Apresentação

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9.2 Auxinas

José Carlos Fachinello & Elio Kersten

            As auxinas são substâncias químicas relacionadas com o ácido indolacético (AIA), a principal auxina das plantas e a primeira a ser identificada. São produzidas principalmente nos locais de crescimento ativo, como meristemas, gemas axilares e folhas jovens, embora também haja síntese nas folhas adultas.
            O transporte das auxinas se caracteriza como sendo basal, ou seja, do ápice do caule ou de outro órgão para a base deste, e polar.
            Dentre as diversas substâncias que pertencem a este grupo, podemos destacar o ácido indolacético (AIA), o ácido indolbutírico (AIB), o ácido naftalenoacético (ANA) e o ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D).
            A inativação das auxinas é feita por enzimas do tipo oxidases (AIA-oxidase e peroxidases) e por foto-oxidação, causada principalmente pela absorção de luz ultravioleta. A atividade enzimática é influenciada pelas substâncias fenólicas encontradas nas plantas, assim sendo, os monofenóis estimulam a atividade da AIA-oxidase, enquanto os polifenóis inibem a atividade desta enzima. A presença de íons magnésio também influencia na atividade da AIA-oxidase, pois ele atua como cofator em muitos sistemas relacionados com este processo.
            As auxinas, quanto sintetizadas pelas plantas ou aplicadas exogenamente, podem provocar uma gama variada de efeitos, como crescimento do caule, folhas, raiz, flor e fruta (Figura 51); iniciação da atividade cambial; dominância apical; epinastia; partenocarpia; determinação do sexo; abscisão foliar, entre outros.

 

Figura 51 - Representação esquemática da sensibilidade de diferentes órgãos a diferentes concentrações de auxinas (FERRI, 1979)

            A aplicação exógena de auxinas tem se mostrado de grande utilidade para a melhoria na produção de inúmeras plantas frutíferas. De um modo geral, a aplicação de auxinas promove efeito benéfico até uma determinada concentração, variável com uma série da fatores, a partir daí, o efeito passa a ser prejudicial. Algumas hipóteses têm sido sugeridas para explicar o efeito inibitório das auxinas, principalmente no que se refere ao processo de formação de raízes, entre elas estão a de que, em altas concentrações, as auxinas induzem a biossíntese de etileno, que pode inibir o crescimento, e que a auxina tem efeito sobre a polarização da membrana plasmática, que, em baixas concentrações, ocorre uma hiperpolarização da membrana associada ao transporte de H+ do citoplasma para a parede, já, em altas concentrações, a hiperpolarização diminui.
            O AIB, pela sua estabilidade à fotodegradação e por apresentar boa capacidade de promover a formação de primórdios radiculares, tem sido utilizado no enraizamento de estacas de inúmeras espécies, principalmente daquelas que apresentam dificuldades de formar raízes. As concentrações de AIB, bem como a forma e o tempo de aplicação são variáveis em função de diversos fatores. Normalmente, quando são utilizadas soluções concentradas (1.000 a 10.000mg L-1), a aplicação é feita pela imersão rápida (5 segundos) da estaca, sendo que, para a maioria das espécies, os melhores resultados são obtidos nas concentrações de 2.000 a 3.000mg L-1; já quando são utilizadas soluções diluídas (< 1.000mg L-1) o tempo de imersão da base da estaca deve ser de 12-24 horas, sendo que os melhores resultados, geralmente, são obtidos nas concentrações entre 200 e 300mg L-1.
            O ácido naftalenoacético (ANA) também pode ser utilizado para favorecer o processo de formação de raízes, de modo semelhante ao AIB, porém pode ser utilizado no desbaste de bagas de uvas, devendo-se utilizar concentrações em torno de 5ppm no pré-florescimento ou no florescimento e concentrações de 10 a 20mg L-1 na frutificação; no desbaste de tangerinas, quando aplicado em concentrações de 100 a 800mg L-1; na indução da floração em abacaxizeiro, usando-se 25mg L-1; para raleio químico em macieiras, utilizando-se 15 a 20mg L-1; entre outras.
            O ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D) é um herbicida seletivo capaz de eliminar as plantas daninhas dicotiledôneas sem afetar as monocotiledôneas. Em concentrações menores, o 2,4-D é utilizado para um grande número de funções, como, por exemplo, na fixação de frutas cítricas, utilizando-se concentrações de 4 a 24 mg L-1, de acordo com as cultivares; retarda o amarelecimento da casca, nas concentrações de 8 a 12mg L-1; aumento nas dimensões das frutas de algumas cítricas; antecipação da época de produção (5 a 10mg L-1, 50mL planta-1) e iniciação floral, nas mesmas concentrações; amadurecimento de bananas, com concentrações de 200 a 1600mg L-1.