Jair Costa Nachtigal & Elio Kersten
O raleio é realizado com o objetivo de:
8.2.1 Aumentar o tamanho das frutas
Este é, sem dúvida, o principal e mais importante
dos objetivos do raleio. O aumento do tamanho das frutas está intimamente
ligado à relação folha/fruta, ou seja, o aumento
do tamanho da fruta é diretamente ligado ao número de folhas.
Em geral, no caso das rosáceas, cada fruta requer de 30 a 40 folhas
para atingir um bom desenvolvimento.
O número
ótimo de folhas/fruta é dependente da eficiência fotossintética
das folhas, assim plantas de pequeno porte apresentam folhas mais eficientes
do que plantas de porte mais elevado, devido ao fato de que essas folhas
estão expostas à luz solar direta por um período
de tempo mais prolongado. O aumento do número de folhas/fruta para
valores superiores a 50 parece produzir um efeito menor no tamanho e qualidade
das frutas.
8.2.2 Evitar a alternância de produção
A produção
excessiva de frutas, em um ano, causará um esgotamento de alguns
nutrientes minerais e diminuição do teor de glicídios
e outras substâncias de reserva, com isso a planta não é
capaz de promover uma boa formação de gemas florais e, também,
de suportar as frutas no ano seguinte.
No
caso dos citros, na maioria das espécies, se o esgotamento for
muito grande, a planta não floresce ou apresenta uma floração
muito pequena no ano seguinte, apenas emitirá brotações
para se recuperar e acumular reservas.
As
causas da alternância de produção, em algumas frutíferas,
ainda não são bem conhecidas. Alguns autores atribuem a
condições climáticas, outros, porém, observaram
que o grau de alternância depende do número de frutas produzidas
e do tempo de permanência destes na planta após a maturação;
outros ao excesso de giberelinas produzidos pela semente e que interferem
na diferenciação das gemas floríferas para o próximo
período produtivo.
As
espécies mais suscetíveis à alternância de
produção são as cítricas, especialmente as
tangerineiras e laranjeiras; as pereiras; os pessegueiros e as macieiras.
Em geral, as cultivares mais precoces e de meia estação
são mais suscetíveis do que as cultivares tardias.
8.2.3 Melhorar a coloração e a qualidade das frutas
A melhoria
na qualidade das frutas, em plantas submetidas ao raleio,
ocorre devido ao maior espaçamento entre as frutas, o que elimina
o sombreamento de uma fruta por outra, com isso ocorre uma melhor exposição
à luz.
Com
relação à qualidade, ocorre que, em plantas raleadas,
aumenta-se o número de folhas/fruta, com isso ocorre um maior fornecimento
de carboidratos, principalmente sacarose, e outros elementos que conferem
melhor qualidade, representada, neste caso, pelo sabor, aroma e cor.
8.2.4 Evitar o rompimento de ramos
O excesso de peso, causado por uma produção muito
grande de frutas, é causa frequente da quebra dos ramos. Com um
excesso de peso, o rompimento dos ramos é agravado pelo vento e
pelos operadores que realizam o processo de colheita.
8.2.5 Reduzir o número de frutas com defeitos graves
Na
operação do raleio, procura-se eliminar inicialmente as
frutas que apresentem defeitos graves, sejam eles devidos a deformações,
ataque de pragas e/ou doenças, danos mecânicos, entre outros.
Com isso evita-se que a planta dispense energia para sustentar frutos
que serão descartados durante a classificação, logo
após a colheita.
8.2.6 Melhorar a resistência das plantas
Plantas
com produções excessivas tornam-se deficientes em alguns
nutrientes, com isso, são mais facilmente atacadas por pragas e
doenças, além de que produções excessivas
continuadas podem causar até a morte das plantas.
8.2.7 Reduz o custo da colheita
Quanto
maior for o número de frutas descartadas após a colheita,
geralmente devido a um pequeno tamanho, maior será o custo da operação
de colheita, pois estaremos pagando para que os operadores colham frutas
que serão descartadas posteriormente.
Além
da colheita, o raleio diminui os custos das operações posteriores,
como a classificação, uma vez que possibilita maiores rendimentos.
O raleio reduz também os gastos com conservação e
transporte.