Apresentação

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7.8 Sistemas de condução da planta

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

7.8.1 Livres
            As plantas são sustentadas pelo seu próprio tronco. Neste sistema, as plantas basicamente são formadas de três maneiras:


Vaso, cone invertido ou centro aberto
            Esse sistema não tem um ramo central que lidera o crescimento da copa e sim uma série de ramos laterais chamados pernadas, bem espaçados entre si (Figura 43). O equilíbrio entre eles é mantido através de podas. Neste sistema, normalmente são deixadas 4 a 6 pernadas que irão servir de base para os ramos de produção. Os primeiros ramos devem ficar a partir de uma altura de 40cm do solo, sendo aconselhável não deixar os ramos principais partirem do mesmo ponto. Nas plantas em formação pode-se deixar  1 ou 2 ramos a mais, devido à possibilidade de ocorrerem perdas devido a ruptura pelo vento, máquinas, animais, entre outros.
            Este sistema de condução é utilizado para pessegueiro e ameixeira, porém pode ser utilizado para diversas frutíferas, como macieira, pereira e marmeleiro.
            A vantagem principal é a penetração de ar e de luz, além de manter a planta num porte baixo, o que facilita os tratos culturais, como poda, raleio, colheita e pulverizações.

 

Figura 43 - Sistema de condução na forma de vaso ou centro aberto. Foto: José Carlos Fachinello

            A principal desvantagem que pode ocorrer é o aparecimento de bifurcações fracas quando a planta não esta bem formada.


Líder Central
            Este tipo de formação de plantas tem um ramo principal dominante e uma série de ramos laterais bem espaçados. A principal vantagem é o desenvolvimento de bifurcações fortes, porém o seu interior pode ficar muito sombreado. Para algumas espécies, este sistema constitui-se num fator indispensável, como é o caso da macieira e da pereira, proporcionando, à planta, uma forma piramidal. Todos os ramos laterais são conduzidos em posição quase horizontal e claramente subordinados ao eixo central (Figura 44).
            Os ramos laterais não ultrapassam 1/3 do diâmetro do tronco e devem partir de pontos diferentes do tronco, distribuídos na forma de espiral.

 


Figura 44 - Sistema de condução em líder central. Foto: José Carlos Fachinello


Guia Modificado
            Durante o período de formação da planta o guia central é despontado, impedindo que ele chegue a ser dominante. O guia modificado difere da forma de vaso por aproveitar a gema apical para dar prolongamento ao tronco e aos ramos laterais, que sobre ele se formam. A planta adulta também fica com forma de pirâmide e se assemelha ao sistema de líder central (Figura 45). Este sistema pode ser utilizado para macieira e pereira. O guia principal é cortado a 80cm do solo, ao final do primeiro ano a planta terá um líder e 3 a 5 pernadas laterais. No segundo ano, o líder novamente é despontado, ficando com 60cm e com ramificações laterais. Esta operação é realizada até o terceiro ano.

 

Figura 45 - Sistema de condução na forma de guia modificado. Foto: José Carlos Fachinello


7.8.2 Apoiados
            As plantas são apoiadas sobre um tutor ou sobre uma armação de arame ou mesmo de madeira. As principais formas de condução de plantas apoiadas são a latada (Figura 46) e a espaldeira (Figura 47), como acontece com a videira e com o  quivi. Em macieiras são utilizadas as formas de cordão vertical, horizontal, oblíquo, entre outros.
            A condução das plantas na forma de latada, também conhecida por pérgola ou caramanchão, consiste em desenvolver a copa das mesmas em um plano horizontal, formado através de uma malha de fios de arame sustentada por moirões ou postes. A altura do solo até a copa, neste sistema, varia em torno de 1,80 a 2,0m. A condução das plantas na forma de latada apresenta algumas vantagens, como, por exemplo, permite uma maior expansão vegetativa da planta e proporciona uma maior produtividade, porém dificulta a realização dos tratos culturais e favorece o ataque de doenças fúngicas. É o sistema mais utilizado para produção de uvas americanas e híbridas no Rio Grande do Sul.
            No sistema de condução em espaldeira, as plantas são conduzidas na forma vertical, de forma semelhante a uma cerca. Sua construção é mais simples do que a latada, pois utiliza-se 3 ou 4 fios de arame, sendo que o primeiro é colocado a 1,0m do solo e os demais a cada 0,30 a 0,40m. Para sustentá-los, utiliza-se postes individuais, distanciados de 5 a 6m. Este sistema não permite altas produtividades, pois limita a expansão da copa, porém facilita a realização dos tratos culturais, aumenta a ventilação e possibilita a penetração dos raios solares, o que melhora a qualidade das frutas. Este sistema é o mais recomendado para a produção de uvas finas.



Figura 46 - Sistemas de latada, utilizados para a condução da videira. Fotos: Adriano Mazzarolo e Jair Costa Nachtigal

 



Figura 47 - Sistemas de espaldeira, utilizados para a condução da videira. Fotos: Adriano Mazzarolo e Jair Costa Nachtigal