Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten
Na prática, verifica-se que as associações de sistemas de manejo dão melhores resultados e procura-se alterá-los durante o ciclo de desenvolvimento da planta.
4.4.1 Pessegueiro e ameixeira
O cultivo
do solo com cobertura vegetal na entrelinha e a manutenção
de uma faixa limpa ao longo da linha é aquele que tem apresentado
os melhores resultados. Esta faixa corresponde à projeção
da copa e é realizada através de capinas manuais, roçadas
ou por meio de herbicidas. Depois da colheita até o início
da primavera pode-se deixar todo o solo coberto com vegetação,
procurando ceifá-la através de roçadas manuais ou
mecanizadas. Sempre que possível, deve-se cultivar, no inverno,
uma planta leguminosa para ser incorporada ao solo, como fonte de matéria
orgânica e nutrientes.
Na
Tabela 10 é mostrada a importância da manutenção
da cobertura do solo através da quantidade de nitrogênio
possível de ser reciclado em um pomar de pessegueiro onde solo
coberto com aveia preta.
A vegetação
da entrelinha deve ser cortada periodicamente que tenham pouca penetração
no solo. Deve-se evitar a utilização de enxadas rotativas
que provocam uma pulverização do solo, contribuindo para
aumentar a erosão.
Tabela 10. Cobertura de solo com aveia preta e produção de matéria verde, seca e nitrogênio reciclado em pomar de pessegueiro cv Cerrito, média 2000 e 2001 em kg/ha
Sistema de condução |
Matéria verde |
Matéria seca |
Nitrogênio reciclado |
Produção integrada |
19,879 a |
5,903 a |
98 a |
Produção convencional* |
3,925 b |
661 b |
16 b |
Fonte: GOMES (2003).
* Cobertura espontânea que se estabeleceu no intervalo entre as
práticas de limpeza do pomar.
4.4.2 Videira
A viticultura
é uma atividade cuja exploração é feita, principalmente,
nas pequenas propriedades e normalmente em solos que apresentam uma declividade
acentuada. O RS é o estado que apresenta a maior área cultivada
e, nas regiões de cultivo, ocorrem precipitações
que podem chegar a 2.000mm/ano, contribuindo de sobremaneira para agravar
os problemas de erosão.
A forma
de cultivo do solo que tem sido recomendada é aquela que procura
manter o solo com uma cobertura vegetal, seja ela proveniente de restos
de cultivo ou cultivada. Sendo que as espécies são plantadas
no outono e mantidas durante o ciclo vegetativo da planta. Na primavera,
quando a videira começa a emitir as brotações, a
cobertura deve ser dessecada ou acamada para evitar a concorrência
com as plantas. É uma prática de custo baixo e que diminui
os gastos com mão-de-obra, herbicidas e fertilizantes.
Em
regiões de clima quente, o sistema adotado é a manutenção
da vegetação nativa na entrelinha, mantida baixa com o uso
de roçadas periódicas, e a linha das plantas limpa por meio
de capinas manuais ou por meio de herbicidas.
Em
boa parte das regiões vitícolas, outra prática que
vem trazendo bons resultados é a utilização de adubos
orgânicos, tais como camas de aviário, esterco curtido de
curral e restos vegetais obtidos na propriedade. Esta prática contribui
para aumentar a produtividade do vinhedo, além de trazer significativas
melhorias nas propriedades físico-químicas do solo e um
melhor controle da erosão. Em muitas regiões são
utilizadas cerca de 60 a 80 toneladas/hectare/ano de esterco curtido de
curral em parreiras para produção de uvas para mesa. No
caso de uvas para vinhos finos, a adição de matéria-orgânica
deve ser feita com cuidado, em função de evitar o excesso
de nitrogênio que pode comprometer a qualidade da uva e, consequentemente,
dos vinhos elaborados.
4.4.3 Figueira
A figueira,
assim como a videira, é cultivada em pequenas propriedades, pois
exige uma grande quantidade de mão-de-obra.
No
estado de São Paulo, onde se encontra a maior área cultivada,
principalmente no município de Valinhos, a utilização
da cobertura morta é uma prática muito difundida.
