Apresentação

txt_cap5

Coleta de amostra e interpretação de análise foliar

José Carlos Fachinello, Jair Costa Nachtigal & Elio Kersten

            Para as plantas cítricas, a coleta de amostras para análise foliar é realizada no período de janeiro a março, coletando-se folhas com 5 a 7 meses de idade, de ramos frutíferos que se originaram na brotações primaveris. Devem ser coletadas de 8 a 16 folhas por planta, a uma altura aproximada de 1,5 m do solo, nos quatro quadrantes da copa, de 10 a 15 plantas do mesma cultivar, bem distribuídas por talhão, com topografia e solo homogêneos, o tamanho da amostra será de 80 a 200 folhas.

            Nos exemplos a seguir, são apresentados exercícios práticos de como interpretar resultados de análise foliar.

5.5.1 Citros


Tabela 19 - Resultados da análise de três amostras de folhas de citros, sendo que a amostra 01 apresentava deficiência de magnésio, a amostra 02 normal e amostra 03 deficiência de zinco, por ocasião da coleta no campo.

 

 

N

P

K

Ca

Mg

Fe

Mn

Zn

Cu

B

Al

AMOSTRA

(%)

(mg kg-1)

01

2,11

0,23

1,90

2,13

0,03

134

23

13

12

65

-

02

2,00

0,21

1,15

2,48

0,37

84

16

12

11

52

-

03

2,72

0,21

2,45

1,60

0,15

120

20

8

8

100

-

 

Tabela 20 - Interpretação da análise foliar de macro e micronutrientes para citros, com base em matéria seca de folhas.

Faixas de
interpretação

Macronutrientes (%)

N

P

K

Ca

Mg

S

Insuficiente

< 2,3

< 0,12

< 1,0

< 3,5

< 0,25

0,2

Normal

2,3-2,7

0,12-0,16

1,0-1,5

3,5-4,5

0,25-0,40

0,2-0,3

Excesso

>3,0

>0,2

>2,0

>5,0

>0,40

>0,50

 

Micronutrientes (mg kg-1)

B

Cu

Fe

Mn

Mo

Zn

Insuficiente

<36

<4

<50

<35

<0,1

<35

Normal

36-100

4-10

50-120

35-50

0,1-1,0

35-50

Excesso

>150

>15

>200

>100

>2,0

>100

Fonte: SBCS/CQFS (2004).

            Com base nos resultados da Tabela 19 e interpretados conforme a Tabelas 20, obteve-se os resultados que estão sistematizados nas Tabelas  21, 22 e 23, para as amostras de folhas 1, 2 e 3, respectivamente.

Amostra 1

 

Tabela 21 - Interpretação e recomendação nutricionais para citros, de acordo com os teores analisados a partir da amostra 1

 

NUTRIENTE

 

INTERPRETAÇÃO

 

RECOMENDAÇÃO

Nitrogênio

Insuficiente

Aplicar matéria orgânica no solo e adubação de manutenção com nitrogênio com base na expectativa de produção.

Fósforo

Excesso

Não aplicar

Potássio

Excesso

Não aplicar

Cálcio

Insuficiente

Corrigir a acidez do solo com calcário dolomítico

Magnésio

Insuficiente

Corrigir a acidez do solo com calcário dolomítico e fazer aplicações foliares com sulfato de magnésio.

Ferro

Normal

Não aplicar

Manganês

Insuficiente

Aplicar sulfato de manganês via foliar

Zinco

Insuficiente

Fazer 2 pulverizações com sulfato de zinco a 0,2% e aplicar matéria orgânica no solo.

Cobre

Excesso

Não aplicar

Boro

Normal

Não aplicar

Amostra 2

            A interpretação dos resultados da análise foliar da amostra 2 está baseada nos dados das Tabela 19 e 20 e apresentada na Tabela 22.

