistema de cultivo apenas a partir de considerações teóricas, pois a escolha do sistema deverá levar em conta:
           a) Aspectos relativos à planta (espécie, espaçamento);
           b) Aspectos relativos ao solo (profundidade, textura, estrutura, topografia);
           c) Aspectos relativos ao clima (chuvas, geadas);
           d) Aspectos econômicos (custo operacional, equipamentos disponíveis);


!Clique para visualizar a Tabela 9 - Comparação de algumas características dos principais sistemas de cultivo do solo em pomares