José Carlos Fachinello & Elio Kersten
As giberelinas foram descobertas a partir do fungo Gibberella fujikuroi
que atacava plantas de arroz, causando um crescimento excessivo e, por
conseqüência, o tombamento das mesmas. Através do isolamento
do princípio ativo, presente no extrato do fungo, chegou-se à
identificação das giberelinas. Atualmente, mais de 80 tipos
diferentes de giberelinas já foram identificadas.
Os
órgãos que apresentam maior concentração de
giberelinas são sementes em germinação, endosperma,
frutas imaturos e ápices de caules e raízes e, por isso,
estes órgãos sejam os prováveis locais de síntese
deste grupo de reguladores.
O transporte
das giberelinas ocorre, das raízes até a parte aérea,
via xilema, juntamente com a seiva bruta e; das folhas até as outras
partes da planta, via floema, porém ocorrem na maioria dos tecidos
da planta.
O principal
efeito das giberelinas é o crescimento vegetativo, devido à
expansão celular, porém podem também atuar sobre
a germinação de sementes; retardar a senescência e
abscissão; induzir a partenocarpia (formação de frutas
sem o processo normal de fecundação); induzir a floração
e atuar na expressão sexual.
Dentre
as diversas giberelinas existentes, o ácido giberélico (AG3)
é, sem dúvida, a que tem maior utilização
em fruticultura. O AG3 pode ser aplicado a 60mg L-1 na pré-colheita,
em citros, para manter a coloração verde da casca das frutas.
Em viticultura, o AG3 é empregado para melhorar a percentagem de
germinação de sementes, em concentrações que
variam de 10 a 8.000mg L-1, de pendendo do uso ou não da estratificação
pelo uso do frio; para melhorar a brotação de gemas, em
concentrações de 100 a 300mg L-1; para a descompactação
do cacho, nas concentrações de 2,5 a 10mg L-1 em pré-florescimento
ou florescimento; para indução de bagas sem sementes, por
imersão dos cachos nas concentrações de até
200mg L-1, no início da frutificação; aumento das
dimensões das bagas. Em bananas e caquis, a aplicação
de 100mg L-1 na fruta, provoca o atraso na maturação.