Tabela 22 - Interpretação e recomendação nutricionais para citros, de acordo com os teores analisados a partir da amostra 2

 

NUTRIENTE

 

INTERPRETAÇÃO

 

RECOMENDAÇÃO

Nitrogênio

Insuficiente

Aplicar M.O. e adubação de manutenção com nitrogênio

Fósforo

Excesso

Não aplicar

Potássio

Normal

Fazer as aplicações normais da cultura

Cálcio

Insuficiente

Corrigir a acidez do solo

Magnésio

Normal

Corrigir a acidez do solo

Ferro

Normal

Não aplicar

Manganês

Insuficiente

Aplicar sulfato de manganês via foliar

Zinco

Insuficiente

Fazer pulverizações com sulfato de zinco a 0,2%

Cobre

Normal

Não aplicar

Boro

Normal

Não aplicar

Amostra 3

            A interpretação dos resultados da análise foliar da amostra 3 está baseada nos dados das Tabela 19 e 20 e apresentada na Tabela 23.

Tabela 23 - Interpretação e recomendação nutricionais para citros, de acordo com os teores analisados a partir da amostra 3

NUTRIENTE

INTERPRETAÇÃO

RECOMENDAÇÃO

Nitrogênio

Excesso

Não aplicar N

Fósforo

Excesso

Não aplicar

Potássio

Excesso

Não aplicar

Cálcio

Insuficiente

Corrigir a acidez do solo

Magnésio

Insuficiente

Corrigir a acidez do solo com calcário dolomítico e aplicar sulfato de magnésio via foliar

Ferro

Normal

Não aplicar

Manganês

Insuficiente

Aplicar sulfato de manganês via foliar

Zinco

Insuficiente

Fazer pulverizações com sulfato de zinco a 0,2%

Cobre

Insuficiente

Não aplicar

Boro

Excesso

Não aplicar

            As deficiências de zinco, manganês e de magnésio, podem ser corrigidas com duas pulverizações foliares por ano, uma em setembro e a outra em fevereiro.
            Em caso de deficiência aguda de magnésio, pode-se realizar 5 aplicações anuais, espaçadas de um mês. Normalmente as deficiências de micronutrientes estão associadas à falta de matéria orgânica no solo.


5.5.2 Macieira
A coleta de folhas é realizada entre 15 de janeiro a 15 de fevereiro da porção mediana da brotação do ano. A amostra é composta de aproximadamente 100 folhas de 20 plantas representativas da área.


Tabela 24 - Resultados da análise foliar em dois pomares de macieira do município de Vacaria/RS, no ano de 1990.

 

N

P

K

Ca

Mg

Fe

Mn

Zn

Cu

B

AMOSTRA

(%)

(mg kg-1)

1

2,31

0,14

1,60

1,21

0,44

90

148

30

7

25

2

2,22

0,16

1,13

0,84

0,36

90

210

130

9

19

Amostra 1
            Para interpretação dos resultados, utiliza-se os dados obtidos nas amostras e compara-se com os padrões das Tabelas 25 e 26.

 

Tabela 25 - Padrões para interpretação dos resultados da análise foliar de macronutrientes para macieira e pereira, amostras coletadas entre 15 janeiro e 15 de fevereiro

Interpretação

N

P

K

Ca

Mg

%

Insuficiente

< 1,70

< 0,10

< 0,80

< 0,80

< 0,20

Abaixo do normal

 

1,70 - 1,99

 

0,10 - 0,14

 

0,80 - 1,19

 

0,80 - 1,09

 

0,20 - 0,24

Normal

2,00 - 2,50

0,15 - 0,30

1,20 - 1,50

1,10 - 1,70

0,25 - 0,45

Acima do normal

 

2,51 - 3,00

 

> 0,30

 

1,51 - 2,00

 

> 1,70

 

> 0,45

Excessivo

> 3,00

-

> 2,00

-

-

 

 

Tabela 26 - Padrões para interpretação dos resultados da análise foliar de micronutrientes para macieira e pereira, amostras coletadas entre 15 janeiro e 15 de fevereiro.