Já
no primeiro ano que o pomar é implantado, toda a área é
coberta por uma camada espessa (20cm) de matéria morta. Esta prática
é repetida anualmente e traz ótimos resultados, pois além
de controlar a erosão, contribui para manutenção
da umidade do solo e diminui a população de nematóides
do solo.
Aliada
a esta prática, a adubação mineral é complementada
com o uso de lixo urbano previamente tratado e que é aplicado em
covas ao redor das plantas em produção. A adubação
mineral é aplicada a lanço sobre a palha, tendo-se o cuidado
de aumentar a quantidade de adubos nitrogenados.
4.4.4 Plantas cítricas
A citricultura
no Brasil tem-se desenvolvido de maneira acentuada, principalmente no
estado de São Paulo, onde mais de 850.000ha de plantas cítricas.
O clima neste Estado se caracteriza, durante o ano, por um período
de relativa falta de chuvas no inverno, podendo em algumas regiões
causar prejuízos às plantas, e por um período de
chuvas na primavera/verão. Assim sendo, procura-se realizar práticas
que diminuam a evapotranspiração do pomar, ou seja, mantem-se
o pomar limpo ou com a vegetação ceifada na entrelinha e
limpo na projeção da copa da planta. O revolvimento do solo
na superfície, com uso de grades, provoca rompimento de tubos capilares.
No
período das águas, busca-se manter, no pomar, uma cobertura
vegetal nativa ou cultivada para prevenir os danos provocados pela erosão.
Trabalhos
realizados na Estação Experimental de Limeira, no período
de 1954 a 1963, revelaram a superioridade da cobertura morta em relação
a outros oito sistemas de cultivos com grades de discos, adubos verdes,
aração e roçada. Entretanto, é considerada
antieconômica, pois exige grande quantidade de massa vegetal e não
seria viável em grandes pomares. O outro tratamento que apresentou
bom resultado foi aquele que utilizou soja perene (Glycine javanica
L.) controlada de abril a setembro com 3 gradeações.
A combinação
de roçadeira + grade + capina é uma prática bem aceita
entre os citricultores. Consiste em usar roçadeiras nas entrelinhas
no período chuvoso (setembro a março), 3 a 4 vezes, e gradeação
no período seco (abril a agosto). Nas linhas são feitas
capinas com herbicidas ou com enxada. Os adubos e corretivos são
aplicados e incorporados na projeção da copa da planta.
Para
as condições do RS, a utilização de sistemas
de cultivo que permitam a incorporação de fertilizantes
e roçadas para manter a vegetação rasteira, tem aumentado
nos últimos anos. A projeção da copa é mantida
limpa através de capinas manuais ou com o uso de herbicidas.
4.4.5 Macieira e pereira
A macieira
é uma frutífera de clima temperado que teve a sua área
de cultivo mais ampliada nos últimos anos, sendo que os estados
de SC e RS são os que apresentam a maior área cultivada.
Normalmente, estas regiões apresentam topografias suaves onduladas
e onduladas e o sistema de preparo do solo é aquele em que as mudas
são plantadas levando-se em conta as principais práticas
conservacionistas.
O sistema
de cultivo mais utilizado até o 3o e 4o ano de vida do pomar é
o de culturas intercalares, combinadas com limpeza de uma faixa lateral
das plantas. A cultura intercalar, neste período, pode ser explorada
economicamente. Do 4o ano em diante, indica-se a combinação
de faixa lateral limpa e plantio de leguminosas ou gramíneas rasteiras
na entrelinha. Quando a cultura intercalar é ceifada ela pode ser
aproveitada como cobertura morta.
Através
de trabalho realizado com diversos sistemas de cultivo, para macieira,
no município de Videira/SC, concluiu que:
a)
O uso da cobertura morta, na projeção da copa, beneficia
o crescimento e a produção de frutas;
b)
O plantio em cova é uma alternativa somente para solos de difícil
mecanização;
c)
A subsolagem a 60cm de profundidade é uma prática importante
no preparo do solo; e
d)
O preparo do solo através de subsolagem e/ou lavração
profunda propicia uma distribuição mais uniforme do sistema
radicular no perfil do solo.