José Carlos Fachinello & Elio Kersten
As auxinas são substâncias químicas relacionadas com
o ácido indolacético (AIA), a principal auxina das plantas
e a primeira a ser identificada. São produzidas principalmente
nos locais de crescimento ativo, como meristemas, gemas axilares e folhas
jovens, embora também haja síntese nas folhas adultas.
O transporte
das auxinas se caracteriza como sendo basal, ou seja, do ápice
do caule ou de outro órgão para a base deste, e polar.
Dentre
as diversas substâncias que pertencem a este grupo, podemos destacar
o ácido indolacético (AIA), o ácido indolbutírico
(AIB), o ácido naftalenoacético (ANA) e o ácido 2,4-diclorofenoxiacético
(2,4-D).
A inativação
das auxinas é feita por enzimas do tipo oxidases (AIA-oxidase e
peroxidases) e por foto-oxidação, causada principalmente
pela absorção de luz ultravioleta. A atividade enzimática
é influenciada pelas substâncias fenólicas encontradas
nas plantas, assim sendo, os monofenóis estimulam a atividade da
AIA-oxidase, enquanto os polifenóis inibem a atividade desta enzima.
A presença de íons magnésio também influencia
na atividade da AIA-oxidase, pois ele atua como cofator em muitos sistemas
relacionados com este processo.
As
auxinas, quanto sintetizadas pelas plantas ou aplicadas exogenamente,
podem provocar uma gama variada de efeitos, como crescimento do caule,
folhas, raiz, flor e fruta (Figura 51); iniciação da atividade
cambial; dominância apical; epinastia; partenocarpia; determinação
do sexo; abscisão foliar, entre outros.

Figura 51 - Representação esquemática da sensibilidade de diferentes órgãos a diferentes concentrações de auxinas (FERRI, 1979)
A aplicação exógena de auxinas tem se mostrado de
grande utilidade para a melhoria na produção de inúmeras
plantas frutíferas. De um modo geral, a aplicação
de auxinas promove efeito benéfico até uma determinada concentração,
variável com uma série da fatores, a partir daí,
o efeito passa a ser prejudicial. Algumas hipóteses têm sido
sugeridas para explicar o efeito inibitório das auxinas, principalmente
no que se refere ao processo de formação de raízes,
entre elas estão a de que, em altas concentrações,
as auxinas induzem a biossíntese de etileno, que pode inibir o
crescimento, e que a auxina tem efeito sobre a polarização
da membrana plasmática, que, em baixas concentrações,
ocorre uma hiperpolarização da membrana associada ao transporte
de H+ do citoplasma para a parede, já, em altas concentrações,
a hiperpolarização diminui.
O AIB,
pela sua estabilidade à fotodegradação e por apresentar
boa capacidade de promover a formação de primórdios
radiculares, tem sido utilizado no enraizamento de estacas de inúmeras
espécies, principalmente daquelas que apresentam dificuldades de
formar raízes. As concentrações de AIB, bem como
a forma e o tempo de aplicação são variáveis
em função de diversos fatores. Normalmente, quando são
utilizadas soluções concentradas (1.000 a 10.000mg L-1),
a aplicação é feita pela imersão rápida
(5 segundos) da estaca, sendo que, para a maioria das espécies,
os melhores resultados são obtidos nas concentrações
de 2.000 a 3.000mg L-1; já quando são
utilizadas soluções diluídas (< 1.000mg L-1) o
tempo de imersão da base da estaca deve ser de 12-24 horas, sendo
que os melhores resultados, geralmente, são obtidos nas concentrações
entre 200 e 300mg L-1.
O ácido
naftalenoacético (ANA) também pode ser utilizado para favorecer
o processo de formação de raízes, de modo semelhante
ao AIB, porém pode ser utilizado no desbaste de bagas de uvas,
devendo-se utilizar concentrações em torno de 5ppm no pré-florescimento
ou no florescimento e concentrações de 10 a 20mg L-1
na frutificação; no desbaste de tangerinas, quando aplicado
em concentrações de 100 a 800mg L-1; na indução
da floração em abacaxizeiro, usando-se 25mg L-1;
para raleio químico em macieiras, utilizando-se 15 a 20mg L-1;
entre outras.
O ácido
2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D) é um herbicida seletivo
capaz de eliminar as plantas daninhas dicotiledôneas sem afetar
as monocotiledôneas. Em concentrações menores, o 2,4-D
é utilizado para um grande número de funções,
como, por exemplo, na fixação de frutas cítricas,
utilizando-se concentrações de 4 a 24 mg L-1, de acordo
com as cultivares; retarda o amarelecimento da casca, nas concentrações
de 8 a 12mg L-1; aumento nas dimensões das frutas de algumas cítricas;
antecipação da época de produção (5
a 10mg L-1, 50mL planta-1) e iniciação floral, nas mesmas
concentrações; amadurecimento de bananas, com concentrações
de 200 a 1600mg L-1.