Interpretação

Fe

Mn

Zn

Cu

B

 

(mg kg-1)

Insuficiente

-

< 20

< 15

< 3

< 20

Abaixo normal

< 50

20 - 29

15 - 19

3 - 4

20 - 40

Normal

50 - 250

30 -130

20 - 100

5 - 30

25 - 50

Acima normal

> 250

131 - 200

> 100

31 - 50

51 - 140

Excessivo

-

> 200

-

> 50

> 140

 

Tabela 27 - Interpretação e recomendação nutricionais para macieira, de acordo com os teores analisados a partir da amostra 1

 

NUTRIENTE

 

INTERPRETAÇÃO

 

RECOMENDAÇÃO

Nitrogênio

Normal

Continuar a adubação de rotina

Fósforo

Abaixo do normal

Ainda não justifica a aplicação de adubo fosfatado

Potássio

Acima do normal

Não aplicar

Cálcio

Normal

Corrigir a acidez do solo se necessário e fazer aplicações para controle de “bitter pit”

Magnésio

Normal

Corrigir a acidez do solo se necessário

Ferro

Normal

Não aplicar

Manganês

Acima do normal

Corrigir a acidez do solo; a amostra pode estar contaminada por poeira ou por defensivos

Zinco

Normal

Fazer pulverizações com sulfato de zinco a 0,2%

Cobre

Normal

Não aplicar

Boro

Normal

Caso tenha sido aplicado boro, repetir as pulverizações no próximo ciclo

Amostra 2

 

Tabela 28 - Interpretação e recomendação nutricionais para macieira, de acordo com os teores analisados a partir da amostra 2

 

NUTRIENTE

 

INTERPRETAÇÃO

 

RECOMENDAÇÃO

Nitrogênio

Normal

Continuar a adubação de rotina

Fósforo

Normal

Não aplicar

Potássio

Abaixo do normal

Aumentar a adubação potássica

Cálcio

Abaixo do normal

Corrigir a acidez do solo. Fazer aplicações de cálcio para controle de “Bitter Pit”

Magnésio

Normal

Corrigir a acidez do solo se necessário

Ferro

Normal

Não aplicar

Manganês

Acima do normal

Realizar a análise e corrigir o pH caso seja necessário.

Zinco

Acima do normal

Não aplicar

Cobre

Normal

Não aplicar

Boro

Insuficiente

Fazer 2 a 3 pulverizações quinzenais com sulfato de zinco

            Como se verifica os resultados de análise foliar são qualitativos e não dispensam a interpretação de um técnico com base na experiência regional, experiência do produtor, idade das plantas, expectativa de produção e a produção do ano anterior, como forma de fazer uma adubação equilibrada no pomar.
            Em casos de deficiências foliares, pode-se lançar mão das seguintes fontes de nutrientes para serem aplicadas via foliar. Essas aplicações não eliminam a necessidade de adubação no solo, principalmente com macronutrientes.

Cálcio - 5 a 10 pulverizações quinzenais com cloreto de cálcio (CaCl2) a 0,6%, em plantas em produção, para prevenir deficiências nas frutas (Bitter Pit).
Magnésio - até 3 pulverizações quinzenais com sulfato de magnésio (MgSO4) a 2 ou 3%.
Zinco - 2 a 5 pulverizações com sulfato de zinco (ZnSO4) a 0,2% ou fungicidas a base de Zn. Ao aplicar ZnSO4 com altas temperaturas, adicione hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) a 0,2% para evitar fitotoxidez.
Boro - 2 a 3 pulverizações quinzenais com bórax a 0,4% ou solubur a 0,2%.
            O magnésio e o boro devem ser aplicados somente quando o teor foliar for abaixo do normal ou insuficiente. Deve-se iniciar as pulverizações quando as frutas atingirem 1cm de diâmetro.